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Evolução dos armamentos anticarro e antipessoal não-guiados da Federação Russa

In Armas pessoais, Defesa, História, Sistemas de Armas, tecnologia, Terrestre on 19/07/2010 by Vympel1274 Marcado: , , , ,

https://i0.wp.com/www.defence.gov.au/news/armynews/editions/1063/images/images600/10electricarmourdemo.jpgEvolução dos armamentos anti-carro e antipessoal  não-guiados da Federação Russa


Autor: Vympel1274

Plano Brasil

Conhecidos na terminologia militar Soviética/Russa como RPG (Ruchnoy Protivotankovyy Granatomyot – Lançador de Granadas Anticarro Portátil), são sistemas usados inicialmente para derrotar a blindagem de veículos blindados de vários tipos. Com o desenvolvimento de modernas blindagens (laminadas e compostas) e de sistemas de defesa ativa (Trophy, Arena, Drozd e Quick Kill) foi necessário desenvolver novos tipos de RPG, capazes de enfrentar os novos desafios.

Além dos veículos blindados, foi observada a necessidade do apoio da infantaria no campo de batalha, o que levou ao desenvolvimento de uma nova gama de ogivas (termobárica, lança-chamas e fumígenas), além de, com a experiência adquirida em campo de batalha, o desenvolvimento de munições híbridas, que reúnem em uma única munição características de duas ou mais tipos de munições.

Diferentemente de outros países, a Federação Russa investiu muito no desenvolvimento das RPG, conhecidas no ocidente como LAW (Ligth Weapon Antitank – Arma Leve Anticarro), possivelmente devido ao tipo de combate enfrentado durante a segunda guerra mundial, especialmente em áreas urbanas.

É possível determinar três gerações do desenvolvimento dos RPG’s, levando em consideração o desenho, materiais de fabricação e tipos de ogivas desenvolvidas para os lançadores:

1ª Geração – O RPG-7 V1 (e sua variante para as tropas pára-quedistas RPG-16), desenvolvida a partir do RPG-2 e este por sua vez, do alemão Panzerfaust. Os RPG-18 e RPG-22, os quais são um desenvolvimento do LAW M72 66 mm, de fabricação norte-americana, ambos com estrutura telescópica. São dotados com ogivas antipessoal e antimaterial (HE – Alto Explosivo) e anticarro (HEAT – Alto Explosivo Anticarro);

2ª Geração – Os RPG-26 e RPG-27, com estrutura rígida de metal e fibra de vidro, com ogivas dedicadas á penetração de blindagens (HEAT – Alto Explosivo Anticarro);

3ª Geração – Os RPG-7 V2, RPG-28, RPG-29, RPG-30, RPG-32, RShG-1, RShG-2, RPO (A, D , Z e M), MRO e RMG. São sistemas especializados com possibilidade de empregar ogivas anticarro simples e em tandem, ogivas de alto explosivo, ogivas termobáricas, ogivas fumígenas e ogivas lança-chamas.

Uma característica marcante nessa família de armamentos é a desproporcionalidade do custo de fabricação do sistema de armas para o dano infligido nos sistemas de armas (Carros de combate e blindados de transporte de pessoal) do inimigo, ou seja, um RPG-7 com munição PG7 VR, que pode custar US$ 3.000.00 dólares (modelo fabricado pela empresa americana Airtronic, sendo muitas vezes mais caro que as versões Russas), é capaz de desabilitar/destruir um M1 Abrams que custa cerca de US$ 6.000.000.00 de dólares.

Antes de analisar cada tipo de lançador, faz-se importante o entendimento do princípio de funcionamento de algumas ogivas especializadas:

Parte 1 – Ogivas anticarro HEAT: Efeito Munroe

O efeito munroe foi descoberto pelo cientista americano Charles. E. Munroe, o qual foi aproveitado na indústria bélica, na forma de projéteis perfurantes de blindagem. Nesse tipo de projétil,  há uma cavidade cônica que contém a carga explosiva, com  revestimento de  cobre ou alumínio, que detona a uma determinada distância da blindagem, ocorrendo o fenômeno conhecido como “Efeito Monroe”, que resulta na produção de um  jato  fino de metal derretido de altíssima velocidade  (mais de 8230 m/s) que perfura blindagens (padrões) com mais de cinco vezes o diâmetro da ogiva, nela abrindo um orifício de oito a dez vezes o diâmetro do próprio jato. Dentro do carro de combate, há um sopro letal, seguido por um jato divergente de partículas de metal em alta velocidade. O desempenho do projétil HEAT é prejudicado pela  rotação  necessária  para  ser estabilizado e obter precisão, pois o jato é dissipado pela força centrífuga.

Figura 01 – Mostra seccionada de um projétil HEAT, o qual utiliza-se do efeito Munroe para perfuração de blindagem, evidenciando seus componentes.

Figura 02 – Mostra o cone de cobre, o qual tem sua direção invertida pela detonação do explosivo do projétil, surgindo assim, o jato de metal líquido em alta velocidade que perfura a blindagem.

Figura 03 – Mostra seccionada de um projétil HEAT, o qual utiliza-se do efeito Munroe para perfuração de blindagem, evidenciando seus componentes.

Parte 2 – Ogivas antipessoais termobáricas:

A arma termobáricas, que também são chamadas de FAE (Fuel Air Explosives – Explosivos combustível/ar), são ogivas explosivas que produzem uma onda de explosão com uma duração significativamente maior do que aqueles produzidos pelos explosivos convencionais. Isso é útil em aplicações militares, onde aumenta a sua duração e eficiência e causa mais danos às estruturas. Explosivos termobáricos dependem de oxigênio do ar circundante (durante sua detonação, todo o oxigênio existente em um recinto é consumido, matando inclusive quem estiver abrigado contra o efeito explosivo da munição), enquanto que a maioria dos explosivos convencionais consistem de uma pré-mistura de oxigênio-combustível (por exemplo, a pólvora contém combustível de 15% e 75% oxidante). Assim, em uma comparação peso por peso, as FAE tem significativamente mais energia do que os explosivos normais. Sua dependência de oxigênio atmosférico torna impróprios para utilização subaquática ou em condições atmosféricas adversas, mas eles têm vantagens significativas quando implantados em ambientes confinados, como túneis, cavernas e bunkers.


Figura 04 – Sequência de lançamento de uma ogiva termobárica a partir de um RPO-A e seu efeito sobre o alvo.

Parte 3 – Ogivas antipessoais lança-chamas:

Os tipos de ogivas antipessoal com características incendiárias, disparadas por RPO (no caso, o RPO-Z), são classificadas como lança-chamas na terminologia russa. São diferentes dos lança-chamas tradicionais, no sentido que, diferente dos tradicionais, o composto incendiário é levado até o alvo não por jatos de combustível incandescente, e sim por um projétil que, ao colidir com o alvo explode, espalhando na área adjacente do alvo seu composto incendiário contra material ou tropas inimigas.


Figura 05 – Munição incendiária do lançador descartável RPO-A, calibre 93 mm e seu tubo lançador.

