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Sistema de mísseis ASTER

In Defesa, Mísseis, Plano Brasil, tecnologia on 01/09/2010 by bosco123 Marcado: , , ,

https://i1.wp.com/www.fas.org/man/dod-101/sys/missile/row/aster-30.jpg

Autor: Bosco123

Plano Brasil

A família de mísseis ASTER fabricada pelo consórcio  EUROSAM, formado pela MBDA e pela Thales,  tem o mérito de ter feito a Europa deixar de ser coadjuvante no que se refere a mísseis antiaéreos de médio e grande alcance.

Embora a Europa tenha sido prolífica no desenvolvimento de mísseis para a defesa de baixa altitude, sempre esteve um passo atrás dos Estados Unidos e da Rússia (URSS) no que se refere a mísseis de performance mais expandida.

O sistema de mísseis ASTER promete assegurar uma defesa eficiente contra todas as ameaças esperadas até pelo menos, meados desse século, sejam elas aviões de asa fixa de alta performance, helicópteros, UAVs, mísseis cruise (subsônicos e supersônicos), mísseis balísticos de curto alcance, e futuramente, até mísseis balísticos de médio alcance.

O sistema ASTER conta com os mísseis de lançamento vertical ASTER 15 e ASTER 30, sendo aptos para uso naval e terrestre (lançadores móveis autopropulsados).

https://i0.wp.com/navy-matters.beedall.com/images/aster-scalp.jpg
Mísseis ASTER 15 e ASTER 30.

O sistema mostrou-se extremamente prático, sendo os mísseis formados por dois estágios. O primeiro estágio, ou booster, de combustível sólido e dotado de TVC,  varia conforme a versão e é descartado após lançar e acelerar o míssil; e o segundo estágio, ou estágio terminal, chamado de “ASTER Dart”, que consiste no míssil propriamente dito, também de combustível sólido, e que efetivamente intercepta o alvo.

O “ASTER Dart” tem 180 mm de diâmetro, 110 kg de massa total e uma ogiva de fragmentação de 15 kg.

https://i2.wp.com/www.occar-ea.org/media/intemplate/10_SAAM_F_2.jpgCorte esquemático mostrando os componentes do “ASTER Dart’

O míssil ASTER 15 tem uma massa de 310 kg e é formado pelo “míssil propriamente” (ASTER Dart), combinado com um primeiro estágio (booster) de 200 kg que lhe confere um alcance máximo de 30 km e cobre a média altitude (10/12 km), com velocidade de Mach 3.5.  Será usado na defesa de ponto e de área curta de navios de superfície.

https://i0.wp.com/upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/0d/MBDA_Aster_p1220947.jpg/300px-MBDA_Aster_p1220947.jpgMíssil Aster

O míssil ASTER 30 tem uma massa de 450 kg, tendo um primeiro estágio maior, pesando 340 kg, o que lhe confere um alcance máximo em torno de 100 km, cobrindo altitudes de até 20 km, em velocidade de Mach 4.5. Será usado na defesa de área naval e no sistema SAMP-T, de defesa antiaérea terrestre, montado em um lançador vertical autopropulsado com 8 células. Tem inclusive capacidade ATBM (antimíssil balístico tático).

https://i1.wp.com/lh4.ggpht.com/_tUKHjRf5STU/RoFzBFM-paI/AAAAAAAAF-8/2h-5Cw4Ykjg/IMGP3370.jpgLan%C3%A7ador%20SAMP-T

https://i1.wp.com/img201.imageshack.us/img201/2504/dddem7.jpg

Lançador Vertical

Esse sistema de mísseis possui uma cabeça de busca por radar ativo,  não sendo necessário que o alvo seja “iluminado” por um radar externo. Conta com uma plataforma inercial avançada e é capaz de receber atualizações de meio curso via data-link (uplink) do radar de direção de tiro de modo a corrigir sua trajetória em direção a alvos distantes, velozes e manobráveis, até que a cabeça de busca autônoma assuma o comando do míssil.

https://i2.wp.com/armeesfrancaise.chez.com/missiles/aster/images/aster2.jpg

Esquema de funcionamento do comando e controle do míssil ASTER

Uma inovação dessa família de mísseis é a combinação das tradicionais superfícies aerodinâmicas móveis de controle com um sistema ativo de controle por vetoração de empuxo situado no centro de gravidade do míssil, onde há 4 bocais de escape de jato, sistema este denominado PIF-PAF (controle por vetoramento de empuxo – controle aerodinâmico), que confere extrema manobrabilidade em todas as fases da trajetória após a liberação do booster, possibilitando um alto índice de sucesso, inclusive com impacto direto (hit-to-kill), desejável na interceptação de mísseis balísticos.

https://i2.wp.com/www.occar-ea.org/media/intemplate/10_SAAM_F_3.jpgDiagrama mostrando o funcionamento do sistema de vetoração de empuxo (PIF) do “ASTER Dart”


Diagrama mostrando a localização do sistema PIF-PAF

Novas versões prometem ser eficientes contra mísseis balísticos de alcance médio (MRBM), liberando um terceiro estágio dotado de um “veículo de destruição cinética” para altitude muito alta/quase exoatmosférica, a exemplo do míssil americano THAAD. Tal versão é conhecida hoje como ASTER 30 Block II, mas deverá receber a denominação de ASTER 45.

https://i1.wp.com/www.aviationweek.com/media/images/defense_images/OriginalContext/AsterBlock2MBDA.jpgFutura versão eficiente contra MRBM.

