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Novos dissidentes se voltam contra estrangeiros no Japão

In Conflitos, Geopolítica on 31/08/2010 by E.M.Pinto Marcado: ,

https://pbrasil.files.wordpress.com/2010/08/xenofobia.jpg?w=300

Sugestão: Gérsio Mutti

Grupo de extrema-direita faz manifestações pela internet e levanta bandeira contra coreanos e seus descendentes

Os manifestantes apareceram em um dia de dezembro, no momento em que as crianças de uma escola primária para coreanos se preparavam para o almoço. O grupo de cerca de uma dúzia de homens japoneses se reuniu em frente ao portão da escola, usando megafones para chamar os estudantes de baratas e espiões da Coreia.

O episódio foi o primeiro de uma série de manifestações na Escola Elementar Coreana de Kyoto Número 1, que chocou o Japão, um país avesso a conflitos, onde mesmo manifestantes políticos mais radicais devem evitar envolver cidadãos comuns, especialmente crianças.

Respondendo à indignação pública, a polícia prendeu quatro dos manifestantes este mês sob a acusação de prejudicar a reputação da escola.

Mais significativamente, os protestos também assinalaram o surgimento de um novo tipo de grupo ultranacionalista no Japão. Os grupos veiculam uma mensagem abertamente contra estrangeiros e não têm medo de chamar a atenção através de indisciplinados protestos de rua.

Protestos

Desde sua primeira aparição no ano passado, os protestos foram dirigidos não apenas ao meio milhão de coreanos que vivem no Japão, mas também a chineses e outros trabalhadores asiáticos, cristãos devotos e mesmo ocidentais em trajes de Halloween.

A mídia local apelidou esses grupos de extrema-direita da net, porque eles se organizam livremente através da internet e se reúnem apenas para os protestos. Eles são uma comunidade virtual que mantém seu próprio site para anunciar os horários e os locais de protestos, trocar informações e gravações de vídeo de suas manifestações.

Embora esses grupos permaneçam um pequeno, ainda que barulhento, elemento marginal, recebem cada vez mais atenção por serem um efeito colateral preocupante da longa recessão econômica e política do Japão.

A maioria de seus membros é jovem, muitos deles vivendo com a baixa remuneração de trabalhos de meio período ou temporários que têm proliferado no Japão nos últimos anos.

Neonazismo?

Embora alguns aqui comparem esses grupos aos neonazistas, sociólogos dizem que eles são diferentes porque não têm uma ideologia agressiva de supremacia racial e até agora têm tido o cuidado de evitar a violência. O principal objetivo do grupo de extrema-direita da net tem sido expressar sua frustração, tanto a respeito da estatura diminuída do Japão quanto em suas próprias dificuldades financeiras.

Eles também são diferentes dos grupos ultranacionalistas japoneses, que são vistos comumente, mesmo na Tóquio de hoje, vestindo uniformes paramilitares e dirigindo caminhões pretos com alto-falantes que tocam música marcial. Essa tradicional extrema-direita, que tem raízes que remontam pelo menos ao auge do militarismo japonês em 1930, é agora uma parte tacitamente aceita do estabelecimento político conservador local.

Sociólogos os descrevem como parte de uma espécie de mecanismo não-oficial para impor a conformidade no Japão do pós-guerra, tendo como alvo japoneses que eram vistos como por demais à esquerda ou outros grupos que os incomodavam, tais como embaixadas de países com os quais o Japão tem disputas territoriais.

E seus membros têm agido rapidamente para se distanciar da extrema-direita da net, que julgam ser formada por amadores e agitadores das massas. “Se o Japão não fizer algo para impedir essa linguagem de ódio, o que vai acontecer em seguida?”, questionou Park Chung-ha, 43 anos, que lidera a associação de mães da escola.

*Por Martin Fackler

FONTE: ÚLTIMO SEGUNDO

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9 Respostas to “Novos dissidentes se voltam contra estrangeiros no Japão”

  1. Eu acho estranho, ninguem comentar o preconceito ou xenofobia no japão.
    Eles odeiam os descendentes japoneses que saem daqui para “carregar caixa” lá no japão.

    Enquanto isso vários deles vieram e vem para nosso país Brasil, e ficam ricos ou numa condição boa, pois nosso pais não joga sujo como eles jogam….

  2. Não sou descendente de japoneses, trabalhei lá muitos anos e em muitos lugares, mas nunca mexeram comigo, o pessoal do caminhão e onibus preto realmente existe (quem mantem eles são as empresas) mas eles não estão preoculpados com os dekasengues, o negócio deles é os chineses, coreanos e a docilidade do povo em relação a conflitos, amo o Brasil mas para morar com tranqulidade lá é muito melhor.

  3. Galileu:

    Não generalize. Como existem paulistanos visão curta que não gostam de migrantes, existem sim japoneses que não gostam de extrangeiros em geral. Os brazucas que aqui estão, são reconhecidos pela maioria pela força de trabalho, e não digo “carregar caixas”, mas serviços iguais ao da grande maioria dos japoneses, pois em todos esses anos mostramos que temos competência para tal, e até melhor. Pelos anos que vivo por aqui, vi que os japoneses são indiferentes até mesmo com os vizinhos, batendo papo entre eles muito eventualmente.
    Anos atrás houve uma rixa entre brazucas e manifestantes da ultra-direita, quando brasileiros incendiaram dois onibus que usavam para manifestos, com megafones. Ficou por isso mesmo.

  4. E por falar em xenofobia, não foram somente os japoneses que foram e vão para o Brasil, mas também portugueses, espanhois, alemães, italianos, árabes, judeus, chineses, americanos, enfim, todos aqueles que agora compõe o povo brasileiro. Ou será que temos pedigree?

  5. talvés alguém tenha notado,após a dita maior economia do mundo balançar,intensificaram esse tipo de manifestaçao.perseguiçao de imigrantes ilegais no arizona. morte de mais de 70 imigrantes ilegais na fronteira com o mexico.alguns paises da europa com problemas com imigrantes de uma forma geral,em especial muçulmanos. e agora + essa no japao…alguém já viu um filme parecido?

  6. É da natureza humana, isso. Os países desenvolvidos são os que mais sofrem da crise. E também são os que mais tem problemas de imigração, quer legal ou ilegal. Em tempos de crise nacional, a tendência de um povo é a de se retrair. É da natureza humana, como disse; não há “política social” que mude isso. Quando se se sente ameaçado, adota-se uma visão de mundo radical, uma posição de autodefesa que inclui hostilidade àquilo que é diferente – porque aquilo que é diferente é visto como ameaçador. Foram milhões de anos de evolução que ensinaram isso ao homem e aos seus antecessores, isto é, que o “diferente” é um competidor, uma ameaça. Em tempos de bonança, pode-se ignorar esse instinto porque não há perspectiva de ameaça. Agora, em crise a coisa muda.

    Nos EUA é que a gente vê isso. A cabeça dos americanos anda muito bagunçada, e talvez hoje mais do que nunca. Não só estão em crise econômica. Estão vendo uma mudança cultural no país com um certo grupo demográfico – o dos hispânicos – aumentando suas cifras lá; estão vendo a influência geopolítica dos EUA encolher à medida que a da China aumenta; etc. Desse jeito, eles endoidam. Vê-se isso na discussão da construção da mesquita perto do Ground Zero. Eles, principalmente os conservadores entre eles, enchem o peito pra se gabar da liberdade religiosa do seu país; mas agora adotam uma posição hostil em relação à tal mesquita, uma posição que vai de encontro aos valores de liberdade religiosa que eles dizem defender. Eles estão tão confusos, que não conseguem ver o conflito entre sua teoria e sua prática.

    Foi isso o que aconteceu em certos países da Europa nas décadas de 30 e 40. A qualquer povo do mundo, pode suceder o que aconteceu com os alemães nessa época. A crise econômica e a humilhação nacional corroeram a cultura cosmopolita que existia um pouco antes dessa época. E em lugar dessa cultura, brotou um ultranacionalismo hostil.

  7. CANINOS SAM,NÉ.

    Quando tudo vai mau,sempre há pessoas que buscam a solução no ódio e nas trevas da tolice.
    pegar alguém com boi para piranha é muito usado no primeiro mundo,depois nós somos os macacos,índios,terceiro mundo.
    O “complexo de vira-lata”,que aqui encontramos em nosso meio,também vemos na França,Inglaterra,Japão,EUA,…

  8. Kanis Dirus :
    Não sou descendente de japoneses, trabalhei lá muitos anos e em muitos lugares, mas nunca mexeram comigo, o pessoal do caminhão e onibus preto realmente existe (quem mantem eles são as empresas) mas eles não estão preoculpados com os dekasengues, o negócio deles é os chineses, coreanos e a docilidade do povo em relação a conflitos, amo o Brasil mas para morar com tranqulidade lá é muito melhor.

    É essa atitude q leva os N.Coreanos a procurar o revanche sobre o japão.Sds.

  9. A crise econômica e o desemprego gerando suas consquências entre a população sem perspectivas de futuro…

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