Articles

Indústria naval brasileira precisa recuperar o atraso tecnológico

In Ciência, Naval, tecnologia on 30/07/2010 by Lucasu Marcado: , ,

http://escadaedesenvolvimento.files.wordpress.com/2010/04/1c2ba-navio-eas.jpg

Aprender com os erros

Depois de décadas em crise, a indústria brasileira de construção naval está passando por um momento de recuperação proporcionada, em grande parte, pelos investimentos que estão sendo realizados no setor de óleo e gás no País.

Mas, para não sofrer um novo revés, os estaleiros nacionais terão que reparar e não repetir os mesmos erros que cometeram no passado, quando também se apoiaram no mercado interno e em um único setor para viabilizarem seus projetos, alerta o professor Floriano Carlos Martins Pires Junior, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

“O Brasil já aprendeu a lição de que não se pode contar somente com a demanda doméstica e de um único setor para consolidar as atividades de uma indústria naval em longo prazo”, afirma Pires Junior. “É preciso diversificar a atuação para outros segmentos de transporte marítimo e aproveitar essa nova oportunidade para aumentar a competitividade internacional”, indica o especialista que abordará esse assunto em uma conferência que fará na 62ª Reunião Anual da SBPC.

História da indústria naval brasileira

De acordo com Pires Junior, o modelo de desenvolvimento da indústria de construção naval adotado pelo Brasil na década de 80, quando o setor viveu um de seus melhores momentos, provocou efeitos desastrosos e que perduram até hoje. Extremamente protecionista, o plano se baseou em uma política de substituição de importação que previa a construção de navios no País para atenderem à demanda interna da marinha mercante.

Porém, com a desregulamentação do setor de navegação, a abertura do mercado nacional e a entrada de competidores internacionais, a maioria dos estaleiros brasileiros entrou em crise e fechou as portas por falta de encomendas no mercado interno e porque não tinham tecnologia para competir no exterior.

Os poucos estaleiros nacionais que sobreviveram à quebradeira passaram a atender o mercado offshore, de pequenas embarcações. E nos últimos anos, com as encomendas que estão sendo feitas, principalmente pela Petrobras, começaram a vislumbrar a possibilidade de voltarem a fabricar navios de grande porte e de atender uma significativa demanda por embarcações mais sofisticadas, como plataformas e navios sondas, utilizados para perfuração de poços submarinos.

Entretanto, para isso, o professor afirma que eles precisarão recuperar o atraso tecnológico em relação aos concorrentes internacionais.

“Depois de tantos anos sem fabricar grandes embarcações a distância tecnológica entre os estaleiros brasileiros e os principais fabricantes mundiais aumentou muito”, diz. “O perfil de profissional que nós temos hoje no Brasil atuando nesse setor é o mesmo das décadas de 70 e 80. Será preciso qualificar e aumentar a quantidade de recursos humanos para atender à demanda do setor nos próximos anos tanto nas áreas de produção e operacional como de engenharia”.

Participação das empresas

Segundo o professor, as instituições de pesquisa e formação de recursos humanos para o setor naval no Brasil, como a Coppe/URFJ, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Petrobras (Cenpes), estão se mobilizando e tomando iniciativas para suprirem as deficiências tecnológicas e de recursos humanos do setor.

Mas ainda falta um maior engajamento das indústrias em participar e se envolver diretamente nesse processo.

De acordo com Pires Junior, os estaleiros brasileiros têm capacitação em processo e planejamento de construção, mas não no controle de produção e na fabricação de grandes embarcações. Para ele, essas deficiências podem ser supridas por intermédio de parcerias como as que a maioria deles está celebrando com fabricantes da Coreia e Japão – os dois países que dominam as tecnologias de produto e processo de fabricação de navios.

Mas ele chama a atenção para a necessidade de as indústrias brasileiras desenvolverem paralelamente sua própria capacitação tecnológica. “Esse tipo de parceria tecnológica entre estaleiros brasileiros e internacionais é muito limitada, porque as tecnologias de processo e de projeto, na realidade, não são transferidas”, diz.

O especialista estima que, com atual recuperação, a indústria brasileira de construção naval não disputará com os principais fabricantes de navios, que são os chineses, seguidos dos coreanos e japoneses. Poderão, no entanto, aumentar sua participação para 5% no mercado mundial naval, contra 0% que registra hoje. “Eu não diria que o Brasil pode ambicionar ser um grande fabricante de navios. Mas uma indústria naval com o tamanho do mercado brasileiro precisa tomar alguns cuidados para ser competitiva internacionalmente ou ficar, literalmente, a ver navios”, conclui.

Fonte: Inovação Tec.

