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Como funcionam os submarinos nucleares

In Curiosidades, Defesa, Naval, Sistemas de Armas, Submarinos, tecnologia on 28/07/2010 by E.M.Pinto Marcado: , , ,

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Sugestão: Gérsio Mutti

Por pelo menos mil anos, dominar os oceanos foi um passo essencial para dominar o mundo. Por séculos, Reino Unido, França, Espanha, Portugal e Holanda travaram guerras em alto-mar em uma competição pelo controle do comércio mundial, pelas rotas de navegação e pela difusão de influência na forma de conquista de novas terras.

As vias marítimas, por centenas de anos e até o século 20, foram dominadas por belonaves pertences ao Império Britânico. A vantagem naval esmagadora dos britânicos fez com que inventores, engenheiros e marinheiros de todo o mundo sonhassem maneiras de se aproximar sorrateiramente dos poderosos navios britânicos, escondidos sob as águas do oceano. Com o tempo, esses sonhos se tornaram realidade na forma dos primeiros projetos de submarinos.

Submarino nuclear
©iStockphoto.com

Um submarino nuclear alemão que participou da Segunda Guerra Mundial

Ainda que os primeiros submarinos não tivessem grandes qualidades náuticas, seus avanços foram notáveis. No começo, um tripulante do submarino de ataque acionava por manivela um tubo de couro e madeira com o qual tentava fixar explosivos a um navio de guerra, com o uso de um parafuso. Quase 200 anos mais tarde, o ser humano tem a capacidade de passar semanas sob a água e de cruzar o planeta com um suprimento quase inesgotável de energia e a capacidade de destruir diversas grandes cidades. A era do submarino nuclear chegou.

Um submarino nuclear é uma máquina impressionante. É difícil projetar uma embarcação que tenha boa qualidade de navegação submarina, que possa lançar mísseis balísticos sob a água e ainda manter as funções vitais de todos os tripulantes. Tudo isso já é incrível, mas é preciso acrescentar um ou dois reatores nucleares ao projeto do barco.

Segunda Guerra Mundial

Os submarinos norte-americanos representavam 2% da marinha dos Estados Unidos, mas foram responsáveis por quase um terço dos navios de guerra japoneses afundados durante a Segunda Guerra Mundial (em inglês) [fonte: Smithsonian (em inglês)].

Neste artigo, aprenderemos sobre a história do submarino nuclear e suas espantosas capacidades. Na próxima seção, veremos por que fixar uma bomba-relógio a um cabo curto na ponta de um submarino experimental nem sempre é a melhor das idéias.


Projetos e desenvolvimentos iniciais do submarino


Leonardo da Vinci desenhou um submarino primitivo por volta de 1515 e, em 1578, William Bourne desenhou o primeiro aparelho submersível. Em 1620, o primeiro submarino funcional foi construído por Cornelius Drebbel e testado no rio Tâmisa (em inglês), onde completou uma jornada de três horas.

Pelo menos 14 projetos diferentes de submarinos haviam sido patenteados até 1727 [fonte: Brittanica (em inglês)]. Os primeiros inicialmente incorporavam estruturas de madeira cobertas de couro embebido em óleo impermeável, com remos que se estendiam do casco para propulsão.

O inventor norte-americano David Bushnell desenvolveu o primeiro submarino militar em 1775, durante a revolução americana (em inglês). O Turtle foi usado em 17 de julho de 1776 para um ataque sorrateiro contra um navio de guerra britânico, com uma bomba fixada ao seu casco. Mas a missão do Turtle fracassou. Projetar um sistema de armas que funcionasse sob a água provou ser uma tarefa difícil por muitos anos.

Os primeiros submarinos eram propelidos por manivelas acionadas a mão, e suas estratégias ofensivas envolviam aproximar-se sorrateiramente de um navio de superfície para fixar explosivos ao casco e escapar antes da explosão. Apesar de parecer fácil, era um processo complicado. Muitos submarinos simplesmente não conseguiam acompanhar os navios de guerra inimigos. E fixar explosivos aos casos também era complicado porque perfurá-los com parafusos era difícil.

