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Como funciona a esquadra naval norte-americana

In Defesa on 23/07/2010 by E.M.Pinto

http://forum.apan-info.net/spring03/jpg_lg/keensword.jpg

Sugestão: Gérsio Mutti

Introdução

Se você já leu o artigo Como funcionam os porta-aviões, já conhece muitas das incríveis características desses navios:

  • têm 20 andares de altura e mais de 305 m de extensão
  • são alimentados por reatores nucleares, em vez de motores a diesel ou turbinas
  • abrigam 6 mil tripulantes e de 70 a 80 aviões
  • são o conjunto de mais de 1 bilhão de peças

Isso tudo significa que um porta-aviões vale de U$ 4 a 5 bilhões, um valor que por si só já é um investimento bem alto. Mas além disso, transporta a quantidade de pessoas que poderíamos encontrar em uma pequena cidade e mais uns bilhões de dólares em aviões.

http://www.thepeoplesvoice.org/cgi-bin/blogs/media/us_armada_iraq.jpg


Foto cedida pelo Departamento de Defesa – Centro de Informações de Defesa Visual
Grupo de apoio do Nimitz (o porta-aviões USS Nimitz, o navio de guerra com mísseis teleguiados USS Port Royal e o submarino nuclear USS Annapolis) no Norte do Golfo Pérsico durante a Operação Southern Watch

Em outras palavras, um porta-aviões é extremamente valioso e, sem proteção, é extremamente vulnerável. É por isso que os porta-aviões entram em cena sozinhos. Eles sempre contam com a presença de uma pequena frota de navios. E esse conjunto, formado pelo porta-aviões e pela frota de navios, é conhecido como transporte de tropas um time que é quase invencível.

Neste artigo, vamos aprender sobre esses poderosos grupos de força militar e ver o motivo de terem se tornado tão importantes para as operações navais americanas.

O porta-aviões

Um porta-aviões permite que a marinha americana transporte um aeroporto inteiro, juntamente com 70 a 80 aviões de combate, bombardeiros e aeronaves de apoio, para qualquer lugar do mundo onde haja um oceano, o que dá aos EUA uma incrível flexibilidade, já que não há necessidade de tratados ou permissão de outras nações. Com uma velocidade de aproximadamente 700 milhas náuticas por dia e bases na costa Leste do país e no Havaí, os porta-aviões podem chegar a qualquer lugar do mundo em menos de duas semanas.


Foto cedida pelo Departamento de Defesa – Centro de Informações de Defesa Visual
Esquerda: porta-aviões nuclear USS Enterprise.
Direita: navio de apoio USS Sacramento, fragata USS Reid.

Por serem tão valiosos, poderosos e existirem em número tão pequeno (até 2005, os EUA possuíam 12, com mais 2 em construção [referência]), eles são alvos óbvios para as forças inimigas. Além disso, são enormes e impossíveis de se esconder, ficando vulneráveis a ataques de diferentes ângulos:

  • o inimigo pode atacar pelo mar com barcos equipados com canhões de longo alcance e mísseis de cruzeiro
  • o inimigo pode atacar debaixo da água com submarinos, minas e torpedos
  • o inimigo pode atacar do ar com aviões, bombas e mísseis.

É por tudo isso que o grupo de apoio se responsabiliza pela proteção do porta-aviões no centro do grupo.

O grupo de apoio ao porta-aviões

A marinha americana forma grupos de apoio ao porta-aviões conforme a necessidade e nomeia os navios integrantes de acordo com a missão, o que faz com que cada grupo seja diferente do outro. No entanto, um grupo de apoio, basicamente, consiste nos seguintes navios:

  • o porta-aviões

    Foto cedida pelo Departamento de Defesa – Centro de Informações de Defesa Visual
    Porta-aviões USS Kitty Hawk lançando um míssil ar-ar guiado por radar durante um exercício
  • dois navios de guerra com mísseis teleguiados
    Navios de ataque carregados com mísseis de cruzeiro para atingir alvos em terra.


    Foto cedida pelo Departamento de Defesa – Centro de Informações de Defesa Visual
    Navio de guerra USS Normandy
  • dois destróieres
    Os destróieres são navios que podem se defender contra ataques de submarinos e aviões. Além disso, têm a capacidade de lançar mísseis de cruzeiro.