Anúncios

12 Respostas to “Indústria naval brasileira precisa recuperar o atraso tecnológico”

  1. Possuímos um litoral imenso. E creio eu mais de 80% de nossa exportação é feita por navios. Mas temos bastante trabalho pela frente para podermos alcançar a eficiência, que hoje é enorme a diferença de eficiência produtiva entre os melhores fabricantes de navios mercantes. É a oportunidades das empresas nacionais após décadas de crise, para manter-se neste setor que possui e sempre possuirá um histórico difícil. Como? Diversificando seus projetos, e não somente por causa do pré e pós-sal.

  2. E so não cometer o erro do passado e dar mais valor agora assim podera ter um futuro quem sabe promissor comparado ao sucesso da embraer

  3. Uma historia interessante Na década de 80, a Arábia Saudita anunciou o interesse em reforçar seu exército com a compra de uma quantidade significativa de tanques de guerra. Gerou uma expectativa em diversos países do mundo inteiro, entre eles estava uma empresa brasileira que havia iniciado sua ingressão neste mercado, a Engesa – Engenheiros Especializados S/A – até pouco tempo fabricante de veículos especiais em fibra de vidro, para o segmento de fora de estrada, estabelecida na cidade de São José dos Campos em São Paulo. A Engesa resolveu entrar no setor de armamentos pesados com a fabricação de tanques de guerra como o Osório, Urutu, entre outros. Destacou-se no mercado por apresentar equipamentos mais leves, mais ágeis, mais rápidos, mais eficientes e mais capacitados. Diante das expectativas geradas no mercado, os sauditas para não declinarem para uma compra expressando favorecimento, resolveram estabelecer uma prova em seu território, onde os tanques de guerra dos principais países interessados na venda de seus produtos, competissem entre si. Os tanques da Engesa competiram com os M-1 Abrams, AMX 40 e Challenger. Tanques de guerra da França, EUA, Inglaterra, União Soviética entre outros, estavam muito interessados nesta negociação, mas foram vencidos pelo Osório da Engesa que venceu em sua categoria, assim como o Urutu, entre outros.
    A Arábia Saudita anunciou a compra imediata de nada menos que 500 unidades. A comemoração na fábrica da Engesa foi geral. Imediatamente a empresa solicitou a compra de material para fabricação, enquanto os seus representantes foram até a Arábia Saudita para finalizar a negociação. Acordo firmado, negócio fechado, retornaram ao Brasil. Enquanto isso, um dirigente de alta patente da CIA norte-americana conversava com homens do governo dos EUA. Os EUA temiam negociar a venda de equipamentos com alta tecnologia com os árabes, interpretando que era um país que estava ao seu lado como parceiro, mas que poderia passar para o outro de um momento para o outro (no final das contas quem deixou de ser parceiro foi o Iraque). O dirigente falou: “vocês não precisam ter medo de vender nossos caças F-5 para os árabes.”, “como não? Podem passar a ser nossos inimigos da noite para o dia!” responderam os homens do governo americano. No que o dirigente respondeu: “podemos vender, ninguém está falando em ensinar a pilotar.”. Representantes do governo dos EUA foram à Arábia Saudita e conversaram com o Xeique árabe: “Vocês querem comprar nossos caças?”, “Claro, são os melhores do mundo, melhores do que os Mirrage, melhores do que os Mig soviéticos”, respondeu o xeique, no que ouviu dos representantes do governo norte-americano: “Mas para comprar nossos caças, vocês precisam comprar nossos tanques de guerra.”. “Seus tanques???? Mas eles foram os piores nos testes!!”. “Sim, mas para comprar nossos caças, precisam comprar nossos tanques.”. A Arábia Saudita então, de um momento para o outro, cancelou a compra dos tanques da Engesa, no que tomaram de surpresa toda a diretoria da empresa brasileira. Tentaram reclamar, negociar, mas nada poderia ser feito, a compra fora cancelada, sem respeitar nenhum papel, nenhuma assinatura. Conduziram a fábrica da Engesa com todos os materiais adquiridos para a fabricação dos tanques encomendados à ruína total. Faliram com a empresa. Por outro lado, a Arábia Saudita adquiriu 7 caças F-5 e logo no primeiro mês de compra, dois entraram em parafuso no ar, enquanto que outros dois se colidiram em pleno vôo. Outras aeronaves ficaram no solo até apodrecerem completamente, visto que não havia sido negociado o aprendizado dos pilotos árabes para os equipamentos.
    A fábrica da Engesa faliu, mas seus tanques de guerra ainda resistem ao tempo vencendo barreiras, passando por escadarias como se estivessem em áreas de passeio.
    Publicado em: agosto 04, 2007

  4. Aqueles que aman tanto os americanos e seus produtos peço que deêm uma boa lida nessa
    historia e veram que por causa deles o pais teve um grande prejuizo no passado e podera dar no futuro olho no tio sammmmmmmmmm

  5. Quando formos nas urnas devemos pensar bem pois a aqueles de um certo partido de um certo fhc que são parceiros dos americanos e contribuiriam muito para esse dezastre se repetir em outras areas pensem nisso para não reclamarem depois valeu pelo fortalecimento e pela moral e fiquem com deus

  6. Nossa indústria naval foi sucateada durante um certo governo federal que durou de 1995 a 2002. A indústria naval do Brasil, que já fora das 10 maiores do mundo e que já havia empregado 45 mil pessoas na década de 70, passou, durante aquele governo, para menos de 2000 empregados. E o mesmo partido que governou a nação por aquele regime, vem agora se queixar de que o país anda a se desindustrializar.

    A indústria naval é de grande importância para várias setores: não só o de exploração petrolífera, mas também o de high-tech e o militar. Durante o último governo, a indústria naval tem se restabelecido: já conta com 40 mil empregados. Em termos de proporções, ainda estamos atrás do que estivemos em 70. Mas ainda assim a recuperação tem sido rápida.

  7. Rogério, essa sua história é o mais perfeito exemplo de choro de perdedor, é muito mais fácil botar a culpa nos americanos do que reconhecer os erros estratégicos e de administração que realmente levaram a ENGESA a falência.

  8. O Brasil é mesmo um país dos contrastes e são vários os exemplos. Infelizmente a indústria naval não foge á essa regra. Uma nação marítima como o Brasil não ter uma indústria naval competitiva é inaceitável. Como confiar no mercado interno de um país sem mentalidade marítima? Para os EUA espandir seu domínio naval no inicio do século XX, primeiro dominou por completo o mercado interno. O próprio Titanic era exemplo dessa afirmação, por ser uma aposta de JP Morgan de sua intenção de dominar a concorrida rota do Atlântico Norte. Quando a mídia aborda assuntos de interesse marítimo o que está sempre em discução é o petróleo, sendo que há mais interesses na vastidão marítima que são a riquesa biológica, mineral, pesca e claro o tráfego marítimo, que responde por 95% do transporte internacional do país. Essa restrição do tema voltado apenas para petróleo cria uma cultura de abandono dos navios mercantes, como o porta conteiner e, ja que gostam tanto de falar em petróleo, dos petroleiros. Alías, falar de petróleo extraído do mar sem falar de seu principal transporte é mais um exemplo de negligência do setor naval brasileiro.

    As encomendas deveriam vislumbrar também os porta-conteineres de indiscutível valor logístico e indispensável atualmente, para adquirir experiência na produção dessa categoria. Em relação aos avanços tecnológicos em que se refere á modernidade dos estaleiros, o uso de pórticos é um símbolo dessa evolução. Quando vi o estaleiro EAS equipado com pórticos, percebi imediatamente que se tratava de um grande salto nesse setor no Brasil, já que esse tipo de equipamento eu via apenas em estaleiros de renome como o Mitsubishi, Chantiers de L’Atlântic, Northop Grumann, Akeryards etc. Considerando o potencial desses estaleiros, o tempo do Brasil á ser recuperado é longo! É claro que as grandes indústrias do setor não querem mais um concorrente para atrapalhar seus negócios, daí a não transferência de tecnologia, a exemplo do que ocorre com a tecnologia nuclear para submarinos não ser tranferida, para que não aja mais países com o domínio na geração desse tipo de energia para um meio estratégico como é o submarino nuclear.

    Em suma, o Brasil perdeu a chance de se destacar no setor mais importante que existe que é a indústria naval. Não apenas em se tratando de geração de muitos empregos (que por si só ja é muito importante), mas por ser capaz de desenvolver tecnologias independentes e intransferíveis. O Brasil está recuperando parte de uma posição que nunca deveria ter perdido na indútria naval. Para um país cujo lema é o progresso, é um descepcionante contraste estar atrazado -ainda que se recuperando- no setor de produção naval que tanto depende.
    abraço.

  9. Nao se pode culpar os outros pelos nossos erros. Ninguem é bobo , e muito menos justo no mundo dos negocios.

  10. Pode ate ser falta dos brazukas, mas que um empurrao dos yankes para baixo da ribanceira nao pode ser desconsiderado nessa historia dos tankes da Engesa..

  11. Em relação aos tanques… depois de ler uma entrevista do ex-executivo da empresa Reginaldo Bacchi, realmente criou-se um mito á volta deste assunto e claro os americanos são sempre os culpados.
    Recomendava uma leitura á entrevista do dito senhor para perceberem o que se passou, foi feito por um jornalista da Folha de S. Paulo.

  12. Estamos precisando de novos navios,e fazer + pediodos e as especificações…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: