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Acusações de crimes de guerra ameaçam manchar a imagem dos EUA, diz jornal

In Conflitos, Geopolítica, Terrorismo on 20/09/2010 by E.M.Pinto Marcado: , ,

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Sugestão: Rodrigo Couto

Der Spiegel – Marc Hujer

Soldado norte-americano escolta prisioneiro afegão suspeito de pertencer ao Taleban, capturado durante operação no leste do Afeganistão

Cinco soldados americanos estão enfrentando acusações de crimes de guerra, suspeitos de matarem deliberadamente civis afegãos. O escândalo ameaça manchar a imagem dos Estados Unidos no exterior e minar os esforços do presidente Barack Obama de se distanciar dos abusos da era Bush.

Ele costumava se gabar de todas as “coisas” que fez no Iraque e de como era fácil para um soldado americano escapar impune de quase tudo em uma guerra. O sargento Calvin Gibbs, 25 anos, natural do Estado americano de Montana, era o membro de patente mais alta de um grupo de cinco soldados, que ele supostamente apelidou de “equipe matadora”. Gibbs esteve o suficiente no Iraque para saber como impressionar seus colegas soldados. Tudo o que bastava, ele disse para eles em dezembro, era “jogar uma granada” para matar um punhado de afegãos. A equipe matadora aparentemente atirou sua primeira granada em janeiro.

Agora a equipe enfrenta um tribunal militar em Seattle. Os cinco homens, com idades entre 19 e 29 anos, são soldados da 2ª Divisão de Infantaria, estacionada na região de Kandahar. Os homens estão enfrentando acusações de crimes de guerra, incluindo o assassinato premeditado de pelo menos três civis afegãos. Sete outros soldados do batalhão foram indiciados por conspiração ou tentativa de acobertamento. Se condenados, eles podem enfrentar sentenças de prisão, até mesmo prisão perpétua. Os supostos assassinos podem até mesmo ser condenados à pena de morte.

Reputação dos EUA em jogo

Os Estados Unidos têm bons motivos para estarem alarmados. Apesar de ainda não estar claro o quanto as acusações são bem fundamentadas, o caso poderia ter repercussões enormes para todo o país.

Ele envolve mais do que um tribunal impondo uma pena justa a assassinos brutais, e mais do que o cumprimento do código de honra militar e da Convenção de Genebra. Em jogo está a reputação de um país que, após oito anos sob o governo do ex-presidente George W. Bush, vinha buscando se libertar das acusações de fracasso moral. De fato, o caso em Seattle coloca em dúvida se os Estados Unidos realmente superaram os dias em que mancharam sua reputação, com imagens de iraquianos nus forçados a formarem pirâmides humanas na prisão de Abu Ghraib.

Se as acusações forem comprovadas, os crimes cometidos pela equipe matadora foram além da morte de civis afegãos. Na verdade, os homens supostamente conceberam “cenários” para as mortes, o tipo de roteiro que incluía pretextos plausíveis para os assassinatos. Acredita-se que Gibbs tenha sido o planejador, enquanto membros mais jovens da equipe puxavam o gatilho. Os homens aparentemente tratavam as mortes como um esporte.

Eles supostamente atiravam contra suas vítimas com gosto, colecionando troféus, como ossos de dedos da mão e pé, até mesmo um dente. As acusações apontam atos horríveis, sem sentido, que lembram uma velha América, a América da simulação de afogamento, dos escândalos de tortura e da prisão de Guantánamo. Elas também colocam em dúvida o que exatamente mudou desde a campanha eleitoral, quando o então candidato Barack Obama prometeu tanto, incluindo uma abordagem mais responsável para as guerras e o fechamento da prisão militar em Cuba, um símbolo importante dos fracassos morais americanos sob o ex-presidente George W. Bush.

Perda da noção

O escândalo da “equipe matadora” ocorre no pior momento possível, faltando menos de dois meses para as eleições de novembro, eleições que podem ter um preço caro para os democratas de Obama.

Até o momento, os crimes em Kandahar parecem ser casos isolados, sem nenhum indício de que alguém tenha aprovado ou mesmo apoiado os ataques. São ações de jovens rufiões que perderam a noção por causa da guerra. No batalhão que inclui a “equipe matadora”, 33 soldados morreram nas missões de combate contra os insurgentes. Os membros do batalhão experimentaram os horrores da guerra e alguns deles usam drogas, como haxixe, para lidar com eles. Por este ponto de vista, os assassinatos também podem ser vistos como crimes horríveis de soldados enlouquecidos, que estão fora de contato com a realidade.

Coisas semelhantes ocorreram no Afeganistão há quase 30 anos, quando o exército soviético invadiu o país. Assassinatos, roubos e saques eram comuns na época. Os soldados soviéticos desmoralizados roubavam civis afegãos nos postos de controle. Eles frequentemente matavam suas vítimas, alegando serem mujahedeens.

Sentindo-se impotentes diante da resistência dos afegãos, as tropas de Moscou recorreram às drogas e álcool. Após terem perdido suas inibições, eles cometeram atrocidades que nunca esqueceriam. Em setembro de 1982, um grupo de soldados russos queimou 105 aldeões vivos em um canal de irrigação, ao sul de Cabul. Mulheres eram jogadas nuas de helicópteros. Em um incidente particularmente horrível, soldados banharam um menino em querosene e o incendiaram diante dos pais.

Os assassinatos cometidos por soldados americanos em Kandahar também afetam um contexto maior. Eles refletem o sentimento geral, a barbarização que sempre acompanha guerras que duram tanto –no Vietnã, no Iraque e no Afeganistão.

‘Preciso manter isso em segredo’

Quando os homens da equipe matadora supostamente atacaram sua primeira vítima, Gul Mudin, em 15 de janeiro, foi como se estivessem atirando contra alvos de prática de tiro. Quando viram Mudin à beira do campo de papoula, Gibbs supostamente ordenou a um dos soldados que atirasse uma granada por sobre o muro e então ordenou a um soldado mais jovem que abrisse fogo. Mas isso foi só o início. Em 22 de fevereiro, Gibbs supostamente atirou em Marach Agha durante uma patrulha e então colocou um rifle Kalashnikov ao lado do corpo, para fazer com que parecesse ter sido em autodefesa. Mais de dois meses depois, em 2 de maio, a equipe aparentemente atirou em sua última vítima, o mulá Adahdad.

Mas como os oficiais de comando souberam? Como o exército realizou a investigação dos assassinatos? Ou na verdade tentou varrer os crimes para baixo do tapete? O pai de Adam Winfield, um dos cinco suspeitos, alega ter alertado a liderança militar meses atrás. Christopher Winfield diz que recebeu a seguinte mensagem no Facebook de seu filho, em 15 de janeiro, a data do primeiro assassinato: “Eu não sei ao certo o que fazer a respeito de algo que aconteceu aqui, mas preciso manter isso em segredo”.

Um mês depois, em 14 de fevereiro, Adam Winfield escreveu uma mensagem ao seu pai dizendo que sua unidade tinha matado “um sujeito inocente mais ou menos da minha idade”, que estava apenas trabalhando no campo. Gibbs aparentemente interpelou Winfield posteriormente, quando ele tentou conversar com um capelão, e o alertou para ficar calado.

O Pentágono disse pouco a respeito do caso. “É algo desalentador de ouvir caso seja comprovado”, disse um porta-voz para a agência de notícias “The Associated Press”, quando perguntado a respeito dos alertas de Christopher Winfield, que aparentemente não foram levados a sério. “Se alguém tenta nos contatar para evitar um problema potencial, isso é algo a que damos atenção.”

Extremamente lamentável

A Otan não está disposta a comentar oficialmente a respeito dos incidentes. “Uma investigação criminal está em andamento”, diz um porta-voz. “Nós não comentamos procedimentos em andamento.” É claro, acrescenta o porta-voz, o caso é extremamente lamentável.

Notícias de atrocidades como essas, cometidas por soldados internacionais que supostamente deveriam levar estabilidade e justiça ao Afeganistão, têm um efeito particularmente sério em seu país, diz Nader Nadery, da Comissão Independente de Direiros Humanos Afegã. Por outro lado, ele acrescenta, a investigação contra os soldados nos Estados Unidos mostra “que essas atrocidades não passam impunes, e que os homens serão julgados por sua conduta imprópria”.

Mas não é exatamente reconfortante saber que os casos aparentemente só vieram à tona quando um soldado informou ao seu oficial superior que alguns homens de sua unidade estavam fumando haxixe. Ele aparentemente foi espancado pelos demais membros do pelotão por fazê-lo.

Crimes não relatados

É claro, o caso em Kandahar também coloca em dúvida o que realmente sabemos a respeito da verdadeira extensão dos crimes em tempos de guerra, a respeito de todos os delitos que nunca são relatados e todos os perpetradores que nunca são levados à Justiça. Um corporativismo já está novamente tomando conta. Vários soldados já estão negando que assassinatos foram cometidos no Afeganistão, insistindo que foram apenas atos de autodefesa.

Jeremy Morlock, o membro mais jovem da equipe de Gibbs e a principal testemunha do processo, também parece estar reconsiderando seu testemunho. Seu advogado, Michael Waddington, argumenta que as declarações de Morlock devem ser rejeitadas, porque ele supostamente estava sob a influência de medicamentos prescritos quando as fez.

Segundo o advogado de Gibbs, seu cliente insiste que todas as mortes foram “ações de combate apropriadas”.
Tradução: George El Khouri Andolfato

Fonte: Portal Uol via Vitrine do Tocantins

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9 Respostas to “Acusações de crimes de guerra ameaçam manchar a imagem dos EUA, diz jornal”

  1. rs..rs..rs.. Não sei porque, mas acho que já ouvi essa história sendo contada em outro cenário(Iraque). Porque será que Kandahar me lembra Falluja???

  2. Esses Americanos me dão nojo,agora o que o Barack Obama vai fazer??Emcobrir a maior parte dos casos alegando que pode ser perigosos para os amados soldados americanos??Sera que eles não tem preparação mental??Esse e o exercito mais bem preparado do mundo,que muitos pro-americanos defendem com tanta arrogancia.KKKKKK o mais engraçado e dizer que vai manchar a imagen dos Estados Unidos,uma imagen que ja manchada des de quando jogaram a bomba atomica no japão,coisas assim jamais serão esquecidas com o tempo.A pouco tempo eles tavão dando a seguinte declaração”Que os Estados Unidos e um pais que defende os oprimidos assim como defende a demogracia mundial que e essencial que no seculo XXI eles continuem na liderança mundial que eles so querem a paz mundial”KKKKK esses pais vai de pior a pessimo exemplo mundial.O soldado da foto tem uma cara de retardado.^_^

  3. Roberto_mg_bh :
    rs..rs..rs.. Não sei porque, mas acho que já ouvi essa história sendo contada em outro cenário(Iraque). Porque será que Kandahar me lembra Falluja???

    Pq são os msm aSSaSSinos, os msm bandidos, a impunidade, a covardia sobre o + fraco. Cadê a maldita da ONU e seu CS?

  4. Ué, eu gostaria de saber a opnião de alguns colegas que visitam este site e que sempre deixam a intender que a imagem negativa dos USAdos, é perseguição de pessoas que se ligam à esquerda ou algo parecido, eu sempre ouvi falar que por mais que você tenha dinheiro para esconder a sua verdadeira “cara”, mais hora ou menos hora a “máscara” sempre cai, e parte disso se deve à internet que não tem como os USAdos comprar, “subornar”, como eles fazem com a mídia convencional, para que as notícias não cheguem aos seus destinatários, mas como se diz em um ditado popular, MENTIRA TEM PERNA CURTA.

  5. Aprenderam com os israelenses e vice-versa.

    se fossem soldados iranianos, já teríamos milhares de bombas sobre teerã e duzentos mil capacetes azuis de prontidão.

  6. “…Notícias de atrocidades como essas, cometidas por soldados internacionais que supostamente deveriam levar estabilidade e justiça ao Afeganistão, têm um efeito particularmente sério em seu país, diz Nader Nadery, da Comissão Independente de Direiros Humanos Afegã. Por outro lado, ele acrescenta, a investigação contra os soldados nos Estados Unidos mostra “que essas atrocidades não passam impunes, e que os homens serão julgados por sua conduta imprópria”…”

    Tudo o que for descoberto que os culpados sejam punidos.
    Embora muitos sejam “salvos” e logicamente levanta mais esse ódio que há contra os EUA… não será com essas acções que terão a “amizade” do povo afegão… pelo contrario.
    O mais importante é que há sempre alguém que mostra o que acontece, muitos casos estão em investigação, são muitas vezes próprios americanos a denunciar os casos. Estes casos deveriam ser julgado em tribunais civis afegãos porque era única forma de fazer uma justiça verdadeira.

    Nunca julguei toda a América como muitos de vocês a classifiquem, julgo apenas uns “amornais assassinos” esses sim devem pagar por isso e não todo o militar ou cidadão, pois nem todos são iguais. Uma coisa é combater por uma causa que acreditem, seja ela legítima ou não, outra é cometer esses assassinados.
    Um recado aos “amantes” russos que sabem muito bem que essa nação também cometeu muitos crimes e nunca vi ninguém a ser condenado.
    E fazem-me um favor não baralhem equipamento de uma nacionalidade com as atitudes de uns criminosos. Pois se fosse para dizer mal ou não usar nada de países que comentem crimes, hoje andaria nu pelas ruas, nem casa e carro tinha.
    Sds

  7. Vai sujar a imagem ou ja esta mais suja do que pau de galinheiro???

    Vai é sujar ainda mais, pois suja já esta!!

    E os criminosos devem responder ao tribunal de AJA, que foi realizado para isso, veja os servos sendo julgados por crimes de guerra, e os militares e políticos Yankees deveriam seguir a mesma atitude, um julgamento publico por crimes de guerra!

    Mas o teatrinho das vaidades que é a ONU não vai fazer nada contra estes assassinos e criminais… esta tudo dominado, e por isso creio que esta instituição deva acabar de uma vez por todas, pois não serve pra nada!!

    Valeu!!

  8. Francoorp :
    Vai sujar a imagem ou ja esta mais suja do que pau de galinheiro???
    Vai é sujar ainda mais, pois suja já esta!!
    E os criminosos devem responder ao tribunal de AJA, que foi realizado para isso, veja os servos sendo julgados por crimes de guerra, e os militares e políticos Yankees deveriam seguir a mesma atitude, um julgamento publico por crimes de guerra!
    Mas o teatrinho das vaidades que é a ONU não vai fazer nada contra estes assassinos e criminais… esta tudo dominado, e por isso creio que esta instituição deva acabar de uma vez por todas, pois não serve pra nada!!
    Valeu!!

    Leamartine Pinheiro de Souza :
    Seriam corretamente julgados se entregues ao povo afegão para que os mesmos fizessem justiça.
    Agora, repatriá-los para os EUA para que sumam em alguma base militar e depois sejam soltos com outra identidade para não comprometer a imagem nacional, isto não é condenação, muito pelo contrário, É PRÊMIO !!!

    E exatamente isso q vai ocorrer, nada irá acontecer os mesmos,onde estão os presos de torturas na prisão no Irak? Soltos, ou com novas identidades…Onde está essa droga de ONU e seu TPI? Sumiu? Ñ ouvi um só comentário do seu secretário a respeito desses massacres.Essa instituição tbm ñ é confiável. Sds.

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