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Críticos ‘veem Brasil com olhos pequenos’, afirma Amorim

In Geopolítica, Opinião on 29/07/2010 by E.M.Pinto

https://i1.wp.com/4.bp.blogspot.com/_7DcKfOpQY94/SI9-Q0YvXGI/AAAAAAAAAGA/wJJvrRD_aFA/s1600/olho_grande_lupa.jpgGuila Flint

De Tel Aviv para a BBC Brasil

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que os críticos da política externa brasileira veem o Brasil com “olhos pequenos” e “não conseguem compreender” que o país passou a ter “grandeza” no cenário internacional e, em consequência, está sendo chamado a desempenhar um papel ativo nas questões mundiais.

Em seu último dia de visita a Israel, o chanceler concedeu uma entrevista exclusiva à BBC Brasil na qual fez um balanço de seus oito anos de trabalho à frente do Itamaraty e rebateu diversas críticas à política externa brasileira.

Amorim também analisou o papel do Brasil no Oriente Médio e na América Latina e falou sobre sua visão do futuro da posição brasileira no cenário mundial.

O ministro dividiu os críticos à política externa brasileira em dois grupos principais – as grandes potências, que segundo ele, querem manter o monopólio do poder, e críticos dentro do país que não compreendem que “o Brasil é um país grande”.

“Os críticos de fora do Brasil também não querem a participação (em questões da paz e segurança mundiais) da Índia, da África do Sul ou da Turquia, pois querem preservar o monopólio do poder que têm”, afirmou.

“Já no Brasil (os críticos) são pessoas que não conseguem compreender que – sem nenhuma megalomania, sem nenhum exagero – o Brasil tem um tamanho e uma grandeza no cenário internacional.”


Política externa não é uma coisa que se faz com um horizonte de um ou dois mandatos, mas nós iniciamos um processo e temos hoje uma relação de intimidade e de conhecimento dos problemas que não sonhávamos ter dez anos atrás.


Celso Amorim

Venezuela x Colômbia

Amorim rejeitou as críticas de que a participação crescente do Brasil nas questões mundiais, especialmente no Oriente Médio, se dá em detrimento dos esforços do país para ajudar a resolver os problemas da América Latina.

“Na questão da crise entre a Venezuela e a Colômbia, a primeira coisa que o presidente Lula fez foi telefonar para o presidente Chávez, e também entramos em contato com os ministros colombianos. Uma coisa não interfere na outra, pelo contrário, o prestígio internacional do Brasil nos ajuda também a trabalhar na região”, disse.

O ministro disse que a América do Sul tem mecanismos para resolver crises como a que está ocorrendo entre a Venezuela e a Colômbia e lembrou que na próxima quinta-feira, dia 29, os ministros da Unasul vão se reunir para discutir a questão.

“A tarefa imediata é administrar a situação até a chegada do novo governo colombiano e então procurar uma solução mais permanente.”

Oriente Médio

Amorim disse que os esforços que o Brasil dedicou, durante os últimos oito anos, às questões do Oriente Médio “valeram a pena”.

“Política externa não é uma coisa que se faz com um horizonte de um ou dois mandatos, mas nós iniciamos um processo e temos hoje uma relação de intimidade e de conhecimento dos problemas que não sonhávamos ter dez anos atrás.”

O chanceler disse que, cada vez que vai ao Oriente Médio, sente que há “um interesse na participação do Brasil, sinto isso da parte dos palestinos, dos israelenses e dos iranianos, e de outros – egípcios, sírios….”

“Vale a pena o esforço, porque aqui (no Oriente Médio) estão concentrados os problemas principais da paz mundial, e o Brasil é um grande país e todos nós temos que pagar um preço pela manutenção da paz. “

“A paz é como a liberdade, é como ar, você só sente como ela é importante quando ela não existe”, disse Amorim.

E completou: “Os países que querem ter uma participação têm que pagar algo por isso e é melhor que seja em diplomacia do que em outras formas”.

Irã

O ministro afirmou que o Brasil vai respeitar as sanções do Conselho de Segurança da ONU contra o Irã, embora tenha se oposto a elas, “pois respeita a lei internacional”.

No entanto, segundo Amorim, o Brasil não tem obrigação de se alinhar a favor das sanções unilaterais decretadas pelos países europeus ou pelos Estados Unidos.

“Continuamos achando que o melhor caminho para resolver a questão do projeto nuclear iraniano é por meio do diálogo e não do isolamento”.

O ministro afirmou que se houver uma guerra com o Irã as consequências poderão ser “absolutamente trágicas”.

“Mas prefiro apostar na paz e temos que continuar trabalhando para evitar que isso aconteça”, disse.

Eleições


A maior resistência em relação à participação do Brasil e de outros países em desenvolvimento é na parte de paz e segurança, pois os cinco membros do Conselho de Segurança são também potências nucleares que querem barganhar entre elas as condições da paz no mundo. Mas isso vai mudar, porque o mundo não pode continuar tendo, no seu processo decisório, os mesmos paises de 1945.


Celso Amorim

Diante da aproximação das eleições no Brasil, Amorim afirmou que considera que mesmo na ausência do presidente Lula, o papel do Brasil no cenário internacional continuará crescendo.

“Pelé só teve um, mas o Brasil continuou a ser campeão mundial”, comparou Amorim.

De acordo com a avaliação do ministro, daqui a dez anos ninguém terá duvidas sobre o papel importante e central do Brasil nas relações internacionais, inclusive nas questões da paz e segurança mundiais.

“O Brasil já tem um papel importante nas questões financeiras, nas relações comerciais e na questão do clima. A maior resistência em relação à participação do Brasil e de outros países em desenvolvimento é na parte de paz e segurança, pois os cinco membros do Conselho de Segurança são também potências nucleares que querem barganhar entre elas as condições da paz no mundo”.

“Mas isso vai mudar, porque o mundo não pode continuar tendo, no seu processo decisório, os mesmos paises de 1945.”

“Esses oito anos em que servi no Ministério foram muito privilegiados pois foram um momento de transformação do mundo e do Brasil”, resumiu.

Sobre seus planos futuros, Amorim disse que no momento tem dois convites, “um é real, que é do reitor da Universidade do Rio de Janeiro, para ajudar na universidade, e o outro… eu gostaria de crer que tenho um convite… que é dos meus netos, para passar mais tempo com eles”.

Fonte: BBC Brasil

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12 Respostas to “Críticos ‘veem Brasil com olhos pequenos’, afirma Amorim”

  1. Que o BRASIL está entrando em uma nova étapa, td bem, só q ñ temos uma muscúlatura militar profissional e razoávelmente boa p fazer frente e ratificar uma posição por nós assumida…cadé a solução da novela FX 2?Esse é um dos exemplo, nem caças nossa FAB tem; satélite geoestacionário…é por aê vai..

  2. DEVEM SER OS OUTROS A NOS ELOGIAR E NÃO NÓS PRÓPRIOS A FAZÊ-LO. ABRA OS OLHOS SR. MINISTRO, SEJAM ELES PEQUENOS OU GRANDES. SEJA HUMILDE.

  3. Calma Carlos… Não tínhamos nada há 10 anos e hoje já estamos comprando helicópteros, submarinos, navios, caças, planejando satélite geoestacionário, sistemas de defesa das amazônias verde e azul…

    Ainda vai levar 10 anos, pelo menos, para começarmos a ver os frutos das sementes que plantamos nos últimos anos e que continuaremos a plantar ao longo dessa década…

    O Brasil de 2020 será outro, muito mais forte, mais respeitado e mais influente internacionalmente. Precisamos sim de Defesa com “D” maiúsculo, mas precisamos também atacar em quatro novas frentes: infra-estrutura, educação, saúde, geração de emprego e renda e segurança pública.

    Além disso, muito se fala, desde 1990, sobre as reformas tão necessárias ao nosso país, mas solenemente ignoradas pelos 4 governantes que tivemos desde então (Collor, Itamar, FHC e Lula): reforma tributária (não aguentamos mais pagar tantos impostos), reforma política (vamos moralizar o serviço público), reforma administrativa (pela eficiência do serviço público) e reforma previdenciária (para garantir rendimentos mais justos a quem trabalhou tanto e zero de déficit previdenciário).

    Espero que, nos próximos 10 anos, possamos implantar (com a participação de todos, é claro) todas essas reformas e estabelecer políticas que alavanquem o Brasil ao nível de desenvolvimento hoje invejado das potências ocidentais , do Japão e da Coreia do Sul.

    PS – Já estão prevendo, para 2014, um PIB per capita de quase US$ 15.000, frente aos US$ 10.200 de hoje… Ou seja, em 4 anos, podemos aumentar a riqueza gerada no país em pelo menos 50%, fazendo o PIB saltar de US$ 2,15 trihões (2010) para US$ 3 trilhões (2014)…

    Quando conseguirmos chegar a US$ 30.000 per capita (PIB PPC de US$ 6 trilhões), e com 70% dessa grana na mão das pessoas, aí sim teremos um país mais igual, e com o nível de desenvolvimento encontrado hoje nos países que invejamos…

    BRASIL POTÊNCIA!

  4. Do jeito que estão nossas forças armadas, melhor continuar sendo visto como pequeno e não atrair atenção indesejada ou não merecida.

  5. É isso, Edu Nicacio.

    Gostei da sua explanação e concordo com seu ponto de vista.

    Não adianta ansiedade. As coisas estão começando acontecer, o que não se pode é retroceder.

  6. Não vejo ao brasileiro hoje ‘invejando’ tanto ao primeiro mundo.
    Todos os dias nos jornais tem notícias da queda, redução de orçamentos, crise financeira, conflitos sociais nos países europeus.

    Hoje é a vez da Inglaterra Alemanha e França reduzir seus orçamentos, amanhã será a vez dos States. Europa Japão Coréia não têm recursos naturais, é óbvio que não estão preparados para este século. Eles estavam no front contra o comunismo, mas hoje não são tão importantes para os EUA, especialmente Europa, talvez na Ásia ainda sejam úteis, mas os ianques já negociam direto com os chinas.
    Ontem o jornal das 22 da GloboNews e depois no CtaCorrente foram só elogios para a economia brasuca. O brasuca hoje concentra-se na educação dos filhos, porque sabe que o país vai precisar profissionais, já não tem o olhar voltado para Europa.
    O brasuca hoje sabe que o país é uma potência e vai ser a quinta em poucos anos, está confiante e orgulhoso, e não trocaria o lugar com um europeu o um ianque. Aqueles brasucas que moram nos States ainda têm a imagem duma republica das bananas, mas isso mudou e vai seguir mudando.
    O outro dia vi a entrada duma escola na periferia de Santo André, antes das 7 da manhã, foi emocionante ver a quantidade de mães e pais acompanhando os filhos. As 7:00 fecharam os portões, ninguém chega tarde.

  7. Henrique :
    Do jeito que estão nossas forças armadas, melhor continuar sendo visto como pequeno e não atrair atenção indesejada ou não merecida.

    O ianks já estão aquatelados em apiay, a 100Km de Mato Grosso….percebeu?A VI Frota está em nossa faixa de águas internaciosnis…será? Só 4 subs SSks…nem caças…tá brincando ?!?!?

  8. O “Plano Brasil” está ótimo, assino embaixo o comentário dos rapazes aí acima, parabéns, li tudo.

  9. Honduras,Chavez,Irã e agora querendo se meter com Israelenses.Se sente o sumo-sacerdote mundial.Voce Amorim é um dos que eu não vou sentir saudades e quando sair vou sorrir.

  10. O Ministro não estava se referindo simplesmente à atenção internacional como o problema, pelo contrário, acho que ele deixou transparecer q nossa postura pró-ativa no cenário da política externa, foi sentida e observada atentemente pelas principais potências econômicas mundiais, mesmo que não tenhamos tido resultados vitoriosos no processo de paz.

    Na verdade, creio q sua análise e resposta direta, foca nos críticos das ações do Itamaraty, que durante os últimos anos não enxergaram além das questões partidárias e puramente governamentais, restringindo seus argumentos a fatores muitas vezes ideológicos e pouco pragmáticos, no sentido da visão de uma nação com uma nova proposta de inserção no mercado externo e discussão de pontos que até então não considerávamos aptos a participar.

  11. “Não vejo ao brasileiro hoje ‘invejando’ tanto ao primeiro mundo”

    Essa inveja que eu tenho é saudávl, pode ter certeza. E muitos brasileiros também pensam da mesma forma. Veja Suécia, Suíça, Noruega, Finlândia e Dinamarca, somente para ficar nos top-top entre os mais iguais do mundo…

    Nosso país é lindo, fomos abençoados em nascer aqui, mas precisamos criar condições de incluir cada vez mais pessoas em nossa sociedade. Muito se fala sobre erradicação da miséria até 2016, e de um país classe média em 2022.

    É o começo! Temos potencial para conseguir muito mais, basta trabalharmos para que isso aconteça… Só não podemos retroceder!

    Temos que aproveitar a maré, firmar acordos e começar a agregar valor às nossas exportações; também devemos aproveitar as oportunidades de absorção de tecnologia como as recentes compras das forças armadas: submarinos, caças, fragatas, etc.

  12. O brasileiro médio não inveja esses países porque nem os conhece.
    O brasuca pensa nas potências concorrentes, e está disposto a passar privações para que o Brasil seja das principais potências, por isso o sucesso do torneiro porque mostrou um caminho.
    Esses páis da periferia de Santo André não pensam em Suécia e sim na China nos EUA na Russia, é assim, o brasileiro tem uma idéia de geopolítica quase que inata. Por isso a emigração brasuca foi sempre muitíssimo menor que a dos países espanhois da América do Sul.

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