Articles

A história da energia Nuclear Parte VII

In Ciência, Energia, História, tecnologia on 31/08/2010 by E.M.Pinto Marcado: , , ,

https://pbrasil.files.wordpress.com/2010/08/usinanuclear.jpg?w=300

Cronologia do Programa Nuclear Brasileiro

Parte I

Parte II

Parte III

Parte IV

Parte V

Parte VI

Parte VII

Parte VIII

Autor Eduardo Nicácio: Plano Brasil


  • 1950 – Programa nuclear brasileiro que remonta à década de 1950 com a criação do CNPq, liderado na época pelo Almirante Álvaro Alberto da Mota e Silva, que empresta seu nome à Central Nuclear de Angra dos Reis.
  • 1953 – O governo brasileiro assinou com representantes da Societé des Produits Chimiques des Terres Rares um contrato de encomenda, na França, de usinas para obtenção de urânio nuclearmente puro.
  • 1954 – O urânio metálico passou a ser produzido no Brasil. Logo, o governo brasileiro aumentou o interesse em desenvolver um programa nuclear próprio, a fim de deixar de ser um simples fornecedor de minério para a onipotente indústria nuclear dos países europeus.
  • 1956 – O programa nuclear brasileiro teria começado, de acordo com a Folha de São Paulo, em Outubro de 1956, altura em que o então presidente Juscelino Kubitschek criou a Comissão Nacional de Energia Nuclear.
  • 1957 – O primeiro reator da América Latina foi instalado no Instituto de Energia Atômica (IEA) – hoje Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) –, em São Paulo, sob a coordenação do professor Marcello Damy.
  • 1958 – O IEA-R1 foi o primeiro reator nuclear da América Latina, inaugurado no Brasil no dia 25 de janeiro de 1958 pelo então presidente Juscelino Kubitschek. O reator foi construido com a ajuda do governo norte-americano, dentro do programa “Atoms for Peace”.
  • 1962 – Criação da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e estabelecimento do PND II (PLANO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO), que incrementou um programa de uso energia nuclear no Brasil, em especial, com relação às usinas nucleares; era o programa nacional de desenvolvimento da energia nuclear.
  • 1967 – Embora fosse um dos signatários do Tratado de Tlatelolco, que proibia armas nucleares na América Latina, o governo militar brasileiro, sem embargo, achava que a opção nuclear era crucial aos planos de segurança do país em longo prazo, porque permitia a transferência de tecnologia nuclear a um programa secreto de enriquecimento de urânio, com o código de Solimões (apropriadamente designado com o nome da cabeceira do Rio Amazonas). O objetivo era dominar todas as fases da produção de energia nuclear, inclusive aquelas para possível uso militar.
  • 1968 – Primeiro programa organizado de Iniciação Científica no país, sob coordenação do Prof. Epaminondas S. B. Ferraz, sob o título de Curso de Introdução à Energia Nuclear na Agricultura, CIENA.
  • 1971 – O Programa Nuclear Brasileiro entrou em sua fase comercial, com a encomenda de Angra 1, de 657 MW, à companhia americana Westinghouse. Angra 1 foi desde o início fonte de problemas.
  • 1972 – A construção da usina Angra I tem início, em plena ditadura militar.
  • 1973 – A Crise do Petróleo atingira fortemente o Brasil, então grande importador (cerca de 80% do consumo interno), o que levou o Governo a buscar ampliar as fontes alternativas de energia, tendo sido disponibilizados prioritariamente recursos para implantar e executar o Programa Nacional do Álcool, o Programa Nacional de Carvão e o Programa Nuclear Brasileiro. Houve também a preocupação de ampliar o aproveitamento hidrelétrico com Tucuruí, Itaipu entre outros.
  • 1974 – É criada a Nuclebrás, com o monopólio no setor nuclear, sobretudo nas pesquisas nucleares e minerais, como as jazidas de urânio.
  • 1975 – É assinado o acordo nuclear Brasil-Alemanha, que inclui a prospecção e mineração de urânio, produção de reatores, enriquecimento de urânio, produção de elementos combustíveis e reprocessamento de combustível irradiado. Previa inicialmente a construção de oito usinas nucleares com geração conjunta de 10.000 MWe.
  • 1977 – O “Livro Branco” do Programa Nuclear Brasileiro é elaborado, com o objetivo de promover a construção de Reatores Nucleares para a geração de energia elétrica no Brasil a médio e longo prazo.
  • 1978 – É criado o Instituto Brasileiro da Qualidade Nuclear (IBQN), organização sem fins lucrativos, com o objetivo de trazer para o Brasil as mais modernas técnicas de Garantia da Qualidade, contribuindo para o aperfeiçoamento tecnológico e gerencial das empresas e organizações brasileiras então envolvidas no Programa Nuclear Brasileiro (PNB).
  • 1980 – Decreto 85565, de 18 de dezembro de 1980, regulamenta o Decreto-lei 1809, de 07 de outubro de 1980, que estabelece o Sistema de Proteção ao Programa Nuclear Brasileiro (SIPRON).
  • 1982 – Marco zero da entrada definitiva do país na era nuclear. Iniciou-se o funcionamento da unidade I da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto mais conhecida como Angra I.
  • 1983 – Contrato assinado com a empreiteira Andrade Gutierrez, visando concluir a construção de Angra 3, depois de um longo debate sobre a conveniência de levar adiante o programa nuclear brasileiro.
  • 1986 – O acidente de Chernobyl abala a opinião pública mundial sobre energia nuclear. No Brasil, o presidente José Sarney vem a público, em pronunciamento oficial, informar que o país dominara o ciclo de enriquecimento de urânio com tecnologia 100% nacional.
  • 1989 – Um estudo realizado pelo Congresso norte-americano concluiu que o Brasil produziu, graças ao Programa Nuclear Paralelo, um sistema para guiar mísseis que poderia tornar a próxima geração de mísseis do país idêntica aos que as superpotências possuiam.
  • 1990 – Tem início a retomada do Programa Nuclear Brasileiro, com a construção da usina nuclear Angra 2, que viabilizou projetos da INB como a implantação das fábricas de pó e pastilhas, o início da planta de enriquecimento de urânio e a abertura de nova mina de urânio, em Caetité (BA).
  • 1994 – Brasil renuncia ao desenvolvimento de armas nucleares, e o objetivo do enriquecimento de urânio a 20% no país, é a fabricação de combustíveis que alimentam os reatores de radioisótopos.
  • 1997 – O Brasil, na pessoa do presidente Fernando Henrique Cardoso, assina o Tratado de Não Proliferação Nuclear, que o obriga, dentre outros, a aceitar inspeções internacionais em suas instalações nucleares e não desenvolver tecnologia nuclear com fins bélicos.
  • 2004 – O Brasil proíbe inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão ligado à ONU, de ter acesso ilimitado às instalações da fábrica de enriquecimento de urânio, gerando tensão internacional. O presidente Lula determinou que o governo iniciasse a revisão do Programa Nuclear Brasileiro, com vistas à retomada ou não dos projetos de construção de usinas.
  • 2005 – A revisão do Programa Nuclear Brasileiro conta com planos de construção de outras duas grandes usinas e quatro geradoras de pequeno porte.
  • 2006 – O Brasil entra para o seleto grupo de sete países que produzem e dominam a tecnologia de combustível nuclear. Isso foi alcançado com a inauguração da primeira unidade de enriquecimento de urânio por ultra-centrifugadoras, de tecnologia nacional, instalada nas Indústrias Nucleares do Brasil (INB), em Resende, na região sul fluminense, com capacidade de abastecer as usinas de Angra I e II e, futuramente, Angra III.
  • 2007 – O Brasil anunciou o relançamento do seu Programa Nuclear após uma interrupção de vinte anos e a construção da sua terceira central atômica.
  • 2008 – O governo publicou, no Diário Oficial da União, decreto que cria o Comitê de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro, sob responsabilidade da Casa Civil. O Brasil e a França assinam um grande acordo global na área de defesa, numa parceria que envolve aquisição de quatro submarinos convencionais e um de propulsão nuclear.
  • 2009 – O Governo Federal aportou R$ 1,3 bilhão, ao longo de dez anos, a para que a Marinha complete o desenvolvimento da tecnologia de reatores a serem usados no submarino nuclear e em pequenas centrais nucleares. Enquanto isso, o Brasil é pressionado a assinar o protocolo adicional ao TNP, considerado por vários setores como “gravemente intrusivo”.
  • 2010 – O programa nuclear brasileiro, assim como os desenvolvidos na Argentina, África do Sul e Índia, é considerado um dos mais avançados do mundo, e o país tem capacidade de enriquecer urânio a 20% de acordo com as normas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Em maio, Brasil e Turquia conseguem assinatura de acordo para troca de combustível nuclear com o Irã.

Parte I

Parte II

Parte III

Parte IV

Parte V

Parte VI

Parte VII

Parte VIII

Referências Bibliográficas


AMBIENTE BRASIL. Brasil cria rede para pesquisar fusão nuclear como alternativa energética. Disponível em: http://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2006/11/09/27748-brasil-cria-rede-para-pesquisar-fusao-nuclear-como-alternativa-energetica.html. Acessado em 28/04/2010.

ANGELO, CLAUDIO; GARCIA, RAFAEL. Brasil projeta super-reator nuclear. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u574275.shtml. Acessado em 28/04/2010.

CARDOSO, ELIEZER de M. Aplicações da Energia Nuclear. Disponível em:

http://www.cnen.gov.br/ensino/apostilas/aplica.pdf. Acessado em 11/03/2010.

CARDOSO, ELIEZER de M. Radioatividade. Disponível em: http://www.cnen.gov.br/ensino/apostilas/radio.pdf. Acessado em 11/03/2010.

CNEN, COMISSÃO NACIONAL DE ENERGIA NUCLEAR. Licenciamento, Fiscalização e Descomissionamento. Disponível em: http://www.cnen.gov.br/lapoc/tecnica/licfisc.asp. Acessado em 28/04/2010.

COMCIENCIA.COM. Tabela comparativa das fontes de energia. Disponível em:

http://www.comciencia.br/reportagens/nuclear/nuclear20.htm. Acessado em 12/03/2010.

DANTAS, VERA. Um novo horizonte para a INB. Revista Brasil Nuclear, ano 14, num. 33. Disponível em: http://www.aben.com.br/html/topico.php?Cd_Revista_Topico=99. Acessado em 15/03/2010.

ELETRONUCLEAR. Panorama da energia nuclear no mundo. Disponível em: http://www.eletronuclear.gov.br/pdf/panorama.pdf. Acessado em 15/03/2010.

Estado de São Paulo, O. Especiais: O programa nuclear brasileiro. Disponível em: http://www.estadao.com.br. Acessado em 12/03/2010.

GLOBO, O. Brasil cede operação de estaleiro. Disponível em: http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/09/04/brasil-cede-operacao-de-estaleiro-odebrecht-tera-50-das-cotas-estatal-francesa-49-767487254.asp. Acessado em 02/04/2010.

GONÇALVES, ODAIR D. Programa Nuclear Brasileiro: passado, presente e futuro. Disponível em: https://sistema.planalto.gov.br/siseventos/viienee/exec/arquivos/ANAISVIIENEE_INTERNET/03CIENCIAETECNOLOGIA/MESA35PROGRAMASNACIONAIS/MESA35APRESENTACOES/OdairNuclear.pdf. Acessado em 20/03/2010.

Instituto de Estudos Avançados. Fundamentos da Energia Nuclear. Disponível em: http://www.ieav.cta.br/enu/yuji/nuclear.php. Acessado em 15/03/2010.

INSTITUTO DE RADIOPROTEÇÃO E DOSIMETRIA. BRASIL CRIA REDE PARA DESENVOLVER FUSÃO NUCLEAR CONTROLADA. Disponível em http://www.ird.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=62&catid=1. Acessado em 28/04/2010.

Instituto Sagres. Evolução do Programa Nuclear Brasileiro. Disponível em: http://www.sagres.org.br/biblioteca/evolucao.pdf. Acessado em 14/03/2010.

Kuramoto, RENATO Y. R.; Appoloni, CARLOS R. Uma breve história da política nuclear brasileira. Disponível em: http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/fisica/article/viewArticle/6612. Acessado em: 14/03/2010.

KURAMOTO, EDSON. Mais urânio na cesta energética brasileira. Revista Custo Brasil, Edição 17. Disponível em: http://www.revistacustobrasil.com.br/17/pdf/Artigo%2005%20-%20Energia.pdf. Acessado em: 28/04/2010.

Marinha do Brasil. Programa Nuclear da Marinha. Disponível em:

http://www.mar.mil.br/pnm/pnm.htm. Acessado em 16/03/2010.

Nuclear Tecnologia e Consultoria. A Energia Nuclear no Brasil. Disponível em: http://www.nuctec.com.br/educacional/enbrasil.html. Acessado em 15/03/2010.


Anúncios

2 Respostas to “A história da energia Nuclear Parte VII”

  1. Percebe-se assim que nosso esforço para dominar o ciclo de produção, enriquecimento e utilização de combustíveis nucleares está completa e que foi um esforço de mais de 50 anos.. Parabéns a todos os que se esforçaram para que isso ocorresse…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: