Articles

Entrevista Sylvain Itté, cônsul-geral da França em São Paulo

In Geopolítica on 18/05/2010 by Comandante.Melk Marcado:

http://i2.r7.com/data/files/2C92/94A3/26DB/192F/0126/DC72/4705/62B9/sylvainitte-hg-divulga%C3%A7%C3%A3o-20100217.jpg

A Notícia – SC – Joinville/SC

Segundo ele, definição brasileira por caças franceses ou de outros países não prejudicará as relações entre os Brasil e França

Fabiano Costa

Em visita a Porto Alegre, o cônsul-geral da França em São Paulo, Sylvain Itté, afirmou a Zero Hora que a definição brasileira por caças franceses ou de outros países que concorrem para o reequipamento da Força Aérea – Suécia e Estados Unidos – não prejudicará as relações entre os dois países. O diplomata disse ainda que o principal adversário do crescimento do Brasil é a infraestrutura. Leia a seguir trechos da entrevista:

ZH — Como a França vê a intermediação do governo brasileiro junto ao Irã para tentar eliminar a desconfiança internacional sobre o polêmico programa nuclear iraniano?

Sylvain Itté — Até agora, o ceticismo é grande. Nossa experiência sobre a questão iraniana é de que eles falam uma coisa e fazem outra. Se a iniciativa brasileira e turca puder, realmente, levar a uma solução positiva, ficaríamos muito contentes. Por enquanto, o ceticismo é maior do que o otimismo.

ZH — A libertação da professora francesa Clotilde Reiss com ajuda brasileira fortalece a tese de que o presidente Lula seria um dos mais influentes líderes mundiais da atualidade?

Itté — O certo é que o presidente Lula ocupou um espaço nas relações internacionais como um das personalidades mais escutadas e respeitadas do mundo. No últimos três anos, Lula se tornou um dos chefes de Estado mais influentes do globo. Também temos de considerar o peso do Brasil no cenário internacional. Se Lula fosse o presidente de um país de 5 milhões de habitantes, não seria a mesma coisa. Na condição de líder de um grande país, e com seu carisma, sua inteligência e sua trajetória, ele se torna um político especial e respeitado no mundo inteiro.

ZH — Podemos dizer que as relações entre Brasil e França vivem atualmente um momento diferenciado em razão da afinidade entre os presidentes Lula e Nicolas Sarkozy?

Itté — Brasil e França estão se redescobrindo. Desde a independência brasileira, temos mantido uma relação especial. O início da reconquista dos dois lados, no entanto, foi 2005, ano do Brasil na França. À época, os franceses redescobriram os brasileiros. A segunda etapa dessa redescoberta foi 2009, ano da França no Brasil. A relação particular entre os dois presidentes é apenas o fato político que permite uma relação especial, que se concretizou com o acordo estratégico entre os dois países assinado no ano passado.

ZH — A recente aquisição por parte do governo brasileiro de submarinos franceses e a provável compra de caças da França foram fundamentais para intensificar as relações políticas e econômicas entre os dois países?

Itté — Essa compra faz parte do acordo estratégico assinado entre a França e o Brasil. Dentro desse acordo, há mais de 35 itens de cooperação, entre eles parceria militar, ecológica e nuclear. A parte militar, que inclui a venda dos submarinos e dos caças, é um dos elementos dessa cooperação global. Não é porque estamos vendendo equipamentos militares que estamos organizando essa cooperação. Ao contrário, a compra dos aviões e submarinos é a consequência de uma vontade política de ajuda mútua.

ZH — Uma eventual opção do Brasil pelos caças americanos ou suecos poderia causar uma ruptura na parceria comercial com a França?

Itté — Absolutamente, não. Não é o elemento determinante. O Brasil decidiu comprar os submarinos porque acreditou ser uma boa solução técnica e operacional para a Marinha brasileira. Se o presidente decidir comprar os caças franceses, será pela mesma lógica. Não será por conta da relação particular entre o Brasil e a França.

ZH — O presidente Lula já manifestou mais de uma vez que pretende tomar uma opção política na compra dos caças para fortalecer o acordo estratégico com a França. O governo francês conta com esse comprometimento para vencer as empresas dos EUA e da Suécia?

Itté — Por que não deveríamos acreditar nesta posição do presidente Lula de que para ele a compra dos caças é uma opção política.

ZH — O governo francês teme algum desvio de rumos políticos no Brasil com o processo de sucessão do presidente Lula?

Itté — É uma eleição particular, afinal, é a primeira vez desde a redemocratização que Lula não está inserido na paisagem eleitoral. A alternância de poder é um indício de forte presença da democracia nesse país. O presidente Lula não quis uma revisão constitucional para ter um eventual terceiro mandato, o que é uma prova de democracia. Temos no cenário eleitoral três candidatos: uma que é a herdeira do presidente, outro que todos consideram um homem importante de Estado e uma terceira que representa o polo ecológico. Seja quem for o presidente, acho que não vai mudar fundamentalmente a relação com a França e o papel do Brasil no mundo. O Brasil já faz parte dos principais países do globo.

ZH — Dos três principais candidatos ao Planalto, a França se identifica mais com algum deles?