Parte 4 – Ogivas híbridas:

A munição HEAT em tandem, ou seja, duas ogivas explosivas em um mesmo eixo, a qual a primeira tem a função de degradar ou destruir a camada externa da blindagem, podendo ser utilizada contra ERA (Explosive Reactive Armour – Blindagem Explosiva Reativa, abrindo assim, caminho para a ogiva principal perfurar a blindagem já degradada pela primeira ogiva. Normalmente, a primeira ogiva tem calibre menor que a segunda (como na munição PG 28V do RPG-28, com 64 e 105 mm).

Figura 06 – Munição HEAT em tandem do RPG-28. Observe a ogiva secundária (A), de calibre 64 mm, a qual destrói as defesas passivas, abrindo caminho para a ogiva principal (B), de 105 mm, penetrar a blindagem principal.

A munição multipropósito do lançador RMG, de 64/105 mm tem como função primária atacar pessoal inimigo protegido por anteparos ou por blindagem leve. Utiliza duas ogivas em tandem, semelhante aos projéteis HEAT, com a diferença que a ogiva principal, ao invés de ter como função antiblindagem, tem função antipessoal através de uma ogiva termobárica. Este arranjo tem a finalidade de assegurar que a ogiva termobárica detone no interior de alvo, multiplicando seu efeito destrutivo.


Figura 07 – Munição multiprpósito em tandem do RMG. Observe a ogiva secundária (A), de calibre 64 mm, a qual penetra em blindagens leves ou anteparos, abrindo caminho para a ogiva principal termobárica (B), de 105 mm, para a mesma ser detonada no interior do alvo.

Parte 5 – Panzerfaust, o começo de tudo

O Panzerfaust foi um desenvolvimento realizado na Alemanha nazista, com o intuito de dar aos infantes e as milícias wolksturm, uma capacidade de enfrentar os carros de combate soviéticos que avançavam sobre a alemanha. Baseou-se no efeito Munroe com resultados devastadores sobre os blindados aliados. O Panzerfaust definiu o padrão de desenvolvimento das armas anti-carro portáteis no pós-guerra no domínio do homem-portátil armas anticarro. O desenvolvimento do Panzerfaust 150M, o qual nunca foi completado, serviu de base para o desenvolvimento do soviético RPG – 2, durante o pós-guerra.


Figura 08 – Versões do Panzerfaust,  de cima para baixo:

Panzerfaust 30klein –  Primeira versão, produzida a partir do início de 1943

Panzerfaust 30 – Ogiva melhorada (30m), produzida fins de 1943

Panzerfaust 60 M – Alcance ampliado (60m), produzida início de 1944

Panzerfaust 100 M – Alcance ampliado (100m), produzido fins de 1944

Figura 09 – Mostra seccionada de Panzerfaust, evidenciando seus componentes.

Parte 6 – RPG

a) Primeira Geração dos RPG:

A primeira geração dos RPG (Lançador de granadas Anticarro Portátil) teve seu desenvolvimento baseado nos projetos da Alemanha nazista, durante a 2ª guerra mundial, mais especificamente no lançador anticarro Panzerfaust, com calibres de 100 e 150 mm. Nesta geração, estão incluídos os RPG-2, RPG-7 e RPG-16, sendo que o RPG-7 teve sua sobrevida extendida até os dias atuais, com o desenvolvimento de novas munições, fazendo-o extremamente eficaz até os dias de hoje. Os RPG-18 e RPG-22, também de primeira geração, mas descartáveis, são desenvolvimentos do LAW M 72 de 66 mm de fabricação norte-americana.

RPG – 2


Figura 10 – Lançador RPG-2 e sua granada. Observe as aletas estabilizadoras, que se desdobram após saírem do lançador.

Adotado pelo exército soviético em 1949, foi sendo substituído pelo mais moderno RPG – 7 durante a década de 60, e foi exportado para países pró-soviéticos. Utilizou somente um tipo de granada: o PG-2 HEAT, com um alcance efetivo de cerca de 150 metros com penetração de cerca de 200 mm em blindagem homogênea.

Calibre: 40 mm (tubo), 82 mm (ogiva)

Comprimento: 650 mm

Peso: 2,83 kg (vazio), 4,67kg (carregado)

Alcance efetivo: 100/150 metros

Penetração: 200 mm

RPG – 7

Figura 11 – Lançador RPG-7 e sua granada. Observe que as aletas estabilizadoras não estão extendidas

Trata-se de uma evolução do RPG-2, substituindo esse mesmo lançador no ano de 1961 e sendo utilizado pela Rússia e mais 50 países até hoje. É considerado o sistema não guiado anticarro de maior sucesso existente, com contínuos desenvolvimentos desde sua criação. A versão atual do lançador é a RPG-7 V2, com novas munições adequadas ao s desafios atuais, como por exemplo, Blindagem Explosiva Reativa (ERA), além de emprego antipessoal e antimaterial. O desenvolvimento mais importante foi o da munição PG7 VR, com duas ogivas em tandem, capaz de perfurar os mais modernos tipos de blindagem atuais, desabilitando vários carros de combate modernos no Iraque, como o M1 Abrams (EUA), Challenger (GB) e até mesmo o Merkava IV de Israel. O RPG-7 é uma arma relativamente simples e barata (custo de US$ 3.000 – fabricado pela Airtronic/EUA) a qual, sendo operada corretamente e com suas mais novas munições, podem destruir um blindado que pode vir a custar cerca de 4 a 6 milhões de dólares.

Calibre: 40 mm (tubo), 40, 85, 93 e 105 mm (ogiva)

Comprimento: 650 mm

Peso: 6,3 kg, com luneta PGO – 2

Alcance efetivo: 200/500 metros

Penetração: 260 a 800 mm

Algumas granadas, usado pelo RPG-7 (soviético / russo)

PG-7V PG-7VL PG-7VR TBG-7V OG-7V
Ano de adoção 1961 1977 1988 1988 1999
Calibre, mm 85 93 64/105 105 40
Peso, kg 2,2 2,6 4,5 4,5 2,0
Alcance efetivo 500 500 200 200 350
Penetração em blindagem, mm 260 500 ERA + 600-700 Termobárica Antipessoalfragmentação

Diagrama de um PG 7V:


I – Ogiva II – Motor a jato III – Carga de pólvora
1 – Detonador (anterior) 9 – Aletas anteriores 15 – Estabilizadores
2 – Condutor do cone 10 – Junção 16 – luva de papelão,
3 – Cobertura 11 – Motor de sustentação 17 – Carga de pólvora
4 – Cone de cobre 12 – Carga de pólvora 18 – Rotor,
5 – Cobertura 13 – Parte inferior do motor de sustentação 19 – Flare
6 – Carga explosiva 14 – Saída do jato de sustentação 20 – isolante da pólvora
7 – Condutor da espoleta
8 – Detonador (posterior)

Figura 12 – Lançador RPG-7 V2 e algumas de suas granadas:

1 – Granada PG 7V Multipropósito

2 – Granada PG 7VR HEAT, com duas ogivas em tandem

3 – Granada PG 7VL HEAT

4 – Granada TBG 7V termobárica

5 – Granada OG 7V antipessoal / fragmentação

6 – Mostra de penetração em aço homogêneo por munição do RPG-7

Figura 13 – Blindado principal de combate M1 Abrams, desabilitado por um disparo de RPG-7, em seu setor lateral direito. Observe no canto direito da fotografia o insurgente com seu RPG.

