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Má conduta científica dispara nos EUA

In Ciência, Outras on 18/08/2010 by Lucasu Marcado: ,

https://pbrasil.files.wordpress.com/2010/08/dinheiro_privada.jpg?w=300

Colaborou: Rodrigo Couto

Em 16 anos, denúncias de fraude aumentaram 161%; país gastou US$ 110 mi para investigar 217 casos em 2009.

Há cada vez mais sujeira por baixo dos jalecos brancos: nunca antes os Estados Unidos, grande potência científica mundial e pioneiro na tentativa de coibir fraudes nos laboratórios, teve tantos problemas com desvios de conduta de pesquisadores.

Casos como o de Marc Hauser, biólogo afastado de Harvard há uma semana acusado de distorcer dados em uma pesquisa sobre aprendizado em pequenos macacos, quase triplicaram nos últimos 16 anos.

Em 1993, quando o governo federal dos EUA criou uma agência para o assunto, a ORI (Agência para a Integridade em Pesquisa, na sigla em inglês), foram relatadas 86 denúncias de desvios.

Em 2009, foram 217, número recorde. O país gastou cerca de US$ 110 milhões investigando esses casos. Historicamente, um terço das investigações resulta em punição – em geral, afastamento de cargos e verbas públicas.

O número foi apresentado pela equipe de Arthur Michalek, biólogo do Instituto Roswell Park (de Nova York), na edição de terça-feira (17/8) da revista científica “PLoS Medicine”.

“Humanos são humanos, alguns vão se deixar seduzir e usar certos atalhos em busca do sucesso, por mais antiéticos que eles sejam”, disse à Folha. “A esmagadora maioria dos cientistas são éticos. Infelizmente, trapaças de poucos mancham o trabalho duro do resto de nós”.

Humanos sempre foram humanos, claro, e fraudes existem desde sempre. O homem de Piltdown é citado com frequência como a maior mentira da história da ciência, e o caso é de 1908.

Na época, foram apresentados fósseis de um suposto elo perdido entre humanos e primatas. Só em 1953 a fraude foi comprovada: tratava-se, na verdade, de uma mistura deliberada de ossos humanos e de orangotango. Os números americanos, porém, mostram a má conduta ganhando espaço.

Para Sílvio Salinas, 67, físico da USP, a tentação é maior entre as gerações mais novas. “Hoje em dia, há uma enorme pressão, uma grande disputa por posições”, diz. “Mas os bárbaros não tomaram conta da ciência ainda.”

Casos no Brasil envolveram alto escalão da USP

O Brasil foi eficiente criando comitês de ética (há 592 ligados à Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, a Conep), mas eles atuam principalmente aprovando estudos com voluntários e cobaias.

No que se refere às fraudes, a situação é diferente. Dois casos impunes de plágio se destacaram nos últimos anos, ambos envolvendo o alto escalão da USP.

Em 2009, a reitora Suely Vilela foi denunciada por ser coautora de um trabalho que utilizava figuras de um estudo de 2003 da UFRJ. Não houve punição.

O outro caso, de 2007, envolveu o diretor do Instituto de Física, Alejandro Szanto de Toledo, e Nelson Carlin Filho, vice-diretor da Fuvest. Eles publicaram um artigo que tinha parágrafos inteiros copiados de trabalho anterior de um colega.

Em 2008, a reitoria, sob a própria Vilela, fez uma “moção de censura” a ambos. “No começo, até achei que haveria punição concreta”, diz Sílvio Salinas, da USP. Para ele, há muita diferença entre Brasil e EUA. “Lá, mesmo as revisões feitas nos estudos antes da publicação são mais sérias. Aqui parece que o pessoal quer se livrar logo.”

Não há grandes trabalhos sobre a dimensão das fraudes científicas no país, nem sobre seu custo

Fonte: Jornal da Ciência

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5 Respostas to “Má conduta científica dispara nos EUA”

  1. Ñ são os únicos,sempre ocorreu e possivelmente ocorrá essas falcatruas na área da ciência; o maldito do ego.
    ;

  2. -COITADO DO Sr.NOBEL

    -Vendo aquele premio do nobel da paz que deram ao ilustre Obama,fico imaginando a grana que corre na instituição nobel,dada pelas grandes universidades americanas e européia.

  3. Até a ex-reitora da USP, (—————–), foi acusada de plágio. Esse é um problema muito sério do mundo acadêmico hoje em dia.

    Caro André,

    Antes de fazer uma acusação grave como esta, tenha em mãos todas as provas, o Plano Brasil, não se reponsabiliza pelo comentário de seus leitores.

    Lucasu

  4. Prezado Lucasu:

    Como eu não tenho acesso aos autos da sindicância segue a reportagem da Folha sobre o caso. O fato é que isso repercutiu muito mal na USP. Sou aluno de lá e o ambiente ficou péssimo. Aliás esse problema está em franca expansão no mundo. Mas não é novidade. há inclusive rumores de casos de gente que fez muita coisa com base em trabalhos publicados na “Era do Papel” , na Europa e EUA, e trouxe pra cá para garantir certas notas aqui. Como era difícil de obter os originais, muita coisa passou..Coisas que eu sei envolvem professores pouco éticos que publicaram trabalhos de alunos como se fossem seus..

    Segue o link:
    http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u647429.shtml

    Salve André,

    Agradeço o link da matéria, peço que sempre que possível fazer o uso destes links para justamente embasar o comentário aqui postado, apenas sigo as regras, não as crio, pois não é a intenção do Plano Brasil atacar absolutamente ninguém, informo que se este link estivesse no corpo do seu comentário ele seria devidamente publicado sem nenhuma alteração.
    Espero que entenda nossa parte.

    Grande Abraço, Lucasu.

  5. ok. Segurei a diretiva..Precisamos ter um rumo bem claro em relação a fidedignidade da informação mencionada..

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