Itté — Não. Primeiro, não temos de preferir uma ou outra pessoa. São três candidatos preparados, com suas qualidades e defeitos. Não é a França que tem de decidir ou ter uma posição sobre quem seria o melhor presidente para o Brasil. O governo francês trabalhará com quem for escolhido pelo povo. Queremos é manter essa relação particular e forte entre os dois países, por meio do presidente ou presidenta que será eleito.

ZH — Como o senhor avalia a condução do governo brasileiro na gestão do presidente Lula?

Itté — Nos últimos sete anos e meio, o Brasil passou de uma situação de país de segunda categoria para um patamar de primeira categoria. Não apenas pela importância econômica, mas porque o presidente Lula colocou o Brasil no centro da vida política internacional. Faz muito tempo que a França acredita no potencial do Brasil no mundo. Desde 2002, defendemos um assento no conselho de segurança da ONU para o Brasil. Um país com 200 milhões de habitantes e que é a oitava maior economia mundial deve assumir um papel mais importante nas questões internacionais. O futuro presidente brasileiro terá o desafio de ampliar a presença do Brasil no cenário mundial. Não é fácil fazer parte dos países que decidem.

ZH — O senhor acredita que a crise econômica na Grécia pode vir a contaminar outros países da União Europeia?

Itté — A Europa sempre se construiu através das crises. Muitas vezes se pensou que o continente europeu iria fracassar por conta de crises. Na verdade, sempre saímos mais forte desses períodos de tensão. Hoje, vivemos uma crise econômica e política, mas, apesar de tudo, todos os chefes de Estado europeus se dispuseram a salvar a Grécia. Não há outra alternativa. Ou fazemos parte de um grupo ou não fazemos. É como em uma família: se há uma criança que fez uma besteira, você pode discutir com ela ou repreendê-la, no entanto, ela continua fazendo parte da família. A Europa hoje é isso, uma família com as brigas de todas as famílias. Apesar disso, acredito que a União Europeia permanecerá por um bom tempo sendo a primeira potência econômica do mundo, assim como zona líder de desenvolvimentos econômicos e inovações tecnológicas.

ZH — Neste período de crise financeira no continente europeu, como está a economia francesa?

Itté — Faz 20 anos que se fala sobre o fracasso da França. Porém, permanecemos nesse período como a quinta potência econômica mundial. Temos problemas de dívidas, como outros países europeus, só que são compromissos com investimentos estruturais. Uma parte da dívida da França é, na realidade, o DNA do país, que são os gastos sociais. Ainda que alguns nos considerem muito protetores, com um sistema social muito desenvolvido, acho que isso também nos ajuda a estar na 5ª colocação do ranking mundial. No entanto, temos de cortar algumas despesas.

ZH — A crise europeia pode atingir o Brasil?

Itté — O Brasil tem um problema imenso. Apesar do seu forte desenvolvimento, tem um grande problema de infraestrutura. Esse déficit pode colocar em perigo o crescimento do Brasil. Se não tiver aeroportos, estradas, autovias e portos para desenvolver a economia, vai rapidamente ter um problema. Saúde e educação são outros elementos essenciais para o desenvolvimento. Acredito que um grande desafio do próximo governo será saber como melhorar a situação da infraestrutura, da saúde e da educação.

Fonte:ZERO HORA via Clicrbs.

About these ads

5 Respostas to “Entrevista Sylvain Itté, cônsul-geral da França em São Paulo”

  1. Seguindo mais ou menos nessa linha, da entrevista com o Cônsul, uma notícia que acabo de ler, dando conta do que já sabemos: o Rafale será anunciado em breve.

    http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u736832.shtml

    abraços a todos

  2. É vem com transferencia de tecnológia….quando começamos a voar nos rafales?

  3. Os fanceses estão desesperados pra vender essa jaca pra alguem.O lula não vai anunciar a decisão, simplesmente porque ela seria usada na campanha contra dilma,sera inventado qualquer motivo para postergar o anuncio.

  4. Hornet,

    A notícia que vc indicou é referência à uma fonte diplomática francesa, portanto é a mesma fonte do Cônsul… ou seja, mais do mesmo.

    Citando a referida notícia:
    ” O Brasil deve confirmar em breve sua escolha pelo caça francês Rafale para substituir parte de sua frota de aviões de combate, afirmou nesta terça-feira uma fonte diplomática francesa…”

    Até o início deste ano dava como certa a vitória do Rafale, mesmo sendo Gripeiro.
    Contudo, com o passar das semanas e dos meses, após tantos adiamentos e acontecimentos, penso que esta certeza não existe mais.

    Seja como for, a FAB precisa de um novo vetor para os próximos 20 (vinte) anos, que pela minha visão deveria ser um Saab/Embraer GRIPEN NG/Br.
    Sim, um “papercraft” com carimbo ‘Made in Brazil’.

    Observe que falo em 20 (vinte) anos, pois este é o “prazo de validade” real de um caça antes de sua obsolescência diante da velocidade de crescimento da tecnologia aeronáutica. Depois deste período o vetor vai para missões secundárias.

    Grande abraço,
    Ivan, do Recife.

  5. Já estou desacreditado nesse FX-2… Estou contando que venha alguma coisa, que sejam 36 rafale, 36 F-18, 36 Gripen, 36 Typhoon ou 36 Su-35… Só não podemos adiar essa compra indefinidamente sob o risco de termos nosso espaço aéreo violado…

    O dever CONSTITUCIONAL da FAB é proteger nossos céus, então que o ESTADO dê condições para tal…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 289 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: