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Brasileiro cria catalisador reaproveitável para produzir biodiesel

In Ciência, Energia, tecnologia on 20/07/2010 by Lucasu Marcado: , ,

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Pesquisa realizada no Instituto de Química de São Carlos (IQSC), da USP, testou com êxito a utilização de um novo tipo de catalisador para a produção de biodiesel, baseado em compostos ácidos.

O catalisador testado pelo químico Guilherme Tremiliosi pode ser recuperado e reaproveitado em novos processos de produção de biodiesel.

A substância também pode ser adicionada a um maior número de matérias-primas do que o catalisador básico, sem a necessidade de serem tratadas antes da reação.

Material híbrido

O catalisador utilizado é o ácido fosfo-túngstico, sob um suporte de ormosil (abreviação de organically modified silicates, silicatos organicamente modificados), um material híbrido, orgânico e inorgânico.

“Ele foi testado em óleo de soja com alto índice de acidez, que apresenta grandes dificuldades para seu emprego na produção de biodiesel”, ressalta o químico. “O objetivo era obter um rendimento satisfatório na reação entre óleo, etanol e catalisador, que gera o combustível.”

Atualmente, a produção de biodiesel no Brasil utiliza catalisadores básicos e homogêneos, que não podem ser reaproveitados. “O catalisador ácido permite maior versatilidade no uso de matérias-primas, sem necessidade de tratamento prévio, como sobras de óleo de cozinha ou óleos de plantas oleaginosas não comestíveis, como o crambe”, conta o químico.

No experimento, o rendimento obtido chegou a 60% (ou seja, 60% do óleo utilizado se transformou em biodiesel), ainda abaixo do nível mínimo considerado ideal pelas indústrias, que é de 95%. “Além da reação ter sido realizada em laboratório, não houve ajustes nos parâmetros do processo reacional”, observa o químico.

Recuperação do catalisador

Segundo Tremiliosi, o catalisador ácido tem potencial para chegar a 99% de rendimento. “Para chegar a esse nível, serão necessárias novas pesquisas para aprimorar a interação entre o ácido e o ormosil”, avalia. “Ao mesmo tempo, é preciso otimizar os procedimentos envolvidos na reação.”

Ele explica que devido ao fato de o catalisador ácido ser heterogêneo, ele pode ser regenerado. “Por filtração, ele é separado do biodiesel e reaproveitado em novos processos reacionais”, descreve. “O catalisador básico em contato com a água produz sabão, que é muito difícil de ser separado do combustível.”

O catalisador ácido também permite o uso de etanol que não seja totalmente anidro (sem moléculas de água). Tremiliosi afirma que a pesquisa não estimou os custos de produção do catalisador, mas que a possibilidade de reaproveitamento pode gerar uma redução. “Além disso, há a perspectiva de utilização com uma gama maior de matérias-primas”, acrescenta.

De acordo com o pesquisador, as matérias-primas utilizadas no ormosil são produzidas no Brasil, mas não em grande escala. “Caso o catalisador ácido seja utilizado para a produção de biodiesel, existe a possibilidade de adaptar o volume de produção para atender o processo de produção do combustível”, afirma o químico.

Fonte: Inovação Tecnológica



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4 Respostas to “Brasileiro cria catalisador reaproveitável para produzir biodiesel”

  1. Mt bom, parabéns, o BRASIL só tem a ganhar com essas pesquisas, o mundo agradece.

  2. Viu sò, Brasileiro quando quer faz e invento de tudo !!!

    Somente lamento para os que dizem que não temos “massa critica” para absorver as tecnologias, isso demonstra que não somente temos, como podemos inventar também!

    Valeu Pinto por mais uma boa noticia!

  3. Uma sugestão: Pq ñ colocar a materia de ontem publicada em um grande Jornal Carioca sobre a WWF e suas implicações sobre a desmatamento na Amazônia BRASILeira?, Abçs.

  4. O Brasil já é considerado referência mundial na produção de biodiesel sem essa descoberta, agora, com ela, haverá um salto ainda maior no patamar do nosso país na questão da bioenergia. Seremos praticamente imbatíveis nessa área. Fiquei surpreso com essa descoberta. De fato, um dos grandes problemas na produção desse combustível é exatamente a purificação dele, é o que onera mais a sua produção. tanto a separação do glicerol que se forma, quanto a do catalisador básico que termina sendo perdido nesse processo final é a etapa mais difícil, mesmo assim o biodiesel ainda é viável se comparado aos combustíveis fósseis. Um catalisador que não requer nenhuma etapa para sua separação, além de uma simples filtração, vai minimizar ainda mais os custos de produção do já barato biodiesel. Fantástico isso, Parabéns a esses pesquisadores.

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