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De Volta ao Rio-Mar

In Outras on 16/08/2010 by E.M.Pinto Marcado:

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Por Hiram Reis e Silva, Porto Alegre, RS, 16 de agosto de 2010.

“Uma travessia. Uma aventura. Não sabemos bem. Talvez apenas um homem comum tentando entender aquilo que é humano, mas tão doloroso. Talvez uma perda tentando se transformar em vida. Quem sabe um encontro consigo, com seu passado. Quem sabe uma tentativa de reunir forças para seguir uma viagem solitária muito mais difícil que o solitário desafio contra o Rio-mar”.

(Professoras Silvana Schuler Pineda e Patrícia Rodrigues Augusto Carra)


Já algum tempo venho deixando as notícias sobre o Projeto-Aventura Rio-Mar para trás. O momento político e as inúmeras ações e omissões governamentais por vezes forçam-nos a enveredar por rotas menos encantadoras e inspiradoras que o fantástico e silente caminho das águas que resolvemos trilhar no prelúdio da 3ª idade.  Alguns me condenaram e me acusaram de reacionário e a estes confesso que meu espírito inquieto não aceita manter a calma e ficar calado diante de tanta inépcia e comprometimento da soberania nacional que jurei defender com o sacrifício da própria vida. A estes eu recomendaria conhecer um pouco de nossa história, de nossa geopolítica, não através dos pesquisadores hodiernos, na maioria sectários de ideologias alienígenas e antidemocráticas, e sim, recorrendo aos relatos do passado distante, de naturalistas, sertanistas e cronistas que vivenciaram os fatos.

–  Projeto-Aventura Desafiando o Rio-Mar, uma Promessa

Loucura, lucidez perdida, bravata, insensatez, devaneios de um quase idoso… Talvez um pouco de tudo, talvez nada disso. Amor desvairado, dedicação extrema pela mulher que amo, veneração ensandecida pela mãe de meus filhos, fé inquebrantável no Criador, crença de que para Ele os limites da medicina não existem, com certeza sim. Acredito que Ele seja capaz de corrigir a imperícia de um médico que transformou minha esposa numa mera sombra do que era. Acredito, mesmo que todos os especialistas que consultamos mostrem cientificamente que a lesão provocada pela incompetência do neurocirurgião seja irreversível, que Ele possa reverter esta situação.

Minhas descidas pelos amazônicos caudais tinham um único propósito, pedir ao Grande Arquiteto do Universo a melhoria do estado de saúde de minha esposa. Com o passar do tempo, o correr das águas, o atropelamento dos fatos, fui forçado a aderir ao Projeto, além da oblata, objetivos culturais, e uma defesa intransigente de nossa soberania.

–  1ª Fase – Descida do Solimões

Depois de um o rigoroso treinamento no “Rio” Guaíba, Lagoas litorâneas e Lagoa dos Patos, enfrentei o belo desafio de mais de 1700 km do Rio Solimões e seus afluentes, de Tabatinga a Manaus, em um Caiaque Oceânico Cabo Horn da Opium FiberGlass, por quase dois meses.

Sonhos realizados, muitas observações colhidas, inocência perdida, mitos desfeitos, ratificação de conceitos, retificação de rumos. Um crescimento como ser humano. A ternura e a alma hospitaleira do homem do Norte me encheram de humanidade. O amor para com o semelhante me invadiu, penetrando cada poro, cada capilar. O carinho recebido mostra como somos egoístas no cotidiano. Os ribeirinhos são mestres da harmonia e me ensinaram, dia-a-dia, a cordialidade e o desprendimento.

–  2ª Fase – Descida do Rio-Negro

As margens caladas e belas do Rio negro convidam à reflexão. No murmúrio das ondas, ressoam os sons de inúmeras vozes do Rio e, no seu reflexo, surgem imagens pretéritas e presentes que se mesclam num jorro resplandecente de luz. Algumas ondas escuras, tristes e carregadas de sofrimento volviam-se sobre si mesmas em espumante e resplandecente júbilo e a repentina metamorfose mostrava uma contagiante alegria de outros tantos clamores.

No vai e vêm contínuo, as águas abrem, aos iniciados, o registro ancestral. O canoeiro mergulha, então, no “Inconsciente Coletivo”, colhendo preciosos ensinamentos trazidos pelas infindas vozes do Rio. Imerso na memória pretérita da humanidade, o navegante se transforma no verdadeiro “Argonauta”, ousando, vencendo temores, ultrapassando limites terrenos.

–  3ª Fase – Descida do Amazonas

Treinamento, planejamento e muito estudo precedem a mais uma fase pelo magnífico caudal. Novas experiências, pessoas diferentes, diferentes histórias e outras plagas me aguardam.

–  Amigos investidores

Quero deixar registrado meu agradecimento a cada um dos colaboradores que possibilitaram a execução da “1ª e 2ª Fase do Projeto Desafiando o Rio-Mar – Descida do Rio Negro”. Além de doação financeira e de material, me emprestaram uma energia que eu sentia, dia a dia, fluir em minhas veias, a enrijecer meus músculos e a impulsionar minha vontade. As imagens, que me encantaram, tinham o colorido captado por centenas de multicolores retinas, das mais diversas origens, profissões e crenças religiosas. Uma coisa, porém, tínhamos, certamente, em comum, o idealismo, o patriotismo e o respeito por tudo o que nossos antepassados fizeram por essa “Terra Brasilis”.

Solicito Publicação

Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva

Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)

Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)

Acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB)

Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS)

Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional

Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br

E-mail: hiramrs@terra.com.br
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8 Respostas to “De Volta ao Rio-Mar”

  1. Quando olho pra essa foto, imagino sempre uns subs navegando em patrulha.

  2. Cel. Hiram!

    Sou teu fã camarada! De carteirinha!

  3. Fernando Donatelo :
    Quando olho pra essa foto, imagino sempre uns subs navegando em patrulha.

    Dispor de um submarino adequado para as águas do Delta do Amazonas, com pelo menos um submarino na foz do Amazonas, com base permanente em Belém, já seria um considerável fator complicador para eventuais embarcações hostis na região.

    E viajando um pouco:

    Seria interessante possuir também, sistemas de lançamento de torpedos aerotransportáveis e com capacidade de acionamento remoto, que em caso de necessidade, possam ser facilmente instalados submersos em pontos fixos ( más possuindo fácil mobilidade com baixa visibilidade) , seriam como um *sistema de minas aperfeiçoado, que não espera o navio vir até ela, más sai em seu encalço…

    *( o sistema/torpedo ficaria submerso a 50, 100… metros de profundidade, tendo somente uma fina antena flutuante na superfície para recepção de sinal)

  4. Seria muito interessante para a defesa do Brasil ter pelo menos uns 15 Submarinos convencional e mais uns 3 nucleares, isso faria qualquer país pensar duas vezes antes de arriscar em mexer com o Brasil, ou com a Amazônia verde e Azul.

  5. Carlos Augusto,

    nos planos da MB estão previstos 15 sub convencionais e 6 nucleares, o problema são os prazos previstos para se chegar a estes números: Entre 2040 e 2050…

  6. Wi :
    Carlos Augusto,
    nos planos da MB estão previstos 15 sub convencionais e 6 nucleares, o problema são os prazos previstos para se chegar a estes números: Entre 2040 e 2050…

    São planos bem reais, fico mt feliz de saber disso, e q o mesmo se realizem o + rápidamente o possível.

  7. Wi, 2040 e 2050 é muito tempo, e nesse meio tempo nos vamos mesmo é de caiaque, machadinha, arco e flexa.

  8. Carlos Augusto :
    Wi, 2040 e 2050 é muito tempo, e nesse meio tempo nos vamos mesmo é de caiaque, machadinha, arco e flexa.

    Td ano 5 e 6 subs .

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