    Foto cedida pelo Departamento de Defesa – Centro de Informações de Defesa Visual
    O destróier com mísseis teleguiados USS Winston S. Churchill lança um míssil Tomahawk durante a Operação Iraqui Freedom
  • uma fragata
    A fragata é usada para a defesa contra submarinos.


    Foto cedida pelo Departamento de Defesa – Centro de Informações de Defesa Visual
    A fragata com mísseis teleguiados USS Talbot lança um alvo pilotado por controle remoto durante um exercício de treinamento na costa do Chile


    Foto cedida pelo Departamento de Defesa – Centro de Informações de Defesa Visual
    A fragata com mísseis teleguiados USS Kauffman em Creta, na Grécia, durante a Operação Enduring Freedom


    Foto cedida pelo Departamento de Defesa – Centro de Informações de Defesa Visual
    A fragata com mísseis teleguiados USS Klakring rumando para fase do Pacífico do exercício Unitas 43-02 (clique aqui para obter mais informações sobre o exercício Unitas)
  • dois submarinos
    Os submarinos são embarcações de defesa que podem atacar navios e submarinos inimigos.


    Foto cedida pelo Departamento de Defesa – Centro de Informações de Defesa Visual
    Submarino nuclear USS Hartford
  • Um navio de abastecimento
    O navio de abastecimento transporta combustível, alimentos e munição para o grupo.

Também pode haver outros navios viajando com o grupo: navios transportando tropas; embarcações anfíbias para os fuzileiros navais; navios de carga com tanques e outros equipamentos; caça-minas e outros. Tudo depende da missão.


Foto cedida pelo Departamento de Defesa – Centro de Informações de Defesa Visual
Visão aérea do destróier USS MacDonough e do submarino nuclear USS Scamp viajando pelo Canal do Panamá durante um exercício de treinamento

O grupo de apoio em ação

Quando um grupo de apoio chega ao seu destino, as embarcações se posicionam e começam as operações. No geral, há aproximadamente 80 aeronaves disponíveis e até 8 mil homens e mulheres trabalhando em dois objetivos:

  • realizar a missão designada
  • defender o grupo de apoio contra qualquer tipo de ataque inimigo

A operação de defesa ocorre em tempo integral, com os grupos atentos constantemente contra ataques vindos do ar e do mar.

Para realizar a missão, a frota aérea, normalmente transportada por um porta-aviões, consiste em 9 esquadrões, com um total de 70 a 80 aeronaves. Entre elas, as mais notáveis são:

  • F/A-18 Hornet - jato de combate de assento único, projetado para atacar aeronaves inimigas e alvos no solo.

    Foto cedida pelo Departamento de Defesa – Centro de Informações de Defesa Visual
    F/A-18 Hornet
  • F-14 Tomcat - jato de combate de dois assentos, otimizado para ter superioridade aérea (o esquadrão de F-14 de um porta-aviões é uma arma crucial para a proteção do grupo).

    Foto cedida pelo Departamento de Defesa – Centro de Informações de Defesa Visual
    F-14 Tomcat preparando-se para reabastecer


    Foto cedida pelo Departamento de Defesa – Centro de Informações de Defesa Visual
    Equipe da pista de pouso e decolagem do USS Kitty Hawk se prepara para o lançamento de um F-14 Tomcat
  • E-2C Hawkeye - aeronave de alerta e sistema de controle tático (o sistema de radar avançado desta aeronave deixa que todo o esquadrão fique atualizado sobre as atividades inimigas).

    Foto cedida pelo Departamento de Defesa – Centro de Informações de Defesa Visual
    C-2 Greyhound sendo lançado do USS Kitty Hawk
  • S-3B Viking - jato com velocidade inferior à do som, usado principalmente para abater submarinos inimigos.

    Foto cedida pelo Departamento de Defesa – Centro de Informações de Defesa Visual
    S-3B Viking estacionado a bordo do USS Kitty Hawk
  • EA-6B Prowler - avião de combate eletrônico. Sua missão é atrapalhar o funcionamento do radar inimigo e interceptar qualquer tipo de comunicação.

    Foto cedida pelo Departamento de Defesa – Centro de Informações de Defesa Visual
    EA-6B Prowler a bordo do porta-aviões USS John F. Kennedy
  • SH-60 Seahawkhelicóptero bimotor usado principalmente para atacar submarinos inimigos e em operações de busca e resgate.

    Foto cedida pelo Departamento de Defesa – Centro de Informações de Defesa Visual
    SH-60B Seahawk no grupo de apoio do USS Saratoga

Para fornecer uma visão defensiva da área, os destróieres têm potentes sistemas de radar que varrem os céus em busca de aeronaves entrando em seu campo de alcance. Já o E-2C Hawkeye, lançado do porta-aviões, sobrevoa a área e usa seu radar para varrer a área abaixo dele, possibilitando avistar aviões a baixas altitudes e navios se aproximando além do horizonte. E finalmente, os destróieres e as fragatas usam sonares e sensores magnéticos para procurar submarinos se aproximando. O objetivo do uso de todos esses sistemas de vigilância é criar uma área de proteção ao redor do porta-aviões, impedindo que qualquer coisa se aproxime sem aprovação.

Fonte: Uol


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18 Respostas to “Como funciona a esquadra naval norte-americana”

  1. “É por isso que os porta-aviões entram em cena sozinhos. ”

    Acho q esta errado, deviam corrigir para:

    “É por isso que os porta-aviões nao entram em cena sozinhos.”

    podem apagar o comentario

  2. agora estou curioso quanto custaria um porta avioes construido no brasil

  3. Não é um exagero de defesa contra submarinos?

  4. super materia …. parabens !!!!!!!

    Uma frota americana, com o porta-avioes , navios de escolta (fragatas, destróieres, cruzadores, submarinos ) e navioes de apoio ( de carga, combustivel, suprimentos em geral) são um incrivel meio de projeção de poder, que permite aos EUA impor sua vontade e ter presença no mundo inteiro. Creio que pouquissimos paises do mundo tem condições de resistir a uma força de ataque como esta,
    talvez a China e a Russia tenham alguma condição de fazer frente a esta força…… estarei certo ?

  5. jp :
    agora estou curioso quanto custaria um porta avioes construido no brasil

    …Interessante seria a construção de um navio-aerodromo dotado de propulsão nuclear. Se tecnologia para a instalação desse tipo de reator é desenvolvida para um submarino, quem sabe?

    …Há algum tempo li em uma edição da revista ASAS que a marinha argentina planeja a construção de um. Poderiam construir em parceria com o Brasil, talvez também a China, que atualmente busca esse tipo de embarcação. Claro,nucleares…

  6. Observador diria que há outras nações capazes de resistir por bastante tempo, o problema não é a frota em si e sim, as Frotas.
    sds
    E.M.Pinto

  7. Não é exagero não Henrique, e remonta a tática soviética.
    Em um relatório do DOD depto de defesa americano do tempod a Guerra fria, um almirante da USNavy alertou para o perigo de ao se desencadear um conflito com a URSS, seria provável que em 48 h não existiriam mais porta Aviões na superfície do Planeta.
    Isto porque? os SOviéticos apostavam na força submarina e em seus bombardeiros de longo raio para ataque de saturação contra os PA, inutilizando-os em menos de 48 h, apartir daí a força de caçadores subamrinos partiria para aniquilar a frota de superfície.
    Esta é uma das razões para os soviéticos nunca terem tido uma expressiva frota de Porta Aviões, a ponta de lança eram os submarinos que em maior quantidade na altura se constituiam no terror para OTAN, apenas um exemplo, para caçar os submarinos a aliança contava com mais 400 P3 orion, ATlantic e Nimrod, algo como quase 800 Helis antsubmarino.
    A guerra fria passou, mas a doutrina ainda resiste na Rússia e se propaga na China, India entre outros, o Submarino é arma cabal e ameaça mais perigosa excluindo-se as armas de destruição em massa.
    Razão pela qual a Marinha quer 21, dissuasão é pouco para explicar o que esta máquina fundamental para o aparato militar é capáz de fazer.
    A UsNavy sabe exatamente disso…
    SDs
    E.M.Pinto

  8. observador :
    super materia …. parabens !!!!!!!
    Uma frota americana, com o porta-avioes , navios de escolta (fragatas, destróieres, cruzadores, submarinos ) e navioes de apoio ( de carga, combustivel, suprimentos em geral) são um incrivel meio de projeção de poder, que permite aos EUA impor sua vontade e ter presença no mundo inteiro. Creio que pouquissimos paises do mundo tem condições de resistir a uma força de ataque como esta,
    talvez a China e a Russia tenham alguma condição de fazer frente a esta força…… estarei certo ?

    Temos de nos proteger contra essa máquina de destruição, com misseis de logo alcance e mt Nuks…

  9. Diante de uma ameaça mais grave a Russia ainda poderia utilizar suas armas nucleares táticas e com um só golpe aniquilar toda uma esquadra.

  10. A observação do E. M. Pinto é interessante. Com certeza um submarino oferece muito mais perigo, por ser furtivo, e carregar armamentos dos mais letais. Ademais, porta-aviões são estruturas enormes e por isso, seriam alvos relativamente fáceis de serem destruidos e precisam, como vimos nas imagens, de vários navios e submarinos para lhe dar suporte o que deve onerar bastante os custos operacionais. Considero, no caso do Brasil, em vista de tudo isso, muito mais inteligente investir maciçamente em sua frota de submarinos nucleares com sua gama de armamentos e em outros meio navais, para depois se pensar em porta-aviões já que o nosso objetivo principal não é projeção de poder em curto prazo mas sim de proteção de nossa ZEE e poder de dissuasão, coisa que os subs fazem com perfeição e a um custo operacional bem menor.

  11. Um navio aeródromo feito no Brasil deverá custar uns 70% mais caro: 40% se perde no “custo Brasil” e os 30% restantes poderá cair no ralo da corrupção, ou seja, do superfaturamento.

  12. Claudio Queiroz :A observação do E. M. Pinto é interessante. Com certeza um submarino oferece muito mais perigo, por ser furtivo, e carregar armamentos dos mais letais. Ademais, porta-aviões são estruturas enormes e por isso, seriam alvos relativamente fáceis de serem destruidos e precisam, como vimos nas imagens, de vários navios e submarinos para lhe dar suporte o que deve onerar bastante os custos operacionais. Considero, no caso do Brasil, em vista de tudo isso, muito mais inteligente investir maciçamente em sua frota de submarinos nucleares com sua gama de armamentos e em outros meio navais, para depois se pensar em porta-aviões já que o nosso objetivo principal não é projeção de poder em curto prazo mas sim de proteção de nossa ZEE e poder de dissuasão, coisa que os subs fazem com perfeição e a um custo operacional bem menor.

    Investir um submarinos parece uma otima alternativa, mas penso tb nos misseis balisticos anti_navio penso que com este aparato (misseis balisticos anti-navio e submarinos) teriamos alguma capacidade de defesa …… que tal ?

  13. misseis nucleares aniquilar toda uma esquadra?

    testes nucleares sobre embarcações não se mostraram muito eficazes..

    leia a historia dos testes nucleares amigo.

    att.

  14. A verdade é uma só, se a russia lançar um ataque total com topol-m contra os eua, varre o país do mapa. Alias varre o continente americano inteiro em questão de minutos se quiser e de nada vai adiantar ter esses porta aviões, navios, submarinos e bla bla bla (nós aqui só vamos ver o clarão e virar pó sem saber ném de onde veio), essas armas só servem pra invadir paises fracos como afeganistão e iraque.
    Mas vão brigar com a china ou a russia pra ver se esse ferro velho pode fazer alguma coisa.

  15. Caro amigo R_cordeiro,acredito que os russos não perderiam tanto tempo desenvolvendo uma arma que não pudesse ter resultados,a maioria dos mísseis ar-superfície russos tem uma versão nuclear e destinam-se especialmente a atacar grupos de porta aviões.kh22 e kh 55 são um dos exmplos dê uma olhada em:

    http://aircombatcb.blogspot.com/2009/08/tupolev-tu-22-m3-backfire-c-furia.html.

    http://armasvoadoras.blogspot.com/2010/02/raduga-kh-22-nome-codigo-na-otan-as-4.html

    att.

  16. Ja postei algo semelhante tempos atrás….nao adianta ter um porta aviões se nao conseguimos garantir a segurança dele!!!!

    O brasil tem que definir sua doutrina militar antes de comprar o que quer que seja!

    No nosso caso, mais vale desenvolver sistemas baseados em terra do que tentar acompanhar os EUA/OTAN no sistema de intervenção (CVBG- grupo de batalha centrado em porta avioes)…

  17. Observador, concordo com sua posição. Um forte abraço!

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