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Guerras entre Estados são cada vez mais raras no mundo, diz estudo

In Conflitos, Defesa, Geopolítica, História on 07/08/2010 by Comandante.Melk Marcado: , , ,

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Desde 1945, maioria dos conflitos armados ocorre dentro dos países.
Série do G1 analisa guerras e confrontos atuais.

Giovana Sanchez
Do G1, em São Paulo

Em 2009, o mundo presenciou um total de 365 conflitos políticos, entre os quais sete guerras e 24 crises severas. É o que diz um estudo do Instituto Heidelberg para Pesquisas em Conflitos Internacionais (HIIK), publicado anualmente. O número não é muito diferente do ano anterior, que registrou 353 confrontos, mas o que chama a atenção numa análise mais detalhada é a mudança na natureza das guerras nas últimas décadas.

Segundo a pesquisa, chamada ‘Conflitobarômetro, hoje, é cada vez mais difícil a batalha direta entre duas nações. “Conflitos muito violentos entre Estados são extremamente raros. […] Desde o declínio da União Soviética, seu número caiu severamente – nos últimos anos, apenas um ou até nenhum conflito entre estados é contabilizado por ano”, explicou em entrevista ao G1 uma das diretoras do Instituto, Lotta Mayers.

Baseado nesse estudo, o G1 publica a partir desta quinta-feira (29) uma série de reportagens analisando os principais conflitos armados no mundo. A primeira é sobre a guerra do Afeganistão.

Para Kristine Eck, professora da Universidade Uppsala, na Suécia, todo o período pós-Segunda Guerra foi marcado por um número maior de conflitos internos do que de guerras entre Estados. “Mas deve-se levar em conta também que, apesar de as nações estarem menos inclinadas a lutarem diretamente entre si, elas geralmente fornecem apoio a grupos rebeldes, como um tipo de ‘guerra proxy’ [guerra por procuração], provendo apoio com armamentos, treinamento ou ajuda financeira. Esse tipo de ajuda é recebida em 75% de todos conflitos internos.”

Além disso, o modo como os confrontos terminam também tem mudado. Antes da Guerra Fria, segundo a professora Eck, a maioria das guerras terminava com uma vitória militar de um lado e destruição do outro. “Hoje, essa é a maneira mais improvável de acabar um confronto. Os conflitos terminam de um jeito diferente agora: é mais provável que eles acabem com um cessar-fogo, um acordo de paz, ou outro motivo, como mudança de liderança ou de estratégia.”

Outra mudança apontada por Eck é a diminuição de mortes nos conflitos atuais, tendência que pode ser vista desde 1980. Segundo ela, isso pode ser explicado pois desde o fim da Guerra Fria o apoio armamentista e financeiro vindo de países para grupos rebeldes é bem menor. “Os partidos guerreiros não têm o mesmo acesso a armas, tecnologia e dinheiro que eles tinham há 30 anos.”

Fumaça é vista na Cidade de Gaza, em bombardeio israelense durante ofensiva em janeiro de 2009Fumaça é vista na Cidade de Gaza, em bombardeio israelense durante ofensiva em janeiro de 2009 (Foto: Mahmud Hams/AFP)

Fluxo contínuo
Nos anos de 1980 a 1990 houve um crescimento mais ou menos contínuo no número de conflitos violentos até que se atingiu um pico em 1992, com 52 conflitos altamente violentos. “Isso ocorreu por causa do declínio da União Soviética”, explica Lotta Mayers. “Depois disso, o número diminuiu muito até 1995, mas voltou a crescer em 2004. Os últimos cinco anos foram marcados por uma oscilação entre uma média de 30 a 40 conflitos muito violentos.”

Policial da polícia de fronteira afegã mostra armamento em Kunar, dezembro de 2009Policial da polícia de fronteira afegã mostra armamento em Kunar, dezembro de 2009 (Foto: Tauseef Mustafa/AFP)

Metodologia
O HIIK diferencia três categorias de conflitos violentos: crise, crise grave e guerra. Crises são caracterizadas por uso esporádico da violência, ao passo que crises severas e guerras seriam uma resposta organizada com uso de violência sistêmica durante um longo período de tempo, causando intensa destruição. Crises severas e guerras, na metodologia do Instituto, podem ser agrupadas na categoria ‘conflitos muito violentos’.

Fonte: G1

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4 Respostas to “Guerras entre Estados são cada vez mais raras no mundo, diz estudo”

  1. Muito interessante, tenho a impressão que quanto mais o tempo passa, e a humanidade evolue, mais as guerras mudarão, deixando a barbárie sanguinária para trás e implementando novas formas de domínio e disputa. A Opinião pública já não aceita mais tais barbáries.

  2. D3lta :
    Muito interessante, tenho a impressão que quanto mais o tempo passa, e a humanidade evolue, mais as guerras mudarão, deixando a barbárie sanguinária para trás e implementando novas formas de domínio e disputa. A Opinião pública já não aceita mais tais barbáries.

    Tomara q vc tenha razão, espero q suas observações seja um fato, chega de guerras contra países desarmados, nê SSioniSSTras?

  3. Isso aí! vamos nos desarmar todos, aproveita para desativar as FA ! afinal para que gastar dinheiro com segurança nacional? O mundo do futuro será um paraíso!

    E enquanto adormecemos com esta “canção de ninar”, as potencias do norte se armam cada vez mais, aguardando o momento de dar o bote enquanto cantam nana nenen…

  4. NO BRASIL TEMOS O MST.

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