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Obama e os generais

In Conflitos, Defesa, Geopolítica, Opinião on 25/08/2010 by E.M.Pinto Marcado: , , ,

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Newton Carlos

Jornalista

Os americanos presenciam novidade tida como inquietante. Saiu matéria a respeito no Washington Post, com o título de “Guerra sem fim, recipiente de arrogância quatro estrelas”. Ou a arrogância de um general no mais alto estágio da carreira militar. Tratou-se das desventuras do general Stanley McChrystal, demitido do comando das tropas dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão por criticar abertamente o presidente Barack Obama e membros do governo americano. Ele fora promovido havia um ano e não ficou claro se manteria a nova patente. Como não se falou mais no assunto, ficou mais ou menos estabelecido que a punição ficaria por aí. Mas não o inusitado.

O substituto de McCrystal, general David Petraus, compareceu a programas de televisão de grande audiência, como o Meet the Press, num esforço retórico, com o objetivo de conseguir maior apoio popular à guerra no Afeganistão. Não faltaram considerações que não se ajustam ao que quer Obama ou aos mandamentos de quem é constitucionalmente o comandante-chefe das forças armadas. O general declarou que o início da retirada das tropas americanas do Afeganistão em julho do ano que vem, data fixada por Obama, dependerá das condições “no terreno”. Ou se as condições de segurança, numa avaliação militar e não política, permitirem. Obama, no entanto, tem sido categórico. A saída começa na data prevista.

Não é imediata, como querem setores do partido do presidente, o Democrata, convencidos de que a continuidade da guerra só resultará em mais mortandade, sem vencidos ou vencedores, e também de olhos nas eleições parlamentares de novembro. Obama tampouco aceita alterar o calendário estabelecido por ele e condenado pelos republicanos com o argumento de que fixar datas de retiradas afeta a moral das tropas. O general Patreus ficou numa espécie de meio-termo, adotando publicamente o calendário de Obama, mas sob condições, o que foi um desvio do ponto de vista constitucional. Ainda por cima acontecido num mau momento.

Em julho, morreram no Afeganistão 66 soldados americanos, o maior número mensal. Patreus deu mais passos em terreno minado, dizendo que a responsabilidade de um comandante militar profissional no campo de batalha, como é seu caso, é dar a melhor assessoria possível ao Oval Office, onde fica o presidente na Casa Branca. O mandatário eleito que cuide da política, o que não condiz com o compromisso assumido por Obama, e ao que se sabe ainda vigente, de cumprir o calendário estabelecido. Já se tornam bastante incômodas as acusações de que não há nenhuma diferença entre ele e Bush. Um dos grandes jornais dos Estados Unidos adotou como vinheta, nas matérias sobre o Afeganistão, “A guerra de Obama”.

Atropelos envolvendo descontroles militares americanos em tempos de guerras não se esgotam por aí. Um general do corpo de marines (fuzileiros) dos Estados Unidos, de nome Jaime Mattis, disse num auditório em San Diego que “é divertido atirar em certas pessoas” e que “certos afegãos merecem morrer”. Foi o jeito que adotou para condenar publicamente leis islâmicas. Recebeu o conselho de seu comandante para que tenha mais cuidado na escolha de suas palavras, dado juntamente com o elogio de que ele é um dos “mais bravos e mais experientes generais americanos”. Tem a chefia das operações militares no Afeganistão, Iraque, Paquistão e Oriente Médio. Patreus é o chefão, com encargos estratégicos.

Gerações anteriores de líderes americanos, escreveu o Washington Post, compreenderam os riscos de guerras prolongadas. “A democracia não pode travar uma guerra de sete anos”, disse certa vez o general George Marshall, que ocupa lugar de destaque na história dos Estados Unidos. Os cidadãos que dão seu sangue, e que votam, “têm paciência limitada”. O que disse Marshall ficou comprovado com o Vietnã. O governo Johnson naufragou no que ficou conhecido como a guerra dos sete anos, a do Vietnã. Não se insurgiram contra ela somente manifestações populares que ocuparam ruas e praças dos Estados Unidos. Também se juntaram às insatisfações e protestos, soldados sacrificados inutilmente nos campos de batalha.

Um ex-oficial de Marinha com serviços prestados no Vietnã, John Kerry, depois candidato presidencial, foi um dos “veteranos contra a guerra”. Em depoimento no Congresso americano, disse que “não se pode pedir a alguém que seja o último a morrer numa guerra sem sentido”. A guerra do Iraque já dura sete anos. A do Afeganistão, nove.

Fonte: Correio Braziliense via CCOMSEX

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7 Respostas to “Obama e os generais”

  1. Pelo menos somos bem maiores… uma guerra seria de geracoes…

  2. É hora de sairem a francesa,os Afegões destruiram + um Império,já vai tarde.Sds.

  3. Obama aos poucos,está perdendo fôlego dentro de casa.
    Sua credibilidade está em declínio e ser motivado a tomar decisões heróicas;decisões assim, costumam ser catastróficas.
    O que não falta para ele é inimigo que o cercam;com o tempo o Afeganistão será o lugar mais seguro para o Obama,com o Bim Ladem e a sua turma.

  4. lucena :
    Obama aos poucos,está perdendo fôlego dentro de casa.
    Sua credibilidade está em declínio e ser motivado a tomar decisões heróicas;decisões assim, costumam ser catastróficas.
    O que não falta para ele é inimigo que o cercam;com o tempo o Afeganistão será o lugar mais seguro para o Obama,com o Bim Ladem e a sua turma.

    OBAMA TA MORTO A MUITO TEMPO AMIGO

  5. So que é um defunto que ainda caminha rsrsrs

  6. O primeiro presidente negro da historia Americana.Se fez tanta expectativa nisso que se esquecerem que quem entra no poder ou faz o jogo ou samba fora.Qualquer um que assumir a Casa Branca dara prosseguimento aos interesses externos Americanos custe o que custar.Imaginem se na proxima eleição entrar a Clinton heim.

  7. O prêmio nobel da paz, antes de terminar o governo pretende invadir mais uns quatro ou cinco paízes e ganhar mais alguns prêmios, vai ganhar uma boa grana kkkkkk.

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