Figura 14 – Blindado principal de combate Merkava IV, com danos ocasionados por RPG em seu arco frontal, mais especificamente no setor frontal esquerdo da  torre.

RPG – 16 “Udar”

Figura 15 – Armamento modelo RPG-16 (centro), estando entre um RPG-29 (acima) e um RPG-7 V2 (abaixo). Observar o maior diâmetro do corpo principal quando comparado ao RPG-7.

Foi desenvolvido durante a década de 60, exclusivamente para as tropas aerotransportadas da União Soviética. Quando comparado ao RPG-7, tem maior precisão e alcance, graças á menor ogiva e sistema de propulsão mais potente. Adotado para o serviço em 1970, foi muito bem-recebido pelas VDV (tropas pára-quedistas), principalmente durante a campanha do Afeganistão, quando utilizado contra posições fortificadas do mujahedeen, em alvos fora do alcance dos outros tipos de armamento disponíveis. Foi retirado de serviço durante os anos 80, devido ao surgimento de novas e mais eficientes blindagens, as quais suportavam o único tipo de munição disponível para o RPG-16, o PG-16.

Calibre: 58 mm (tubo e munição)

Comprimento: 1.140 mm (pronto) e 650 mm (desmontado)

Peso: 10,3 kg (vazio, com bipé e ótico), 12.4 kg (pronto para disparo)

Alcance efetivo: 800 metros

Penetração: 300 mm

RPG – 18 “Mukha”

Figura 16 – Armamento modelo RPG-18 com o tubo interno extendido, pronto para tiro (acima) e com o tubo interno recolhido, pronto para transporte (abaixo).

Sendo grandemente influenciado pelo LAW M-72, de 66 mm, sendo adotado para serviço em 1972. Foi produzido até meados da década de 90, quando tornou-se obsoleto.  O sistema de disparo arma-se automaticamente, quando o tubo interno é extendido, preparando o armamento para o disparo.  Uma vez extendido, não pode-se voltar para a posição de segurança, exigindo o disparo da munição. O foguete é estabilizado por aletas traseiras e seu motor queima ainda dentro do tubo, acelerando-o a cerca de 114 m/s. A carga HEAT penetra em cerca de 300 mm de aço homogêneo.

Calibre: 64 mm (tubo e munição)

Comprimento: 1.050 mm (pronto) e 705 mm (desmontado)

Peso: 2.6 kg

Alcance efetivo: 150 metros

Penetração: 300 mm

RPG – 22 “Netto”

Figura 17 – Armamento modelo RPG-22 com o tubo interno extendido, pronto para tiro. Este modelo e o RPG-18 foram pesadamente influenciados pelo norte-americano LAW M-72, de 66 mm. São considerados a segunda geração dos sistemas AC não guiados no Exército Soviético. A partir do RPG-26, a estrutura passou a ser rígida.

O RPG-22 foi desenvolvido durante a década de 70, sendo adotado para serviço em 1980. Era uma versão melhorada do RPG-18, com um maior calibre, alcance e penetração de blindagem. Tornou-se obsoleto e sua produção terminou em 1993, sendo substituído pelo RPG-26.

Calibre: 72.5 mm (tubo e munição)

Comprimento: 850 mm (pronto) e 755 mm (desmontado)

Peso: 2.7 kg

Alcance efetivo: 160 metros

Penetração: 400 mm

b) Segunda geração dos RPG

A segunda geração dos RPG (RPG-26 e RPG-27) teve como características mais marcantes, a mudança do material que era feito o lançador (passou a contar com fibra de vidro em sua composição) e a mudança no projeto do tubo lançador (passou a ser rígido, sendo mais simples e barato de produzir que o anterior), além de uma melhora global em termos de peso, alcance e capacidade de penetração. O RPG-27 foi o primeiro sistema anticarro não-guiado descartável a incorporar ogiva HEAT em tandem.

RPG – 26 “Aglen”

Figura 18 – Armamento modelo RPG-26 com estrutura rígida, em posição pronta para o disparo, com as miras levantadas e botão de disparo acima da estrutura.

O desenvolvimento do RPG-26 foi iniciado no ano de 1980, sendo adotado para o serviço no Exército Soviético em 1985, juntamente com o RPG-22.  Quando comparado com o RPG-22, observa-se que sua estrutura em monobloco rígido é de produção mais simples e barata. Melhorou-se o sistema de propulsão e a ogiva, com um ganho de 10% em relação ao RPG-22.  Ainda está em uso no Exército Russo.  O RPG-26 serviu de base para o desenvolvimento do RShG – 2 (Lançador de foguetes de assalto).

Calibre: 72,5 milímetros
Tipo: foguete
Comprimento: 770 mm
Peso : 2,9 kg completo
Alcance efetivo : até 170 m
Penetração : 450 milímetros


RPG – 27 “Tavolga”


Figura 19 – Armamento modelo RPG-27, foi o primeiro sistema descartável a incorporar ogiva dupla em tandem, para derrotar as novas blindagens compostas e ERA.

O RPG-27 foi desenvolvido no final dos anos 80 com a função de derrotar as mais modernas blindagens reativas existentes. Foi aprovado para o serviço em 1989, Para isso, foi desenvolvido uma munição com base no PG 7VR, do RPG-7 V2. Esta munição tem duas ogivas em tandem, sendo a primeira para avariar a blindagem reativa e a segunda para a penetração da blindagem principal.  O motor queima totalmente dentro do tubo de lançamento, acelerando-o á 120 m/s. Penetra cerca de 600 mm em blindagem de aço homogênea. O RPG-27 serviu de base para o desenvolvimento do RShG – 1.

Calibre: 105 milímetros
Tipo: foguete
Comprimento: 1.135 mm
Peso : 8.3 kg completo
Alcance efetivo : até 140 m
Penetração : 500 milímetros através de ERA

c) Terceira geração dos RPG

A terceira geração dos RPG (RPG-28, 29, 30, 32) teve um salto no desenvolvimento tanto dos lançadores quanto das munições, as quais passaram á um novo estágio em matéria de penetração de blindagem, apoio á infantaria (termobáricas) e contra sistemas ativos de defesa. Também foram desenvolvidos lançadores reutilizáveis (RPG-29, por retrocarga e o RPG-32, com containers lacrados).

RPG – 28

Figura 20 – O RPG-28 e o sistema não-guiado de maior calibre (125 mm) incorporado. É considerado o mais poderoso LAW em serviço no Exército Russo.

O RPG-28 é atualmente, o mais moderno e eficaz sistema não guiado AC em uso pelo Exército Russo. Foi concebido para derrotar as mais modernas blindagens compostas e reativas existentes.  Dispara um foguete de 125 mm com duas ogivas em tandem, o qual seu propulsor queima completamente dentro do tubo de lançamento. O tubo lançador possui trilhos para encaixe de dispositivos IR e de intensificação de luminosidade, para operações em condições adversas. Devido ao seu peso, dispõe de almofada em sua base e em um monopé em sua parte traseira. Penetra cerca de 1000 mm de aço homogêneo reforçado por ERA.

Calibre: 125 milímetros
Tipo: foguete
Comprimento: 1.200 mm
Peso : 13 kg completo
Alcance efetivo : até 180 m
Penetração : 1000 milímetros através de ERA

RPG – 29 “Vampir”

Figura 21 – Armamento modelo RPG-29 pronto para disparo. A combinação do RPG-29/PG 29V é duas vezes mais destrutiva que o já consagrado e eficiente combinação do RPG-7V2/PG 7VR.

O lançador RPG-29 foi aceito para o serviço em 1989 e destina-se a destruir CC com modernas blindagens reativas. Ao contrário das gerações anteriores, o RPG-29 é carregado pela culatra, com um tubo de lançamento de calibre 105 mm, o qual pode dividir-se em duas partes, facilitando o transporte. O disparo é eletrônico, semelhante ao do RPG-16.  A granada HEAT PG 29V tem duas ogivas em tandem (64 e 105 mm), para penetração de alvos blindados protegidos por ERA. Contra edificações, o PG 29V penetra 1,5 metro em concreto. A ogiva é similar ao do RPG-7V2, mas devido ao motor muito mais poderoso, é duas vezes mais efetiva que o RPG-7V2/PG 7VR.

Calibre: 64/105 milímetros
Tipo: foguete
Comprimento: 1.850 mm (montado), 1.000 mm (desmontado)
Peso : 12 kg (vazio, com óptico), 18.8 kg (pronto para o disparo)
Alcance efetivo : até 500 m
Penetração : 750 milímetros através de ERA


Figura 22 – RPG-29 e sua munição PG 29V HEAT. Hoje no Iraque, tal sistema constitui juntamente com a dupla RPG-7V2/PG 7VR, a maior preocupação das forças da coalizão, liderada pelos EUA. São fornecidos via Síria, país que também abastece as forças do Hezbollah com tais sistemas, desabilitando até mesmo os CC Merkava IV, de Israel.

Figura 23 – CC M1 Abrams destruído em Faluja, no Iraque,  por disparos do RPG-29. Observem o furo na torre e a destruição de um módulo da saia de proteção lateral da esteira.

RPG – 30

Figura 24 – Um RPG-30 seccionado (centro), numa feira internacional, ladeado por um RPG-28 (acima) e um RPG-27(abaixo). Foi desenvolvido para enfrentar novas blindagens reativas ERA e sistemas ativos de proteção, acionados prematuramente por seu foguete secundário (junto do tubo principal, mas com menor calibre). Foi apelidado pelos russos de “matador de Abrams”.

O RPG-30 marcou uma nova etapa no desenvolvimento das Ligth Antitank Weapons (LAW – Armas Leves Anti-Carro). Foi concebido para enfrentar, além das blindagens reforçadas com ERA, os sistemas de proteção ativa para veículos blindados (Arena, Drozd, Trophy e Quick Kill). Baseia-se em dois itens: o primeiro, a munição de ogiva dupla em tandem, calibre 64/105 mm, já testada e aprovada, e o segundo, um projétil secundário, alinhado com o tubo principal. Este projétil secundário tem a função de, no caso de utilização contra ERA, provocar a destruição dos blocos explosivos e abrir caminho para o projétil principal. No caso de utilização contra sistemas de proteção ativa, tem a função de servir como um alvo falso para provocar o acionamento prematuro do sistema. Ao ser disparado, o projétil secundário é lançado primeiramente (0,2 a 0,4 segundos antes), logo seguido pelo projétil principal, abrindo caminho através do sistema de proteção ativa, permitindo o projétil principal atingir a blindagem do CC.

Figura 25 – Esquema de funcionamento de um RPG-30

Calibre: 64/105 milímetros
Tipo: foguete
Comprimento: 1.120 mm
Peso : 10.3 kg (vazio, com óptico

Alcance efetivo: até 300 m
Penetração : 600 milímetros através de ERA

RPG – 32 “Hashim”

Figura 26 – Lançador modular RPG-32, produzido na Jordânia com assistência russa

O RPG-32 foi desenvolvido pela Bazalt em cooperação com o governo da Jordânia, no período de 2005 a 2007, sendo fabricado localmente através da empresa JRESCO. O lançador RPG-32 é uma arma modular, que pode disparar quatro tipos de munições nos calibres 105 e 72 mm. Em cada calibre, existem dois tipos de munição: do tipo termobárica (TBG 32V), própria para alvos levemente blindados e tropas e do tipo HEAT (PG 32V), com duas ogivas em tandem, para alvos blindados protegidos por ERA. É constituído por uma unidade de disparo (tubo com a munição) ao qual se acopla uma unidade de tiro (óptico). Após o lançamento, descarta-se o tubo vazio da unidade de tiro.

Figura 27 – Lançador modular RPG-32, produzido na Jordânia com assistência russa. Acima, os tubos lacrados com os mísseis e abaixo, a unidade de tiro.

Calibre: 72/105 milímetros
Tipo: foguete
Comprimento: 1.200 mm (com 105mm), 900 mm (com 72mm)
Peso : 03 kg (unidade de tiro), 10 kg (com 105mm) e 06 kg (72mm)
Alcance efetivo : até 200 m
Penetração : ERA + 650 milímetros com 105 milímetros RHA-32V tandem HEAT

Parte 7 – RShG (Lançador de granadas termobáricas de assalto)

Na terminologia técnica do Exercito Russo, os RShG (Lançadores de granadas termobáricas de assalto), são armamentos de apoio á infantaria durante operações de assalto a posições do inimigo. São derivados do RPG-26 (RShG-1) e RPG-27 (RShG-2) com seus respectivos calibres (72,5 e 105 mm). É provido de ogiva termobárica/FAE, com a função de serem utilizados contra pessoal inimigo, abrigos reforçados ou veículos levemente blindados. A explosão da carga termobárica provoca uma ausência total de ar num raio mínimo de 5 m (consumido pela ignição do combustível) e segue-se uma depressão atmosférica tal, que nenhum soldado presente neste perímetro não sairá incólume, incluindo os embarcados em veículos leves.


RShG – 1

Figura 28 – Derivado do RPG-27, o RShG – 1 não tem como função primária derrotar blindagens, mas sim o apoio á infantaria, utilizando munição termobárica, com calibre de 105 mm contra pessoal, instalações e alvos levemente blindados.

O RShG-1 é derivado do RPG-27, mas em vez de ser carregado com uma ogiva HEAT, tem uma ogiva termobárica, a qual destina-se a enfrentar alvos levemente blindados, casamatas, edifícios e pessoal inimigo abrigados ou não . Foi adotado para o serviço em 2000, como arma de apoio a infantaria. Sua ogiva termobárica tem 1,9 kg de explosivo combustível-ar, o qual equivale a aproximadamente 06 kg de TNT, com um raio letal com cerca de 10 metros.

Calibre: 105 milímetros, com munição termobárica
Tipo: foguete
Comprimento: 1.135 mm
Peso : 08 kg
Alcance efetivo : até 150 m
Raio de explosão letal : 10 metros, em campo aberto contra pessoal inimigo

RShG – 2

Figura 29 – Derivado do RPG-26, o RShG – 2 não tem como função primária derrotar blindagens, mas sim o apoio á infantaria, utilizando munição termobárica, com calibre de 72,5 mm contra pessoal, instalações e alvos levemente blindados.

O RShG-2 é derivado do RPG-26, mas em vez de ser carregado com uma ogiva HEAT, tem uma ogiva termobárica, a qual destina-se a enfrentar alvos levemente blindados, casamatas, edifícios e pessoal inimigo abrigados ou não. Foi adotado para o serviço em 2000, como arma de apoio a infantaria. Sua ogiva termobárica tem 1,16 kg de explosivo combustível-ar, o qual equivale a aproximadamente 03 kg de TNT, com um raio letal com cerca de 5 metros.

Calibre: 72,5 milímetros, com munição termobárica
Tipo: foguete
Comprimento: 770 mm
Peso : 3,8 kg
Alcance efetivo : até 120 m
Raio de explosão letal : 05 metros, em campo aberto contra pessoal inimigo

Parte 8 – RPO (A, D e Z), RPO-M e MRO (A, D e Z)

São classificados no exercito russo, de acordo com a finalidade, como lança-chamas, lançadores de granadas termobáricas e lançadores de granadas fumígenas (RPO e MRO). O sistema lança-chamas (Z), e utilizado contra material inimigo exposto, visando sua combustão, tropas expostas em terreno aberto ou restrito e alvos com blindagem leve. O sistema termobárico (A), tem seu efeito primário obtido pela alta temperatura no local e pela onda de pressão. O sistema fumígeno (D), tem como finalidade mascaramento para progressão de tropas amigas ou tornar insustentável a defesa, pela ação asfixiante, de posições inimigas.

RPO (A, D e Z) “Shmel”

Figura 30 – Lança-granada termobárica RPO-A, calibre 93 mm.

Na terminologia técnica do Exercito Russo, os RPO (Lançador de granada termobárica / Lança chamas / Fumígena descartável), são armamentos mutipropósito, distribuídos as tropas químicas e não ás tropas comuns. É constituído de um tubo de lançamento de fibra de vidro, o qual vem pré-carregado com um único disparo. Tem um contrapeso á retaguarda, o para promover o efeito sem recuo, o qual é projetado para trás, na zona de sopro. A munição consiste em um projétil de paredes finas, o qual protege a sua carga. O efeito da explosão termobárica RPO – A, que contém 2.2 kg de explosivo combustível-ar, é aproximadamente equivalente ao efeito da explosão de um projétil de artilharia de 107 mm de alto explosivo. Após a explosão, é gerada uma nuvem de alta-temperatura, que tem cerca de 6-7 metros de diâmetro (raio de explosão de 3 metros ou mais).  A nuvem da explosão dura 0,4 segundos, permitindo assim um efeito incendiário significativo, além da enorme onda de pressão, sendo uma explosão por alto explosivo muito mais curta.

Foi inicialmente desenvolvido em 1984, sendo aceito para o serviço em 1988 em três versões:

  • RPO-A (Termobárica) – Utilizadado para destruir unidades militares abrigadas ou não em áreas urbanas, de campo e em montanha, bem como fortificações, caminhões e veículos levemente blindados;
  • RPO-D (Fumígeno) – Utilizado para produzir cortina de fumaça, que impede a correção do fogo de artilharia e para criar condições intoleráveis para o pessoal em abrigos;
  • RPO-Z (Incendiário) – Utilizado para fins incendiários, nos edifícios, construções e depósitos de combustível.

Calibre: 93 milímetros
Tipo: sem recuo
Comprimento : 920 milímetros
Peso : 12 kg completo
Alcance efetivo : até 200 m (máxima de 1000m)

RPO – M “Shmel”

Figura 31 – Lança-granada termobárica RPO-M, calibre 90 mm. O sistema completo (acima) e sua munição (abaixo)

Trata-se de uma versão melhorada do anterior RPO-A “Shmel”, sendo significativamente mais leve, tem melhor ergonomia, melhor balística e melhor efeito terminal. Dispensa o uso do contrapeso a retaguarda. É também mais preciso, devido ao fato de ter incorporado em seu lançador um visor óptico. Seu lançador é feito de plástico, sendo o disparo elétrico. O foguete é composto por um motor de propelente sólido, aletas estabilizadoras em uma cauda dobrável. O efeito da explosão da ogiva do RPO-M é dito ser comparável com a detonação de um projétil de artilharia de calibre 155 milímetros.

Calibre: 90 mm
Tipo:
foguete  
Comprimento:
940 mm
Peso:
8,8 kg completo
Alcance efetivo:
até 300 m (máximo 1700 m)

MRO-A


Figura 32 – Lança-granada termobárica MRO-A, versão menor, mais leve e de menor calibre que a série RPO-A, complementando este sistema.

O sistema MRO-A é classificado no exército Russo como pequeno lançador de granada termobárica, o qual complementa o sistema mais poderoso, o RPO-A. Baseado no RPG-26, tem conceito similar ao RShG -2, sendo destinado as tropas químicas. Além da versão com ogiva termobárica (MRO-A), existem as versões com ogiva fumígena (MRO-D) e MRO-Z (incendiária). Destina-se a enfrentar blindagens leves, edifícios, instalações e pessoal militar abrigados ou em céu aberto.

Calibre: 72,5 milímetros
Tipo: foguete
Comprimento : 900 mm
Peso : 4,7 kg completo
Alcance efetivo : até 90 m (máximo de 450 metros)

Parte 9 – RMG

O sistema RMG foi desenvolvido pelo exercito russo, com base na experiência de combate na Chechênia. Incorpora características tanto das ogivas termobáricas (antipessoal), quanto das ogivas HEAT (anticarro). Durante os combates, foi observado que muitas vezes, os guerrilheiros chechenos abrigavam-se em cômodos nas construções semi-destruídas. Os projéteis HEAT não tinham o efeito desejado, pois somente perfuravam a parede, muitas vezes não os atingindo. Os projéteis termobáricos, ao atingirem a mesma parede, tinham seu efeito antipessoal degradado por explodir do lado de fora da construção. Buscou-se juntar ambos os sistemas numa ogiva em tandem, sendo a primeira ogiva (HEAT) perfurando a parede de concreto, e a segunda ogiva (termobárica), explodindo no interior da construção, rendendo assim ao máximo seu efeito antipessoal.

RMG

Figura 33 – Lança-granada RMG, com sua granada em tandem, com a primeira ogiva do tipo HEAT e a segunda do tipo termobárica.

O lançador de granadas multiuso RMG é derivado do RShG-1, o qual por sua vez é derivado do RPG-27, e tem múltiplas finalidades. Sua principal função é derrotar pessoal inimigo protegido por abrigos reforçados, blindagem leve, paredes e outros meios de proteção. A ogiva em tandem consiste em um penetrador HEAT e a ogiva seguinte é do tipo termobárica, a qual explode dentro do alvo, causando o máximo dano.

Calibre: 105 mm
Tipo: foguete
Comprimento : 1000 mm
Peso : 8,5 kg completo
Alcance efetivo : até 130 m
Penetração : ~ 120 milímetros


Figura 34 – Tipos de munições para os RPG. Da esquerda para a direita:

(1) PG 7VR 64/105 mm HEAT em tandem – RPG-7 V2 (5) PG 29V 64/105 mm HEAT em tandem – RPG-29
(2) PG 7VL 93 mm HEAT – RPG-7 V2 (6) PG 32V 64/105 mm HEAT em tandem – RPG-32
(3) TBG 7V 105 mm Termobárica – RPG-7 V2 (7) TBG 32V 105 mm Termobárica – RPG-32
(4) OG 7V 40 mm Antipessoal / Fragmentação – RPG-7 V2 (8) 72,5 mm Termobárica – RShG-2
(9) 72,5 mm HEAT – RPG-18

Projeto pessoal de Lelis1274

Fontes:

http://vitalykuzmin.net/

http://missiles.ru/

http://world.guns.ru

http://warfare.ru/

http://www.arms.ru/

http://www.rusarmy.com

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36 Respostas to “Evolução dos armamentos anticarro e antipessoal não-guiados da Federação Russa”

  1. Muito boa Reportagem
    Parabens

  2. Em nome do Plano Brasil gostaria de tornar ao conhecimento de todos o trabalho do novo autor do Blog Plano Brasil, vympel1274, que nos presenteia com este importante e belo trabalho que certamente servirá de referencia em se tratando do tema RPG. O Artigo fala por si só.
    Como Editor, atesto que o contato feito pelo vympel1274 veio de encontro as nossas expectativas e necessidades, uma vez que muitos participantes reclamavam da ausência de matérias referentes a arma de terra (ou exército) uma vez que aviões e navios eram dominantes em nossas matérias.
    Outra importante contribuição se dá pelo fato do autor realmente ser um profissional da área de defesa o que por si só lhe dá mais credibilidade, somando-se a outros membros do corpo editorial do Plano Brasil que também são da área.
    vympel1274 é profissional da área e certamente vai nos trazer muitas abordagens e conteúdos interessantes.
    Em nome do Plano Brasil dou-lhe as boas vindas,caro amigo vympel1274 e parabenizo pelo artigo.
    Sds
    E.M.Pinto

  3. Valeu irmão, grato em ajudar!

  4. Parabéns! Excelente reportagem.

    É por essas e outras que considero uma moto off-road mais segura que um blindado.

  5. Parabéns pelo artigo, muito esclarecedor.

    E, voltando aos RPG’s russos, seria esse o motivo do Brasil operar tão poucos MBT’s? Sim, pois qual a eficácia de um Osório NG, por exemplo, frente a um RPG-29? Pelas fotos dos M1 Abrams abatidos, creio que muito pouca…

    De que adiantaria investirmos US$ 9 bilhões em 3.000 blindados se um inimigo, com 3.000 RPGs de 3.000 dólares, nos deixaria sem blindados num “mano a mano”?

    Pelo mesmo motivo, não seria mais inteligente investir em um sistema anti-aéreo de ponta cobrindo as principais cidades/instalações em nosso território do que planejar a formação de uma FAB com 400 caças de última geração, por exemplo?

    Não adiantaria nada termos 400 aeronaves e essas serem abatidas ainda no hangar… A mesma coisa para as bases navais da MB: não adiantaria nada termos 20 NAes sem um sistema de monitoramento que antecipasse as ameaças… Seriam afundados “sem dó” ainda em nossa costa…

  6. Vi a filmagem de um ataque com arma anti-carro na antiga Yugoslávia, relamente foi impressionante a coluna de fogo que emergiu após o ataque. Ótima matéria.

  7. Excelente artigo.
    Parabéns.

  8. Edu,

    Em minha opinião não chega até este ponto, mas há a tendência de conflitos terrestres mais centrado no elemento combatente e sua consciência situacional do que no material. A mobilidade e a Rede (comunicações) é que são as palavras chaves. No caso hipotético, eu citei uma moto, mas para contingentes está mais para veículo de transporte em rodas leve do que para os pesados tanques convencionais. Os helicópteros faria a antiga função.

    Abraços.

    Ps. Na aérea eu veria apenas caças tripulados para função Ar-Ar e as demais tarefas para VANT’s (excluindo transporte de pessoas).

  9. Se o combate do futuro será URBANO, o controle de grandes áreas urbanas será crítico para a consecução dos objetivos táticos, operacionais e estratégicos nos futuros conflitos.

    Combatentes operando em áreas urbanas podem utilizar uma grande variedade de métodos assimétricos para reduzir o ritmo das operações militares, criar um grande número de baixas através de uma variedade de meios simples. Ao invés de procurar chegar à vitória, bastará apenas evitar a derrota.

    Posso até estar enganado, mas este cenário será para os RPGs .

    Sou grande admirador deste aparelho que do meu ponto de vista tem um enorme potencial em qualquer TO.

    “(…) Uma característica marcante nessa família de armamentos é a desproporcionalidade do custo de fabricação do sistema para o dano infligido nos sistemas de armas do inimigo, ou seja, um RPG-7 com munição PG7 VR, pode custar US$ 3.000.00 dólares e é capaz de desabilitar/destruir um blindado que custa cerca de US$ 6.000.000.00 de dólares. (…)”

    Seja bem vindo vympel!

    Meus parabéns, não poderia ter sido mais feliz na escolha do equipamento. Muito boa sua explanação!

    Grande Edilson !!!

  10. EXCELENTE ARTIGO, PARABÉNS!

  11. Não tem foto de MBT russo destruído por ATGW israelense na Guerra da Geórgia???

  12. Nossa esse artigo é muito bom!
    Os brinquedos são interessante :D

    Parabéns vympel

    Abraços

  13. Fernando Sinzato :
    Parabéns! Excelente reportagem.
    É por essas e outras que considero uma moto off-road mais segura que um blindado.

    com certeza, parabéns pela matéria mt boa, basta uma law e adeus tanque…

  14. Valeu pessoal, parabéns para todos nós e que o blog cresça sempre mais!
    Edu Nicácio, a razão do Brasil não investir muito em carros de combate se dá basicamente por três motivos:
    1 – O terreno no brasil não é propício para operação de CC, com exceção da região sul e centro oeste, onde o terreno é plano e é perto de fronteiras com outros países;

    2 – O peso do CC fica condicionado aos meios de engenharia que dispõe a força, como veículos lançadores de pontes. O fundo dos rios no brasil e na américa latina em geral (lamaçento) é diferente da europa (pedregoso), que quer dizer que, se um CC de peso acima de 40/50 toneladas vadear um rio por aqui, vai ficar atolado!O Brasil não dispõe de lançadores de pontes de tamanho nem capacidade para tais CC;

    3 – O alto preço de aquisição dos mesmos.

    Você comentou sobre o brasil estar adquirindo um grande número de blindados da Itália (sendo os mesmos, pouca coisa mais modernos do que os Urutus que estão substituindo). Eu acho isso um contrasenso, pela razão que, como foi mostrado pela matéria, os RPG/LAW estão em um grau de desenvolvimento que ameaçam até os CC pesados, quanto mais veículos de transporte de tropas!

    Isso pode ser observado pelos veículos blindados de transporte de tropas que estão entrando em serviço nos exércitos mais modernos. Estes pesam cerca de 30 toneladas, justamente para resistir aos RPG/LAW ora em desenvolvimento.

    O fato de os mesmos não existirem (pelo menos em números consideráveis) na américa latina, não justifica que compremos veículos blindados com uma mentalidade de décadas atrás previa que os mesmos deveriam resistir a disparos de armas leves de infantaria…Os argentinos tem os TOW, e os Chilenos tem o spike…

    A grande característica do Brasil é desenvolver seus sistemas (LRAC e MSS 1.2), mesmo que a passo de tartaruga! mas pelos menos não nos limitamos á só comprar..

  15. Realmente muito boa a reportagem e bastante completa.

    Se que os colegas que estão impressionados com o desenpenho dessas armas talvez estejam se esquecendo que a grande maioria dessas munições usadas contra tanques simplesmente não é efetiva.

    Pensem na quantidade dessas armas os iraquianos tinham e mesmo assim não conseguiram impor grandes dificuldades para os americanos. O striker por exemplo tem uma blinfdagem bem fina e só com uma grade “slatarmor” tem conseguido sobreviver contra os RPGs mais simples.

    Também não temos certeza se as fotos dos tanques destruídos são mesmo resultados de disparos dessas armas.

    Lembrem-se da invasão do Líbano onde uma grande quantidade de mísseis AT muito mais potentes e com maior alcance não conseguir deter os Israelenses, embora tenham sido uma das principais causas de baixas no lado de Israel.

  16. João Paulo Caruso :
    Realmente muito boa a reportagem e bastante completa.
    Se que os colegas que estão impressionados com o desenpenho dessas armas talvez estejam se esquecendo que a grande maioria dessas munições usadas contra tanques simplesmente não é efetiva.
    Pensem na quantidade dessas armas os iraquianos tinham e mesmo assim não conseguiram impor grandes dificuldades para os americanos. O striker por exemplo tem uma blinfdagem bem fina e só com uma grade “slatarmor” tem conseguido sobreviver contra os RPGs mais simples.
    Também não temos certeza se as fotos dos tanques destruídos são mesmo resultados de disparos dessas armas.
    Lembrem-se da invasão do Líbano onde uma grande quantidade de mísseis AT muito mais potentes e com maior alcance não conseguir deter os Israelenses, embora tenham sido uma das principais causas de baixas no lado de Israel.

    Pelo contrario João Paulo: Tais armas são MUITO efetivas! Basta olhar o seu custo unitário e os danos que pode causar…

    Além disso, não podemos nos esquecer de que o OBJETIVO primário de tais armas é fornecer uma capacidade anti blindados à Infantaria e não tornar obsoleta as forças blindadas ou a artilharia de apoio.

    Não nos esqueçamos também que as tropas mecanizadas dos EUA e de Israel, além de numerosas são pesadamente apoiadas pela arma aérea e, RPGs e afins para máxima eficiência, dependem muito da surpresa, devido ao seu pequeno alcance. Por estes motivos é que os Ianques desenvolveram o “Javelin” com alcance estimado de cerca de 6Km.

    Ou seja: Como armas, os RPGs não fazem milagres mas, levando em consideração sua razão custo unitário / danos causados, são armas fantásticas.
    []s
    Intruder

  17. vympel1274: Mais uma vez, fantástico o teu artigo, parabéns!
    Aproveito para mais uma pergunta: Os Russos dispõem de um equivalente ao “Javelin” Ianque ?
    Andei pesquisando a respeito mas não achei nada. Os russos são muito discretos quanto ao seu equipamento bélico mais avançado e, em geral, só sabemos que possuem algo muito depois deste já estar operacional.
    Tal filosofia, difere bastante dos Ianques, sempre interessados em fazer Marketing, de sua macheza ou esperteza…
    []s
    Intruder

  18. A grande característica do Brasil é desenvolver seus sistemas (LRAC e MSS 1.2), mesmo que a passo de tartaruga! mas pelos menos não nos limitamos á só comprar..
    Espera-se entaõ, q os mesmos seja bem melhores e sirva efetivamente p cumprir sua finalidade, é o mínimo q se espera.Aqui as coisas demoram mt mesmo, além do normal.

  19. O grande problema dos insurgentes (seja no Iraque, Líbano ou Afeganistão) é que eles não dispõem de RPG/LAW de última geração em quantidades suficientes, pois estes são fornecidos pela Síria (para os Iraquianos) pelo Paquistão (para o Afeganistão, nao estando disponíveis os tipos mais modernos), e Irã (para o Hezzbolah)e são esses sistemas (RPG-29 e RPG-7 V2) que causam estes estragos nos CC modernos (Abrams, Challenger, Merkava, T-80).

  20. Concordo que pelo valor elas são efetivas e defendo seu uso, mas é preciso lembrar que tanto os M1 e os Markava 4 são atingidos dúzias de vezes e continuam operando e geralmente o atirador do RPG morre. Houve o exemplo de um M1 que foi atingido por 59 RPGs e a tripulação não se feriu.

    Elas custam algumas centenas de dólares, mas se precisam usar vinte ou trinta e ainda perder dois ou 3 homens para parar um tanque esses foguetes já não saem tão barato assim.

    Acho que o alcance do javelin é 2,5km.

  21. 59 disparos??onde você viu essa informação? o operador devia ser míope! O T-90 e T-80 foram submetidos a testes de proteção em 1999 na ucrânia, utilizando vários RPG e misseis guiados AC, com os seguintes resultados:

    RPG
    T-90: RPG-29 produziu um total de 3 penetrações.
    Nenhum rodadas RPG outros podiam penetrar até o alvo despojado.
    T-80U: RPG-29 penetrou três vezes com a ERA, todas as 5 vezes sem EEI.
    De todas as outras granadas, um PG-7VR penetrou o alvo despojado.

    ATGMs
    T-90: Não ATGMs podia penetrar o alvo ERA-equipada. Um Kornet ATGM penetrou o alvo despojado.
    T-80U: 2 Kornet ATGMs penetrou na equipados alvo ERA, todos os 5 penetrou o alvo despojado.
    Nenhum ATGMs outros poderiam penetrar.
    APFSDS
    T-90: target ERA equipada não pode ser penetrada. Além disso, depois de disparar o grupo entrou no veículo, ativado, e foi capaz de executar a seqüência de tiro.
    Sem ERA, uma rodada penetrada.
    T-80U (dados disponíveis apenas para o alvo sem ERA): Uma volta quase penetrado (3mm buraco no forro, sem danos ao equipamento visível), dois penetrou meia espessura, um falhado completamente o alvo, um hit da arma.

    para maiores informações:
    http://fofanov.armor.kiev.ua/Tanks/TRIALS/19991020.html

  22. cada arma foi disparada cinco vezes em cada alvo no arco frontal (onde a blindagem é mais espessa), com três penetrações(RPG-29)!!

    O site World Tribune comentou a respeito do uso do RPG-29 contra os merkava IV:

    http://www.worldtribune.com/worldtribune/WTARC/2008/me_hamas0313_07_09.asp

  23. Acho que a blindagem dos t-80 e t-90 não se comparam com a dos Abrams.
    Se os RPGs atingem o alvo em 90° elas perfuram bastante, mas normalmete isso não acontece assim essas munições perdem muita eficiência em situações de combate reais, por isso são fabricadas aos milhares.

    Voçês acham que um RPG-29 consegue furar o blindagem frontal de urânio dos M1HA ou M1A2. A lateral é claro que conseguem se o tanque estiver em velocidade baixa, mas nesses casos tem a cobertuta da infantaria e veículos leves com armas automáticas.
    Concordo que a tática de usar tanques andando devagar em áreas urbanas sem cobertura nunca deu certo mesmo.
    Quantos Merkava 3 e 4 o Hezbolah destruiu. E eles estavam usando mísseis com ogivas muito mais potentes e de fora do alcance da infantaria.

    Também acho esses números impressionantes, deve ser por isso que os russos foram quase massacrados na na primeira guerra da Chechênia.
    Me parece que o Kornet de 150 mm não foi muito melhor que o RPG-29, dizem que é por causa do design da ogiva.

  24. Excelente NOTA DE AULA que,sugiro, poderia ser repassada para nossas unidades de infantaria. Para que se tenha uma idéia, o estrago que as armas AC têm causado nas forças da coalizão já estão sendo de molde a provocarem, na OEA, sondagens de diplomatas no sentido de, também, passarem a ser controladas e,o que deve nos intrigar, proscritas em futuro próximo. São sinais evidentes para que não venhamos,novamente,fazer a tolice que fizemos ao assinarmos o TNP, fato que nos obriga a lutar ao invés de dissuadir. Sou de parecer, por isso mesmo, que nossas unidades de infantaria de selva sejam fortíssimamente dotadas com os mais variados tipos/calibres de RPGs para baterem particularmente os HLCP do inimigo que, certamente,irá nos incomodar na AMAZÔNIA quando menos esperarmos.

  25. Camarada Intruder:

    Respondo sua pergunta através de outra matéria a ser postada aqui no blog, com o nome de “A Evolução dos armamentos anti-carro guiados da Federação Russa”, comecei tem 10 minutos!

    Felicidades..

  26. os russos são foda.

  27. Simplesmente excepcional o artigo. Parabéns!

  28. Acredito que na figura 24 esteja errônea a legenda. Há um especialista com uma vestimenta de proteção e um medidor geiger sob o Abrams, sem contar que os orifícios de entrada não foram marcados com a simbologia “No-Rad” típica quando se excluí a possibilidade de ter sido uma munição de urânio exaurido a ter atingido o blindado.
    Logo, creio que há maior chance dele ter sido atingido por Sabot, não por qualquer munição explosiva. Por favor, caso ajam fontes incontestáveis provando o contrário, perdão pela petulância.

    No mais, matéria excelente! Parabéns.

  29. O efeito de um APFSDS em um alvo blindado, como um M1 Abrams, é destrutivo o suficiente para danificar toda a área em volta do ponto atingido, não somente fazendo um “furo”. Esse efeito seria repetido se atingisse uma ERA. Diferentemente de uma munição química (carga ôca)de um ATGW, a qual desloca-se em velocidade muito inferior á um APFSDS, também tendo menor massa, daí a diferença entre os danos. A roupa branca é do pessoal responsável em retirar cadáveres de soldados mortos dos CC, utilizada pelo pessoal logístico das FFAA.

  30. vympel, o homem sob o blindado está definitivamente medindo os níveis de radiação. Não se extrai corpos com um Contador Geiger e há mais fotos do procedimento na internet.

    A estrutura reforçada do blindado e as diversas ligas que o compõe são capazes de suportar e dissipar a potência de um acerto direto de munição APFSDS sem que a chapa toda ceda… Até em blindados menos resistentes como o T-72 pode-se observar isso:

    O que eu estou dizendo, é que é possível que tenha sido um acerto de Sabot. Mas outra coisa faz crer o contrario também… As raias formadas ao redor da abertura de entrada, mas que também pode ter sido originada por estilhaçamento do projétil.

    O que quero dizer não é que certamente foi um disparo de Sabot, mas é bem possível.

    Obgd

  31. Sim é possivel, quando consegui essa fotografia ela dizia que foi um disparo de RPG-29, e isso foi durante a fase inicial da guerra (2003).Eu acredito ser verdade, pelo fato que nos fundos da fotografia existirem construções, e os embates do M1 Abrams com os T-72 foram no deserto, junto com o que sobrou do exército iraquiano e, principalmente, com a guarda republicana. É possivel que seja um APFSDS, possivelmente de um T-12 de 100 mm, mas notei que existem dois furos, o que pode significar emboscada com mais de um RPG disparado contra o M1.

    Obrigado pela dica MA!

  32. Sem problemas vympel. Na verdade eu pensava que poderia ser resultado de um Blue-on-Blue, já que ocorreram muitos no Golfo.

    Bem, a matéria não deixa de ser excelente!

  33. Seria inutil pro brasil adquirir qualquer tipo de mbt… por alguns motivos

    O terreno acidentado do Brasil, e se por o acaso o brasil entrasse em alguma guerra ela provavelmente acabaria se desenrolando na amazonia (mata densa e rios = no mbt for you.) e nos centros urbanos onde uma arma como os rpg pode “facilmente” derrubar um mbt que custa 5000 vezes mais o preço do rpg.

  34. EU PECO GENTILMENTE QUE O AUTOR DESTE ARTIGO,FIZESSE UM ARTIGO FALANDO SOBRE A FLEXA SINETICA DESENVOLVIDA NO BRASIL NA DECADA DE 80,ARMAMENTO ESTE ANTI-TANQUE LANCADO POR TUBO,DESDE JA MUITO OBRIGADO E MUITO BOM O ARTIGO ACIMA PARABENS.

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