A combinação dos dois mísseis (ASTER 15 e ASTER 30) para a defesa naval, cobrindo tanto a defesa de ponto quanto a defesa de área, é denominada de PAAMS (ou Sea Viper no Reino Unido) e será usado pela Itália, França, Reino Unido e Singapura em navios de defesa aérea, sendo lançados dos lançadores verticais SYLVER (Sistema de Lançamento Vertical) com módulos de 8 células cada.

https://i1.wp.com/regmedia.co.uk/2009/06/03/type_45_destroyer.jpgDestróier Type 45 da Royal Navy que usa o sistema PAAMS.


https://i2.wp.com/www.segurancaedefesa.com/IMG_3830A.JPGLançadores SYLVER

https://i0.wp.com/img707.imageshack.us/img707/8739/12408mu2.jpgIlustração dos Lançadores SYLVER embarcados nas Fragatas Fremm

Já o ASTER 15 será usado de forma isolada na defesa de alguns navios (SAAM), notadamente no porta-aviões Charles de Gaulle e nas fragatas FREMM, dentre outros. Também usará os lançadores SYLVER.

As versões navais são compatíveis com uma série de radares avançados de origem europeia, tais como o ARABEL, EMPAR e SAMPSON.

A versão lançada de terra, designada de SAMP-T (Sol-Air Moyenne Portée-Terrestre), desdobrada em caminhões, usará o radar giratório ARABEL, de varredura eletrônica operando na banda X, para vigilância e direção de tiro, com alcance de 75 km para alvos de RCS de 2 m2. O radar pode rastrear até 300 alvos e o sistema pode atacar até 16 simultaneamente. Deverá inicialmente ser usada pela França e será um forte competidor do MEADS.

http://img.blog.yahoo.co.kr/ybi/1/24/56/shinecommerce/folder/39/img_39_27348_3?1267576655.jpgTeste de lançamento de um ASTER 30 de um SAMP-T.

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15 Respostas to “Sistema de mísseis ASTER”

  1. Muito padrão a matéria, Bosco, parabéns….

    Se me recordo, o sistema de vetoração de empuxo também é utilizado no sistema Thor (SA-15 “Gauntlet”), por acaso, o Brasil pretendia negociar com a Rússia.

    Felicidades!

  2. Muito boa a materia!
    Alguem poderia responder se o Brasil tem algo pelo menos parecido com isso ???
    Tanto no mar quanto terrestre??? a ávibras sei lá!!!
    Abração

  3. Vympel,
    O SA-15 do sistema TOR, a exemplo de muitos outros, conta com um sistema de vetoração de empuxo.
    Quando citei ser “inovador” o vetoramento do empuxo para os mísseis ASTER foi em relação ao método usado, dotado de 4 bocais situados no centro de gravidade.
    O método adotado pelo SA-15 é o de minifoguetes situados na seção frontal, provavelmente combinando com o vetoramento da tubeira de escape.

    Mateus,
    Temo que o Brasil ainda não possua nada parecido.
    O míssil sup-ar de performance mais próxima seria o Aspide 2000 do sistema Albatros instalado nas 6 Fragatas classe Niteroi. Eles possuem um alcance de 15 km.

    Um abraço aos dois.

  4. Valeu Bosco!!!
    Isso que me preocupa, nos sites comentamos muito sobre noticias de armas de outros Paise! falam que nossas empresas são de ponta, mas nenhuma coloca algum projeto com ex( k-390), da embraer…
    Isso que me preocupa… mas fazer o que… comecei a acompanhar a pouco tempo a questão da DEFESA NACIONAL.
    Abração e valeu

  5. Vympel,

    Complementando nosso papo, “Vetoramento de empuxo” é quando os gases do motor principal são direcionados por algum método, sejam bocais móveis, defletores de jato, “orifícios” de exaustão lateral, etc
    A rigor, o método de “controle de atitude” usado no SA-15, assim como no Patriot PAC-3, por exemplo, não configura “vetoramento de empuxo” por usar foguetes independentes do motor principal.
    Seria mais correto nesse caso chamarmos o método de “controle ativo de atitude por meio de foguetes direcionais”. rsrsrsr
    Já o ASTER usa o fluxo proveniente da queima do propelente do motor principal para o controle de atitude, onde parte dele é orientado para bocais exaustores situados no centro de gravidade do míssil e controlado por um sistema de válvulas, portanto, efetivamente é um método de “vetoramento de empuxo”, assim como o são os métodos usados no míssil R-73, AIM-9X, ESSM, etc, e nos caças Su-30, F-22, etc.

    Outro abraço.

  6. Vem nas FREMM?!?! OBA!
    mais uns 20-30 sistemas terrestres ficariam legais aqui…
    A instalacao dos mesmos em barcos na Amazonia tbm é bacana…

  7. Belíssimo!!!
    Excelente matéria!!!
    Quando os nossos chegam?

  8. valew mestre bosco

  9. Gostei, até as fotos são impressionantes, qdo teremos algo parecido em n FAs.Sds.

  10. Eu gostei deste sistema com 4 bocais no centro de gravidade( é como colocar um lápis deitado no dedo sem fazer ele cair de um lado ou do outro, isso é o centro de gravidade para quem não entendeu e não conhece o tema ainda), e pelo que eu entendi eles podem ser usados simultaneamente ou não, e isso pode aumentar em muito a manobrabilidade do míssil.

    O que eu não encontrei bosco velho foi o caso da altitude do Aster 30, e não posso tomar por base o consumo em decolagem com o modelo 15, pois o míssil 30 é mais pesado também, e assim deve consumir mais combustível do Booster que também é mais “Gordo”, e isso influencia na fuga contra a resistência da gravidade em decolagem… decolagem não, vetoramento de empuxo hehe… mas é o mesmo na prática, mas segundo alguns na internet chega a uns 25-30 KM…mas eu sou cético, pois todas estas relações entre e potência tem uma influencia bestial na decolagem, que é o ponto de maior consumo de combustível.

    Pessoalmente prefiro o vetoramento por ar comprimido(ou o futuro magnético) como os dos Russos THOR e outros, mas pra MB este sistema vai bem, mesmo que tenha as suas desvantagens…

    Quanto as FREMM creio que devam ter um sistema de “recarga” dos mísseis, pois 32 ou até mesmo 50.60 são poucos em um campo de batalha, e o inimigo vai usar próprio esta técnica contra uma frota, a saturação missilistica, vão utilizar um monte de misseis para fazer as FREMM ou outra nave utilizar todas as unidades disponíveis até que fiquem “a seco”… mas este é um problema velho quanto os mísseis embarcados, resta o fato que seria ótimo pra gente ter as FREMM com todos os 3 modelos(15,30 e este novo 75).

    Em terra prefiro as plataformas russas, são mais “rusticas” que as ocidentais e isso gera maior confiabilidade… pelo menos a olho.THOR, Pantsir, S-200 e assim vai… na terra seja claro, mas é mais gosto pessoal mesmo!

    Valeu pela matéria, grande Bosco!

    Valeu de novo! :wink:

  11. Carlos,
    Se tivermos mesmo navios de defesa aérea eu acho que provavelmente serão equipados com o sistema PAAMS. Agora quando, só deu sabe. rsrsrs
    Um abraço.

    Francorp,
    Eu sou fã dos sistemas russos Pantsir e Tor, que não possuem similar no Ocidente.
    Quanto ao lançamento à frio, usando ar comprimido, etc, também acho muito interessante. Claro que como tudo no mundo, existem vantagens e desvantagens, mas não posso negar que um lançamento de um míssil “à frio”, do ponto de vista estético, é espetacular.
    O ASTER usa o lançamento “à quente”, acionando o motor foguete ainda dentro do tubo de lançamento.
    Um grande abraço meu amigo.

  12. Francoorp,
    Bem lembrado. Não havia colocado a altitude operacional do ASTER 30 mas já corrigi no texto. É descrita como sendo de 20 km.
    Hoje em dia tem-se notado que os mísseis estão ficando menores, mas o envelope cinético fez foi aumentar.
    Isso se deve a avanços dos propelentes (mais energéticos, com maior impulso específicio, etc) e a uma melhor compreensão das interrelações de massa X aerodinâmica X motorização.
    Como você mencionou um míssil mais pesado precisa de mais potência e no processo fica mais pesado e maior, e consequentemente menos aerodinâmico, e pra conservar a mesma eficiência precisa de mais combustível, etc, etc, etc, num processo “bola de neve”.
    Há de se conseguir equilibrar esses fatores tendo em vista a carga útil necessária para causar um determinado dano num alvo específico e o alcance em que o alvo deve estar no momento do “impacto”, dentre outros.

    Um abraço.

  13. Pois é…

    A escolha pela Marinha do ASTER, enquanto o Exército manifesta sua preferência pelo TOR, nos leva ao dilema antigo da falta de padronização em nossas FFAA.

    Além do mais, gostaria muito que maior atenção fosse dada aos sistemas navais russos e chineses, no que tange a sua adaptação ao projeto franco-italiano de preferência da nossa Marinha, devido ao custo-benefício extremamente favorável.

  14. Ótima matéria!
    Parabéns!

    O caráter jornalístico, elucidativo, sem sugestionamentos sutis, pêndulos diretos ou indiretos na defesa ou propaganda deste ou daquele posicionamento político, neste tipo de matéria, é essencial para favorecer e distinguir o caráter íntegro da analise bem como promover o debate técnico, pois assim, sempre vai respeitar a inteligência do leitor.

    Nota minha:
    Continue com a sua forma de abranger suas matérias que você vai longe!
    PARABÉNS mais uma vez; de zero a dez, 11!
    :)

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