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Encruzilhada no Oriente

In Conflitos, Defesa, Geopolítica, Inteligência e Espionagem, Opinião on 01/08/2010 by E.M.Pinto Marcado: , , ,

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É impressionante como a história da civilização tem ciclos que se repetem sem que se perceba. O escândalo alimentado por duas informações importantes a respeito da guerra ao terror no Afeganistão e no Iraque impõe uma reflexão sobre os destinos de ambos os cenários. No primeiro caso, passados quase nove anos da intervenção americana no país, uma grande conferência destinada a marcar uma mudança de rumo na gestão internacional do conflito foi ofuscada por outros dados. O site Wikileaks talvez uma das melhores contribuições à liberdade de expressão e informação da atualidade divulgou documentos secretos que expõem falhas e fraquezas na estratégia dos EUA para lidar com a Al Qaeda e a insurgência extremista islâmica. Embora ali não houvesse muita novidade, é o retrato cru de um impasse que mais incomodou diante da exposição pública. Apesar dos bilhões empregados, de toda a tecnologia, a ameaça terrorista continua latente. Osama bin Laden ainda está vivo e ativo mesmo confinado a um território relativamente pequeno é muito perigoso. O Paquistão continua sendo pouco confiável, dadas as íntimas relações entre o serviço secreto, o ISI, com os radicais muçulmanos aliados importantes na rivalidade com a Índia e o regime de Hamid Karzai. E ainda não dispõe da unidade nem do reconhecimento interno para continuar liderando um país unificado sem os soldados da Otan.

O britânico Robert Fisk, um dos mais conceituados jornalistas e especialistas na região, deixou claro em seu livro que há uma maldição em terras afegãs em relação ao Ocidente. Desde tempos imemoriais todos os exércitos que tentaram se impor pela ocupação fosse com manu militari ou não terminaram invariavelmente derrotados. Fisk fala de cadeira, já que é filho e neto de soldados britânicos que combateram no país em diferentes épocas. O impasse deixa claro que a maldição continuará a impor-se e a sua solução, a partir da retirada unilateral das tropas estrangeiras em 2014, deu aos talibãs a certeza de que vencerão mais essa. O ciclo se repetirá expondo, ainda, o fracasso das potências e da ONU em aplicar as regras de reconstrução que criaram. Da mesma forma que ocorreu no Vietnã, sem a presença econômica da máquina militar as tribos afegãs voltarão a lutar entre si.

O outro dado crucial foi a revelação de que dos US$ 9 bilhões angariados com a venda do petróleo e do gás iraquianos no mercado internacional e destinados à reconstrução cerca de US$ 8,7 bilhões estão sendo dados como perdidos pelos Estados Unidos, desviados que foram. No blood for oil, diziam os manifestantes que tentaram demover Bush, Cheney et caterva da aventura bélica contra Saddam Hussein. Foi em vão, e agora fica mais claro que a motivação messiânica da Pax Americana no Iraque não era o véu da virtude, como se apresentava.

Mas o prenúncio de um excelente negócio: os EUA tiraram franceses e russos, então parceiros de Saddam na exploração, e no lugar promoveram uma bilionária ação entre amigos.

O impasse no Afeganistão é a reprise de um conflito sem solução aparente.

Fonte: JB via CCOMSEX

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14 Respostas to “Encruzilhada no Oriente”

  1. É visto como o pior e maior derrotado(a) ali e em outros lugares mesmo a própria ONU. Falida, envergonhada, defraudada por seu principal mantenedor, que têm-se tornado por fim em seu próprio algoz.
    Esta, vitimada por sua ineficácia e não representatividade, teima em se mostrar como organismo capaz de comportar os desafios de um mundo cada vez mais plural, assimétrico, que clama por seu rearranjo e formulação mais atualizada. Isto tudo sob pena de as tensões se tornarem cada vez maiores, vindo a ser alvo de intentos covardes promovido por terroristas mundo afora.

  2. Eu mantenho a minha posição contrária a retirada americana do Iraque e Afeganistão. Quero que os gordos fedorentos fiquem até o último homem. A lição ainda não foi aprendida; portanto, neste caso, o tempo não urge. Vivemos um mundo diversificado, plural, multicultural, multiracial, cada povo com a sua cultura, suas particularidades, suas crenças. Nenhum país deve impor a sua vontade a outro povo.

  3. Holanda diz “não” à aliança ocidental e se retira do Afeganistão
    .

    As tropas holandesas da Isaf (Força Internacional de Assistência à Segurança, sob comando da Otan) iniciaram a retirada do Afeganistão neste domingo (1º/8). A ação holandesa ocorre após o cumprimento do prazo de sua missão e sem o acordo do governo do país para prolongar o mandato, como queria a aliança ocidental.
    Após permanecer por quatro anos em solo afegão, a Holanda transferiu o comando na província de Uruzgã (sul do país) aos militares norte-americanos e australianos da Isaf em uma cerimônia singela.
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    As diferenças no seio da coalizão de governo holandês quanto ao prolongamento da missão no Afeganistão motivaram a saída do Partido Trabalhista do governo local e a consequente queda do governo em fevereiro.

    A Otan tinha solicitado à Holanda uma extensão de sua operação no Afeganistão – medida apoiada pelo então primeiro-ministro, Jan Peter Balkenende, mas não pelos trabalhistas, que antes estavam na oposição.

    A operação holandesa no Afeganistão – que começou em 1º de agosto de 2006 – teve custo de cerca de 229 milhões de euros. Nos quatro anos de missão, morreram 24 soldados do país, enquanto cerca de 140 ficaram feridos.

    Da Redação, com informações da Efe

  4. A VELHA PROSTITUTA
    O que está acontecendo com ao poder europeu e Americano?
    São indícios de um Último suspiro de um império,como foi o império Romano;terminou no meio de umas guerras e implodio em pedaços,com foi a URSS e será os EUA.
    A Europa,a velha e ardilosa Europa,ficará para dar as boas vindas ao novo imperador.

  5. Todos anciosamente aguardamos maravilhosa queda da besta fera, mas o tio sam velho e gordo. iguamente tememos não conseguir sair de baixo. E por isso e só por isso, o dolar, titolos do tesouro, que jamais serão pagos e todos sabem. Assim pelo mesmo motivo o Dragão e o Urso, votaram favoram as sanções a Persia, e estão ivestindo pesado no Irã, agora sem concorrencia, e distraido o tempo motivação real dos fatos. A queda da aguia de ninguem entende por ainda voa.

  6. Sim lucena, chegou a hora de um novo reinado. Quem será o rei?

  7. Veja esta notícia e os comentários dos leitores!!

  8. Alex Ruzenhack :
    Sim lucena, chegou a hora de um novo reinado. Quem será o rei?

    Voltará a ser o DRAGÃO….sempre foram + mansos,vide a história dos mesmos.

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