Na guerra de 1812 (em inglês), um submarino semelhante ao Turtle havia aperfeiçoado essa última técnica. O aparelho conseguiu fixar um parafuso vertical ao casco de um navio britânico e ligar esse parafuso a um bloco de explosivos por uma corda. Mas a corda se partiu e os explosivos ficaram separados do alvo.

Quando um aparelho conseguia se aproximar de um navio inimigo e fixar explosivos a ele, escapar era a tarefa difícil. A tripulação do H.L. Hunley, submarino usado pela marinha da Confederação na guerra civilhaste para segurar e depois liberar uma carga explosiva e, com ela, conseguiu afundar o USS Housatonic. Mas o H.L. Hunley se tornou vítima da mesma explosão e toda sua tripulação morreu, em 17 de fevereiro de 1864. (em inglês) dos Estados Unidos, resolveu esse problema. O H.L. Hunley empregava uma longa

H.L. Hunley
Na verdade, o H.L. Hunley foi o terceiro submarino feito nos EUA, depois de outros dois que afundaram sem causar perdas de vidas. Antes de afundar o navio da União (e a si mesmo), o H.L. Hunley havia afundado diversas outras vezes, causando a morte de muitos tripulantes, entre os quais Horace L. Hunley, investidor e projetista do submarino confederado, cujo nome foi dado à embarcação.

Na próxima página, leia sobre outros desenvolvimentos no projeto de submarinos que emergiram no século 19.


Desenvolvimento do submarino no século 19


Projetos para um submarino propelido a bateria e para um motor a diesel surgiram nos anos posteriores à guerra civil (em inglês) dos Estados Unidos. Em 1867, um passo importante foi dado com o lançamento do primeiro submarino movido a vapor do mundo, o Ictineo II, criado por Narcis Monturiol, da EspanhaHolian (em inglês)]. Isso merece ser mencionado porque os submarinos nucleares são essencialmente movidos a vapor (em inglês). E como descobriremos adiante, a principal diferença é que, nos submarinos nucleares, o vapor é criado pelo superaquecimento de água com o uso de fissão nuclear. Em contraste, nos motores a vapor convencionais, o aquecimento é gerado pela queima de carvão. [fonte:

Antes da Primeira Guerra Mundial (em inglês), os Estados Unidos concentravam sua frota de submarinos na defesa costeira do país. O trabalho básico para corrida armamentista submarina foi desenvolvido na virada do século 20, quando muitos dos recursos dos futuros submarinos já estavam em uso. Os engenheiros continuaram a alterar o desenho das hélices, desenvolveram novos sistemas para usar água como lastro e deram alguns passos na direção do desenvolvimento de submarinos híbridos diesel-elétricos, que são acionados por um motor diesel quando navegam na superfície e por motores elétricos quando mergulham. A combinação permite economizar oxigênio precioso nos períodos submersos e ajuda a manter a integridade do ar no interior do submarino.

Submarine time line

Os Estados Unidos perceberam que o projeto de seus submarinos não se comparava favoravelmente ao dos demais combatentes da Primeira Guerra Mundial. Nas décadas entre as guerras, os EUA investiram em pesquisa e desenvolvimento e melhoraram muito a qualidade de sua frota submarina. Uma das melhoras mais importantes nos submarinos dos EUA foi o ganho de velocidade que lhes permitia acompanhar e proteger frotas de superfície em seus percursos mundiais. A frota de submarinos de longo alcance dos EUA causaria muita destruição à frota japonesa no teatro de guerra do Pacífico.

Depois da Segunda Guerra Mundial (em inglês), tanto os EUA quanto a União Soviética estudaram o projeto dos U-Boats nazistas, tecnicamente superiores, e alteraram seus submarinos de modo a imitá-los. Os U-Boats tinham cascos com boa hidrodinâmica, o que os fazia operar em velocidades superiores à dos barcos dos EUA e da URSS. Também usavam um snorkel, que consistia basicamente em dois tubos que conectavam o submarino sob a água à superfície. Isso permitia que o barco navegasse submerso mesmo usando o motor a diesel.

No período do pós-guerra, submarinos diesel-elétricos mais eficientes e hidrodinâmicos surgiram. Devido ao seu custo baixo de construção e ao silêncio que permite boa tocaia, há variantes de submarinos diesel-elétricos ainda em uso nas marinhas mundiais.

Mas a marinha dos EUA estava com uma idéia mais audaciosa, que mudaria para sempre a estratégia e a tática navais. Você aprenderá sobre elas na próxima seção.


Operação Frigate Bird



Em 6 de maio de 1962, a marinha dos EUA conduziu seu primeiro e único teste completo – do lançamento à explosão – de mísseis balísticos lançados por submarino. O Polaris A-1 foi lançado de uma posição perto da costa havaiana, contra um alvo no mar aberto, perto da ilha Christmas. A explosão foi observada pelos periscópios de dois submarinos diesel-elétricos norte-americanos estacionados perto do alvo.

O primeiro submarino nuclear


Os Estados Unidos desenvolveram o primeiro submarino nuclear do mundo, o Nautilus. A primeira jornada sob propulsão nuclear aconteceu em 21 de janeiro de 1954. Em contraste com os submarinos diesel-elétricos que o haviam precedido (e ainda continuam em serviço em todo o mundo hoje), o Nautilus tinha alcance praticamente ilimitado. Além disso, podia se manter submerso por muito tempo, já que não precisava emergir para recarregar suas baterias elétricas. E enquanto maioria dos submarinos eram concebidos para navegar primordialmente na superfície e mergulhar ocasionalmente, o Nautilus foi criado para viajar submerso e só emergir ocasionalmente.

O incrível alcance e a manobrabilidade dos submarinos nucleares alteraram de maneira radical a estratégia e a tática navais. Anteriormente, os submarinos eram armas de defesa costeira, mas essa nova variante podia cruzar o planeta – e o fez. Poucos anos depois de entrar em operação, o Nautilus se tornou o primeiro submarino a viajar sob o gelo do Ártico, atingindo o Pólo Norte em 3 de agosto de 1958. Depois de chegar lá, o Nautilus retornou ao estaleiro para uma reforma e teve seu reator substituído. Depois, foi designado para a Sexta Frota, nos anos 60. Em 1966, tecnologias mais avançadas haviam sido desenvolvidas e o Nautilus foi relegado a funções de treinamento.

A capacidade de percorrer o planeta sem que fosse detectado significava que navios militares e de carga inimigos estariam expostos a ataque por submarino a qualquer momento e em quase qualquer lugar dos oceanos da Terra. Com o tempo, os submarinos passaram a ser armados com mísseis dotados de ogivas nucleares. Alguns anos depois do Nautilus, a União Soviética, ameaçada, desenvolveu o seu submarino nuclear.

O desenvolvimento dos submarinos nucleares seguiu rota semelhante em ambas as nações – primeiro, foram desenvolvidos submarinos acionados por reatores nucleares, mas ainda não dotados de armamento nuclear. Depois, surgiram submarinos acionados por reatores e dotados de armas nucleares balísticas.

A URSS não colocou seu primeiro submarino nuclear em operação até 1958, e só promoveu sua primeira travessia até o Pólo Norte em 1962. O desenvolvimento de um submarino nuclear, da prancheta ao comissionamento, custou cinco anos de trabalho aos soviéticos. Os primeiros submarinos nucleares da URSS, como o K-19 (apelidado de “Fazedor de Viúvas”), apresentaram muitos defeitos e registraram diversos acidentes fatais. A União Soviética lançou seu primeiro submarino nuclear equipado com mísseis balísticos em 1960, no mesmo ano em que os EUA. Ao longo da Guerra Fria, a União Soviética continuou a produzir (e ainda o faz) submarinos diesel-elétricos armados de ogivas nucleares.

A seguir, descobriremos como EUA e URSS colocaram seus submarinos nucleares em uso durante a Guerra Fria.

Eliminando o lixo nuclear

No começo, reatores nucleares eram despejados no oceano, quando não podiam mais ser usados. Agora, eles têm seu combustível nuclear removido em portos específicos. O combustível nuclear gasto é retirado do revestimento do reator, o que elimina a maior parte da radioatividade. Depois, as carcaças de reatores são enterradas em um depósito de lixo atômico. Os cascos dos navios podem ser reciclados, desmontados ou afundados.


Os submarinos nucleares na Guerra Fria


Os submarinos nucleares surgiram como resultado de avanços tecnológicos, mas o uso que receberam depois de sua criação se deve à Guerra Fria.

Na época do Projeto Manhattan (antes que a Guerra Fria tivesse realmente começado), havia certo debate sobre a possibilidade de se usar energia nuclear para propelir submarinos. A idéia de armar submarinos com mísseis nucleares não surgiu antes de 1960 com o lançamento do submarino da classe George Washington. Quando a energia nuclear foi concebida como fonte de energia para submarinos, isso causou espanto. Mas quando as marinhas ganharam a capacidade de lançar uma ogiva nuclear de um submarino atômico, o mundo havia chegado ao que talvez possa ser definido como o mais poderoso sistema de armas de todos os tempos – em termos de força e mobilidade.

Durante a Guerra Fria, a marinha dos EUA desenvolveu dois tipos diferentes de submarinos capazes de lançar mísseis nucleares contra outras nações: o submarino lançador de mísseis balísticos, conhecido como SSBN ou “boomer”, e o submarino de ataque, ou SSN, também conhecido como “barco de ataque rápido”. Os SSBN são maiores, com 170 metros de comprimento, enquanto os SSN são construídos para enfatizar velocidade e baixo perfil, e apresentam comprimento de 110 metros.

Os submarinos nucleares desempenhavam três funções básicas durante a Guerra Fria: patrulhas de dissuasão estratégica, caça a outros submarinos e operações especiais.

  • Patrulhas de dissuasão estratégica – os SSBN ou “boomers” desempenhavam papel importante na postura nuclear estratégica dos Estados Unidos. A presença de mísseis nucleares em posições e profundidades sempre mutáveis faz desses navios uma forma de dissuasão nuclear quase insuperável. Isso ajudou a manter o equilíbrio militar da Guerra Fria, sob a doutrina da destruição mútua assegurada, porque era simplesmente impossível a qualquer dos inimigos neutralizar todos os ativos nucleares aéreos, terrestres e submarinos do oponente.
  • Submarinos de caça – a força dos submarinos da marinha estava equipada para rastrear, perseguir e – se necessário – destruir submarinos inimigos. Para fazê-lo, a marinha equipou seus SSN (de ataque rápido) com minas anti-submarino e torpedos. Essa categoria  representava (e ainda representa) a maior parte da frota de submarinos.
  • Operações especiais – o alcance e a velocidade incríveis dos submarinos nucleares os tornam candidatos preferenciais ao transporte de tropas de operações especiais como as equipes SEAL da marinha em suas incursões a territórios inimigos. Os submarinos também são ideais para espionar clandestinamente testes de mísseis, manobras de frotas, jogos de guerra navais e atividades costeiras estrangeiras. Nos últimos anos, a marinha dos EUA adotou uma nova classe de submarinos, os submarinos lançadores de mísseis guiados (SSGN), armados com mísseis de cruzeiro e configurados para atender às necessidades das forças norte-americanas de operações especiais. Como a marinha precisa freqüentemente tomar parte de jogos de guerra e outros exercícios navais, os submarinos nucleares oferecem postos de vigia perfeitos. Além disso, qualquer movimento suspeito de material ou pessoal de/para os portos de outra nação pode ser detectado por um submarino nuclear.

Pelo menos seis países já operam submarinos nucleares: EUA, Rússia, Índia, França, China e Reino Unido. Outros países, como Brasil e Paquistão, estão interessados em tentar ativamente o desenvolvimento (ou aquisição) de capacidades de operação de submarinos nucleares. Marinhas nucleares ofereceriam certo prestígio a esses países, bem como capacidades ofensivas e defensivas reforçadas. À medida que mais nações procuram adquirir esse tipo de tecnologia, as marinhas precisam decidir como reconfigurar suas frotas. Para saber mais a respeito, leia Ainda precisamos de submarinos nucleares? (em inglês).

Na seção seguinte, aprenderemos sobre as diferentes partes e seções de um submarino nuclear.

As partes de um submarino nuclear


Veja a seguir algumas das partes básicas de um submarino nuclear.

  • Um submarino dispõe de um casco interno, que protege a tripulação contra a pressão da águacasco externo, que propicia forma hidrodinâmica ao submarino. Os cascos dos submarinos nucleares são feitos de HY-80, uma liga metálica de níquel, molibdênio e cromo que protege o submarino contra as incríveis pressões que as grandes profundidades exercem sobre ele. que comprime a embarcação, e um

  • A torre é a parte que se ergue do corpo principal do submarino. Ela consiste em diversos componentes, tais como planos de mergulho horizontais, mastros de radar, antenas de comunicação e periscópios.
  • Os tanques de lastro ficam entre os dois casos e ajudam a controlar a profundidade do submarino ao receber ou expelir água. Os tanques de compensação – localizados nas porções frontais e traseiras do submarino – também podem receber e expelir água a fim de manter o peso distribuído de forma equilibrada.
  • O leme fica alinhado verticalmente e, ao movê-lo, o navio muda de rumo lateralmente. Os planos de popa são alinhados horizontalmente, de modo que movê-los fará com que o submarino mude de direção na vertical.
  • A hélice é acionada pela turbina a vapor e geradores. O vapor é criado pelo reator nuclear.
  • Um reator nuclear é essencialmente um motor a vapor e normalmente fica na seção traseira do submarino. O reator fica protegido por uma espessa carapaça metálica que pesa cerca de 100 toneladas. Uma liga metálica especial no interior desse revestimento oferece ainda mais proteção às hastes de combustível radiativo.
Energia nuclear básica

Dentro do reator nuclear, um nêutron é usado para dividir um átomo de urânio, produzindo energia na forma de radiação gama e calor. Um duto de água posicionado em torno do reator contém água em circulação, que se superaquece ao passar por ele. A água está sob pressão extremamente alta, o que a impede de ferver. Dentro de um sistema separado de encanamento, a água é dirigida a uma fonte secundária de água, que ela aquece em forma de vapor. O vapor é transferido à turbina que gera energia no submarino. O vapor volta a ser condensado em tubos especiais de refrigeração e a água resultante retorna ao gerador de vapor, onde é aquecida de novo, e o processo se repete. O método não requer oxigênio, de modo que o submarino não precisa portar suprimento de ar específico para isso, ou renová-lo subindo à superfície.
  • A esfera do sonar se localiza no nariz (ou frente) do submarino. O sonar ajuda o submarino a detectar outros objetos na água. Funciona pela emissão de uma onda sonora. Caso ela colida com um objeto, parte do som é rebatida na direção do submarino.
  • O equipamento de controle atmosférico descontamina o ar que a tripulação respira, removendo o dióxido de carbono e outras impurezas.
  • A usina de destilação purifica água salgada para o propulsor e para consumo humano.
  • O centro de ataque/sala de controle é o centro nervoso do submarino. Contém os controles operacionais de todos os sistemas: de navegação, sonar, comunicação e armas do submarino. De lá são dirigidas as atividades do submarino.
  • A sala de torpedos é onde todos os torpedos ficam armazenados e onde eles são colocados nos tubos de torpedos no momento do lançamento.
A tripulação do submarino fica alojada e se alimenta em aposentos pequenos e eficientes conhecidos como convés de alimentação e acomodação. Normalmente, essa área fica no nível médio do compartimento frontal de um submarino.

O armamento de um submarino nuclear


À medida que avançavam os meios de propulsão de um submarino, avançavam também os seus armamentos. Durante a Primeira Guerra Mundial (em inglês), os submarinos estavam equipados com canhões em seus conveses, o que lhes permitia atacar navios comerciais ou militares na superfície. Embora submarinos tivessem táticas para enfrentar outros submarinos e mísseis antinavios tenham sido utilizados, a Segunda Guerra Mundial (em inglês) marcou a primeira ocasião em que um submarino britânico afundou um submarino rival, nazista, com o uso de um torpedo. Não foi a primeira ocasião em que um submarino afundou embarcação semelhante: durante a Primeira Guerra Mundial, os britânicos afundaram 17 submarinos alemães. A marinha britânica aperfeiçoou ainda mais sua capacidade de ataque contra submarinos inimigos por meio de submarinos velozes armados com múltiplos torpedos e os primeiros modelos de sonar.

Em 1866, o primeiro torpedo com propulsão a hélice foi inventado [fonte: Brittanica (em inglês)]. Os torpedos modernos tem cerca de 2,7 metros de comprimento, comportam 45 kg de explosivos e podem viajar a 40 nós pela água em direção a seus alvos. As minas modernas contêm até 225 kg de explosivos, detonados quando seus sensores detectam certos indicadores magnéticos, sísmicos ou de pressão.

No passado armados principalmente de mísseis anti-submarino bem como de mísseis de médio alcance contra navios ou outros submarinos, os SSN de ataque rápido dispõem agora de mísseis de cruzeiroTomahawk capazes de atacar alvos distantes em terra com extrema precisão. Os Tomahawk também podem ser lançados em qualquer condição climática. Eles podem conduzir uma ogiva nuclear ou ogiva de 454 kg, com explosivos convencionais ou com múltiplos projéteis (pequenas esferas explosivas liberadas no ar para maximizar as baixas causadas pela explosão). Os mísseis de cruzeiro foram projetados para voar em alta velocidade e baixa altitude, e podem seguir rotas escolhidas por suas qualidades de evasão ou dificuldade de detecção.

Nos anos 60, os SSBN eram inicialmente armados com mísseis balísticos nucleares Polaris. O desenvolvimento dos mísseis levou quatro anos e eles foram projetados para ejeção de um tubo de lançamento pela pressão de um gás. Isso prevenia danos ao submarino com o lançamento do míssil. Assim que se afastava do submarino, o motor-foguete do Polaris entrava em ação. Mesmo não sendo extremamente preciso, o Polaris permitia que a marinha dos EUA lançasse um ataque com mísseis nucleares de uma posição submarina oculta, de praticamente qualquer ponto dos oceanos da Terra. O Polaris passou por três versões diferentes e foi substituído pelo Poseidon, em 1972. O míssil Poseidonmísseis classe Trident era mais preciso e tinha maior alcance. Em 1979, a marinha lançou os primeiros de seus submarinos, com o Trident I (C-4). Os mísseis Trident tinham alcance de 7,4 mil quilômetros e podiam transportar múltiplas ogivas, direcionáveis a alvos diferentes. Contavam com um componente aerodinâmico que se projetava do cone de nariz (a porção frontal, superior, do míssil – sua ponta) para melhorar a forma aerodinâmica depois do lançamento.

O sistema de armas atualmente utilizado na maioria dos submarinos nucleares norte-americanos é o Trident II (D-5). Tem 13 metros de comprimento, pesa 59 toneladas e é capaz de carregar pesos muito maiores do que qualquer um de seus predecessores. Cada míssil Trident II custa cerca de US$ 30 milhões [fonte: marinha dos EUA (em inglês)].

Em décadas passadas, a marinha equipou alguns de seus submarinos com cargas de profundidade nucleares conhecidas como Subrocs, sistema que esteve em operação de 1965 a 1992. Os Subrocs eram lançados por um foguete, voavam por até 56 km e depois reentravam na água conduzindo uma ogiva nuclear de cinco quilotons. É notável que os submarinos nucleares fossem não só acionados por energia nuclear e armados com armas nucleares, mas além disso pudessem também travar combate nuclear contra outros submarinos.

A vida em um submarino nuclear


A vida a bordo de um submarino nuclear não é para qualquer um – um marinheiro precisa passar por uma bateria de testes para determinar suas capacidades físicas e mentais, bem como seu bem-estar psicológico e emocional.

Depois de passar por esses testes de admissão, o marinheiro recebe treinamento formal por cerca de dois meses. Aprende sobre a história dos submarinos, as diferentes classes e tipos de submarino, detalhes de engenharia e de armamentos, medidas de controle de danos (como o combate a incêndios) e a dinâmica da tripulação a bordo da embarcação.

As missões em um submarino podem ter duração variada dependendo do tipo de submarino envolvido. Os tripulantes são designados para um barco por um período de três anos. Em um submarino de mísseis balísticos, há duas tripulações completas que operam em rotação, permitindo ­que a embarcação passe o maior tempo possível no mar. Cada tripulação pode servir entre 60 e 80 dias antes de voltar à terra. O cronograma se aplica aos três anos de serviço em submarino, e permite que os tripulantes e suas famílias planejem suas vidas com antecedência.

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Submarino nuclear
©iStockphoto.com/Adrian Beesleu

Já as tripulações dos submarinos de ataque têm missões menos predefinidas. Uma missão de vigilância pode durar de algumas semanas a alguns seis meses. Hoje, os marinheiros podem usar o e-mail (com algumas restrições), mas antes não tinham como se comunicar do submarino com o mundo exterior.

Um novo tripulante é chamado pelos veteranos de “novato”. Os marinheiros experientes conhecem completamente o submarino e se tornaram tripulantes qualificados, o que lhes dá o direito de usar a insígnia do golfinho. A insígnia é um símbolo de responsabilidade, irmandade e honra. Um marinheiro que já tenha a insígnia pode optar por relaxar ou ler quando fora de serviço, mas um novato precisa estudar todos os sistemas do submarino e passar em um teste sobre cada um desses sistemas. Ainda que um operador de torpedos ou oficial administrativo não precisem saber sobre o reator nuclear ou os sistemas de navegação, ambos são treinados para compreender o sistema, suas salvaguardas e os procedimentos de emergência. Depois de passar por testes sobre todos os sistemas do submarino, sob a supervisão de um tripulante qualificado, o novato recebe sua insígnia em uma cerimônia especial.

Mas decoreba não basta para conquistar a insígnia. A tripulação treina constantemente para enfrentar diversos acidentes, como incêndios ou inundações. Além de manter a tripulação pronta para qualquer emergência, os treinamentos também ajudam os tripulantes a matar o tempo. O “dia” do submarino tem 18 horas, divididos em três turnos de seis horas. Um tripulante faz seu trabalho durante seis horas, portanto, e dedica as outras 12 a ler, treinar ou cuidar de equipamentos.

Os marinheiros geralmente dormem em camas verticais triplas. O espaço é escasso em um submarino e cada tripulante tem direito a muito pouco. Alguns podem ter de dividir leitos, ou seja, dormir no leito deixado há pouco por um marinheiro que agora está de serviço. A privacidade é protegida apenas por uma cortina e cada tripulante dispõe apenas de um pequeno armário para guardar seus pertences.

Além das muitas salvaguardas em vigor nas posições de ogivas nucleares e no reator, os tripulantes também são monitorados em busca de exposição à radiação ou sinais de doença.

Até o momento, mulheres não servem a bordo dos submarinos nucleares dos Estados Unidos. Há dois motivos: primeiro, a falta de privacidade; e o segundo a necessidade de reconfigurar os submarinos para permitir coabitação entre os sexos, o que exigiria tempo, dinheiro e ocuparia espaço reservado a outras funções.

Leia adiante para aprender sobre outros usos de embarcações nucleares.


Outros usos para os submarinos nucleares


O alcance incrível do submarino nuclear o ­torna ideal para exploração. Um submarino nuclear chegou ao Pólo Norte já em 1958, o que foi possível porque ele navegou sob as calotas polares e emergiu rompendo o gelo. Antes disso, a exploração de regiões polares era muito difícil. Pessoal e materiais tinham de ser transportados por terra em um ambiente frio e hostil. Estações de pesquisas precisavam ser erguidas, mantidas e reabastecidas.

Mesmo hoje, o clima complicado limita o acesso terrestre à área em determinados períodos do ano (além das temperaturas gélidas, o “inverno” consiste em seis meses de escuridão ininterrupta). Agora, uma equipe de pesquisa pode viajar em relativo conforto e emergir diretamente no meio da calota polar. O submarino nuclear é uma unidade de sobrevivência autônoma, capaz de fornecer apoio direto a uma equipe científica em missão de curto prazo.

O alcance ilimitado de um submarino nuclear permite que pesquisadores obtenham amostras de partes diferente dos mares abertos nos pólos da Terra, em vez de ficarem confinados a estudos próximos da costa. Usando sonar e outros recursos, os oceanógrafos conseguiram pesquisar e mapear o piso oceânico no Pólo Sul e no Pólo Norte.

Ainda que as pesquisas da marinha norte-americana estejam quase todas vinculadas a funções militares, elas abriram caminho para que futuros pesquisadores ganhassem acesso a essas áreas remotas a fim de estudar a vida aquática, procurar elementos medicinais e analisar o ar e a forma das calotas polares em busca de danos ambientais.

Electric Boat Company

A Electric Boat Company, criada em 1900 para fornecer projetos à marinha dos EUA para seu primeiro submarino militar funcional, também ajudou a construir o primeiro submarino nuclear do mundo, em 1952. E continua a construir submarinos para o governo até hoje.

Em 1969, a marinha desenvolveu o NR-1, um submersível de pesquisa de 42 metros, alimentado por um reator nuclear do tamanho de um refrigerador. Criado para recuperar submarinos naufragados a grande profundidade, o NR-1 permitia que tripulações de sete pesquisadores conduzissem estudos e obtivessem amostras a até 800 metros de profundidade. Excetuada a necessidade de reabastecer suas provisões, o NR-1 pode permanecer por prazo indefinido em estado de submersão controlada e em grande profundidade.

Em uma pesquisa nas águas escandinavas, o NR-1 localizou os restos de 26 navios em 12 horas. Também foi usado para localizar destroços de caças a jato e até do ônibus espacial Challenger.

As modernas embarcações nucleares podem atingir grandes profundidades, e permitem que os cientistas estudam as criaturas do mar profundo e as fendas termais no piso do oceano.

Leia adiante para mais informações sobre submarinos nucleares.


Um avião nuclear?

Enquanto a marinha navegava pelo Pólo Norte com o seu Nautilus nuclear, a força aérea também abrigava ambições nucleares. Um avião nuclear poderia ficar no ar por período quase indefinido, sem precisar de reabastecimento e eliminando preocupações quanto a alcance, combustível e duração de vôo. A força aérea investiu US$ 7 bilhões em um período de 15 anos (1946-1961), na tentativa de desenvolver um avião desse tipo. Um bombardeiro B-36 modificado fez 47 vôos com um reator nuclear operacional a bordo, sobre o sudoeste dos Estados Unidos, mas o reator jamais foi usado como fonte de força para o aparelho [fonte: Schwartz (em inglês)]. Os avanços nas capacidades de vôo de aviões não nucleares e preocupações de segurança levaram a força aérea a abandonar o programa [fonte: Colon (em inglês)].

Fonte: HSW.UOL
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14 Respostas to “Como funcionam os submarinos nucleares”

  1. Parabéns pela materia…

  2. Sensacional esse artigo! Digo que está, de longe, muito mais completo que outros que eu tenha lido pela Internet!

    Parabéns ao autor e ao blog!!!

  3. Muito bom…

  4. Excelente artigo, uma verdadeira aula. Parabéns.

  5. Obrigados senhores, A sugestão é do Gérsio e o artigo do HSW.UOL.
    sds
    E.M.Pinto

  6. Parabéns, belíssima matéria.

    []’s

  7. Parabéns , boa matéria ; o q me leva a pensar no futuros SubNucs Brasucas, uns 10 p tão grande costa maritima…

  8. “Em 1969, a marinha desenvolveu o NR-1, um submersível de pesquisa de 42 metros, alimentado por um reator nuclear do tamanho de um refrigerador.”

    É por isso que os americanos não se interessam por AIP.

    Abraços.

  9. eu achei fraquinha a matéria.. relatou a história (origem) dos sub do que .. como funcionam… tipos de reatores …as tecnologias atuais.. a automação… armas… ‘assinaturas’ que geram…porque um diesel-elétrico e mais difícil de localizar que um nuclear… e por ai vai… precisa de mais pesquisa/conteúdo…

    valeu pela iniciativa… ;)

  10. É bom dizer ao mundo e aos americanos, que sim, nós podemos…

  11. é preciso ficar de olho nos americanos. é só fazer o que eles fazem com os outros, “sábe a vélha máximo da mão dupla “? poi é,infelizmente tem que ser assim!!! Nós Brasileiros somos corajosos e tenáz.

  12. Temos capacidade de desenvolver nossas armas, nossos equipamentos e até as nossas centrifugas nucleáres, e deixem que os idiótas fiquem se batendo. futuramente seremos sim uma potência mundial,” porque sim nós podemos. “

  13. Eu peço aos nossos ilústres políticos, que se quizer-mos ser uma grande nação, de grande poder militar e grandes influências políticas mundiais, eles (os politicos) tem que deixar de roubar o nosso povo, e investir pesado, na educação de nossas crianças; Aí sim seremos respeitados em todos os bons sentidos…

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